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Perspectivas
2010
Fazendo
uma perspectiva a todo ano
que se inicia, tentamos utilizar nossa experiência
e nosso aprendizado do dia-a-dia com a indústria do
leite, seus derivados e consequentemente com a política
leiteira e todos os problemas que envolvem este segmento lácteo para fazer um breve
apanhado do que se passou e do que poderá estar reservado para o ano que virá.
No inicio de 2009 o momento era de
incerteza total, mas para quem lembra, no primeiro edital de 2009, pintamos
um quadro otimista, no qual iríamos sim, ser afetados pela crise que se desencadeou
no final de 2008, mas nem tanto quanto muito pensavam. Ressaltamos que o Brasil
em produção agropecuária era campeão e tinha uma grande versatilidade, e com
isto apostamos em uma crise mais amena por estes lados de cá.
Estamos no
inicio de 2010 e parece que as estimativas se concretizaram, ou seja, a crise
veio, o Brasil foi afetado, pois depende muito das exportações e das importações,
mas se saiu melhor que muitos outros, e se não fosse a chuva de importações pela
Argentina e Uruguai, tínhamos ido bem melhor!
O fato
real é que saímos do
“olho da crise” sem a quebradeira que muitos esperavam, portanto, achamos que o
quadro para 2010 é muito oportuno, e apesar do dólar ainda estar desvaforavel
para exportar e propício para importar, o custo de produção vai abaixar (alta
produção e estoque de milho e soja), o consumo mundial e interno deve aumentar,
as taxas para importação estão mais altas que a do ano passado, a Europa
eliminou o subsídio além da Fonterra que elevou seu pagamento para esta estação
fazendo com que tenhamos um quadro mais otimista para o ano de 2010 e que deve
se estender até 2011, isto se o governo não abrir as pernas e deixar chover
leite em pó importado no mercado.
Ano passado aconteceu: o saldo da balança
comercial de lácteos no primeiro trimestre ficou negativo em cerca de US$ 11 milhões.
No período, foram importadas 27 mil toneladas de leite em pó (21,5 mil
provenientes da Argentina e 5,5 mil toneladas do Uruguai). É evidente que existem
diversas variáveis que podem mudar essa previsão: se a crise tiver mais uma
perna (fazendo um W ), como muitos acreditam, ou se a oferta de leite responder
mais rapidamente ao aumento de preços, o que não acreditamos.
De qualquer
forma vemos que o mercado brasileiro esta amadurecendo e cada vez mais se
profissionalizando, mostrando que não existe outra forma de sobrevivermos no
mercado: precisamos nos especializar, cada vez mais, no campo e na indústria, e,
acima de tudo, que o governo seja mais ágil em relação a regulação do mercado de importação, fazendo
com que nos tornemos cada vez mais competitivos. Desejamos a todos um feliz
2010 e que nossa previsão se concretize!
Saudações laticinistas Marco Antonio
Cruvinel e Equipe Ciência do Leite |