23/12/2015 às 12h58min - Atualizada em 23/12/2015 às 12h58min

Retrospectiva 2015

Marco Antonio Cruvinel de Lemos Couto

Este ano foi um ano bastante difícil para a cadeia do leite em geral. Um ano onde o preço do leite abaixou em relação ao mesmo período do ano passado. E para piorar, os insumos aumentaram os preços. Se não fosse o bastante, dados fornecidos pelo governo, dizem que 2016 será pior ainda em certos setores.Os derivados lácteos também estão praticamente estabilizados nos preços e as vendas estão em queda.

Iniciamos o ano com rumores que traziam as piores notícias possíveis para o país, tanto pelo lado econômico quanto político.  Estávamos iniciando com a Operação Lava Jato; o mercado chinês dava sinais de cansaço; crise na Grécia e no Oriente Médio, com a debandada da população dos países Árabes e da Àfrica, além da quebradeira na Itália e na França. A Cadeia Láctea do Brasil não estaria imune a tudo isto. Preço do leite está menor este ano para o produtor que do ano passado no mesmo período. Os insumos e alimentação estão com custos mais elevados, pressionando ainda mais o produtor. Muitas fazendas leiteiras desistiram da produção do leite ou se decidem manter o leite, querem fabricar queijos, uma forma de valorizar o leite.

A indústria láctea, produtora de queijos, leites e iogurtes, mesmo pagando “menos” pelo leite, teve outros custos em elevação, como o de ingredientes importados, do combustível, da energia, dos impostos, enfim, tudo que acaba elevando os custos. O preço dos queijos e iogurtes estão quase os mesmos preços que do ano passado, no mesmo período. O atacado também não está conseguindo repassar o preço para o varejo. E se não bastasse o problema das vendas, ainda temos o da inadimplência que aumentou bastante, elevando assim os custos e os riscos.

É um momento de incertezas e ajustes, que pode levar muito produtor a desistir da produção de leite, porém, os que ficarem, precisam saber fazer bem feito, com tecnologia e gestão de negócio. O Brasil tem potencial para produzir, tem terra em abundância e um povo que gosta do agronegócio, em especial da produção de leite e de carne.

Talvez não tenhamos nem duzentos anos de produção leiteira, contra os dois mil anos da Europa, mas já somos o terceiro maior produtor de leite do mundo, e um dos poucos com capacidade de ultrapassar os EUA, que é atualmente ocupa o lugar de maior produtor mundial. Em 2015 fomos medalha de prata no mundial de Queijos Artesanais, realizado na França. É como se um time de futebol da segunda jogasse o mundial com o Barcelona e ganhasse. Participou de uma categoria que incluía vários queijos famosos, como o Raclette e o Manchego. Isso mostra o potencial que temos para produzir derivados lácteos de boa qualidade. Não somente leite, tecnologias, mas também pastagem, clima e muitos microclimas que darão vários sabores, aromas, texturas, consistências ainda desconhecidos da maioria.

Que as grandes dificuldades deste ano sejam apenas trampolins para um futuro bem maior!

Um Ano Novo repleto de boas novas e grandes sucessos!
Saudações Laticinísta e que venha 2016.
Marco Antônio Cruvinel Lemos Couto e Equipe Ciência do Leite

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