21/04/2014 às 12h31min - Atualizada em 21/04/2014 às 12h31min

A importância da história na qualificação do profissional

O celebro humano é um dos sistemas mais complexos do universo. Possui 100 bilhões de neurônios capazes de gerar mais de 100 trilhões de conexões. Se fosse possível construir um computador com a mesma capacidade de processamento do cérebro, segundo uma estimativa de cientistas da universidade de Stanford, ele consumiria 60 milhões de watts por hora, energia equivalente a quatro usinas de Itaipu funcionando simultaneamente.

No entanto, o cérebro humano consegue fazer tudo isso gastando apenas 20 watts, o equivalente ao consumo de uma lâmpada comum.

Em seu fascinante livro, O cérebro do Século XXI, Steve Rose, neurocientista britânico, a principal coisa que a ciência já sabe sobre o funcionamento do cérebro, é que ele funciona por significados, ou seja, o cérebro compreende, organiza e arquiva as informações que recebe, atribuindo a ela significados relacionados com outras informações que ele já dispõe. Para identificar os significados pertinentes a uma informação, o cérebro utiliza as fontes de referência de que dispõe, sendo as principais as experiências adquiridas e a história conhecida.

Neste artigo vamos nos concentrar na história, pois a experiência de cada indivíduo pertence a ele e só pode ser compartilhada através de narrativas que assumem na maioria das vezes a forma de uma história vivida e relatada.

Assim, ficamos sabendo que quanto mais sabemos sobre a história da nossa família, da nossa cidade, nosso país, da empresa em que trabalhamos ou da profissão que escolhemos exercer, mais elementos teremos para atribuir significados às informações que recebemos, portanto, arquivá-las nos lugares corretos, onde outras informações com significados relacionados já estão sendo armazenadas. Quando funciona desta forma, o cérebro encontra com mais facilidade cada informação e pode utilizá-la melhor no processo de significação das informações que está recebendo.

Esta introdução serve para nos alertar sobre a importância de conhecermos as histórias relacionadas com a atividade que exercemos. 

Um profissional que trabalha com plásticos, por exemplo, muito se beneficiaria em conhecer a história dos plásticos, como eles foram criados e assim por diante. Nas pesquisas que desenvolvi nos últimos três anos, me impressionou descobrir que a maioria dos profissionais que trabalha com impressão, não conhece a história da impressão, muitos jornalistas não conhecem a verdadeira história da imprensa, saber que apenas uma minoria dos professores de primeiro grau conhece a história da escrita e assim por diante.

Apesar da bibliografia sobre a história da embalagem que encontramos, por exemplo, na Wikipédia, ser bastante reduzida, mesmo assim é possível, conhecer muito sobre a profissão que escolhemos exercer.

Numa passagem que aparece no livro “Confissões de um Publicitário”, escrito por David Ogilvy, o autor pergunta ao cirurgião real da coroa britânica com quem conversava num jantar de gala:

“O que diferencia o cirurgião real de um cirurgião comum?”, ao que seu interlocutor respondeu: “O cirurgião real sabe mais sobre cirurgia que um cirurgião comum”.

Este exemplo ilustra bem o fato dos grandes profissionais saberem mais sobre a profissão que exercem do que sabem os profissionais “comuns”.

Portanto, se o objetivo de uma pessoa é ser um profissional comum, ela não precisa conhecer a história da sua profissão, da empresa onde trabalha e nem dos materiais relacionados com ela, mas se o objetivo for ser um profissional de nível superior, não importa a profissão sobre a qual estamos falando, a pessoa que almeja este objetivo precisa conhecer pelos menos o fundamental da história relacionada com o que faz. 


Autor: Fábio Mestriner

Referências bibliográficas: 

O autor é professor do MBA de Marketing da FUNDACE-USP.
Fonte: Revista Embanews - Fevereiro de 2014


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