01/02/2022 às 09h58min - Atualizada em 01/02/2022 às 09h58min

Retrospectiva 2021 - Acontecimentos importantes do segmento lácteo

Luiza Carvalhaes de Albuquerque

A etimologia do conceito retrospectiva remete-nos para a língua latina e para o seu vocábulo retrospicĕre, que significa “observar para trás”. Retrospectivo, por conseguinte, é aquilo que tem em conta um desenvolvimento ou um trabalho que se tenha realizado no passado. Chama-se retrospectiva, deste modo, à exibição ou à exposição que se desenvolva com o objetivo de mostrar, na nossa pesquisa, da forma mais exaustiva possível, as realizações e eventos onde o segmento lácteo foi o grande protagonista da exibição, geralmente ordenadas de maneira cronológica. Esperamos que os nossos leitores e usuários apreciem esse editorial e relembrem fatos importantes que marcaram o setor de leite e derivados de 2021.


1. As exportações do agronegócio alcançaram valores recordes para o mês de dezembro passado e também para o ano de 2021. Foram US$ 9,88 bilhões, valor recorde para os meses de dezembro: 36,5% superior aos US$ 7,24 bilhões de 2020. Em 2021, o total exportado com o agronegócio resultou em US$ 120,59 bilhões, alta de 19,7%, em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O mês de dezembro de 2021 teve desempenho favorável devido ao forte aumento dos preços dos produtos exportados (22,5%) e, também, da expansão do volume destas exportações (11,4%). Além dos preços elevados, houve recorde no volume exportado pelo Brasil no agronegócio (15,62 milhões de toneladas). De acordo com os analistas da SCRI, os destaques foram para soja em grãos (2,71 milhões de toneladas; +889,5%); farelo de soja (1,72 milhão de toneladas; +82%); celulose (1,64 milhão de toneladas; +28,8%); e carnes (667 mil toneladas; +3,3%). Com este cenário, preços elevados e aumento do volume exportado, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras voltou a crescer. Em dezembro de 2020, as exportações do agro foram responsáveis por 39,2% do valor total vendido ao exterior, e, em dezembro de 2021, a participação alcançou 40,6%.

2. O Selo Arte, criado para atender as necessidades de venda de produtos feitos artesanalmente, já está presente em 233 produtos artesanais no Brasil divididos em quatro categorias: lácteos, cárneos, pescados e produtos oriundos de abelhas. O certificado garante que alimentos de origem animal foram elaborados de forma artesanal e que possuem características tradicionais, regionais e culturais. O roll mop, um peixe, geralmente feito com sardinha, enrolado em volta de um pedaço de pepino ou cebola e mantido em conserva, tipicamente consumido em Santa Catarina, foi o primeiro pescado a conseguir concessão de Selo Arte. Já no Nordeste, os queijos de leite de cabra possibilitaram ao Maranhão as 16 primeiras concessões do Selo Arte. A cadeia da caprinocultura é típica da região, que em 2020 concentrava 95% da criação nacional de caprinos. Além do Maranhão e Santa Catarina, mais dez estados já possuem essa certificação: Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins.

 

3. A coordenadora-geral de Produção Animal da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação (SDI/Mapa), Marcella Teixeira, afirma que com a expansão da concessão por mais unidades da federação é possível fomentar e formalizar atividades de crescimento econômico de diferentes regiões do país. “Com a expansão da concessão por mais unidades da federação, criamos a possibilidade de produtos típicos serem degustados em todo o Brasil. Além disso, existe uma importância social e econômica que fica ainda mais evidente no momento de retomada econômica decorrente da pandemia da Covid-19", destaca.

Para a garantir o Selo Arte, é necessário que o produtor tenha um registo junto ao Serviço de Inspeção Oficial do município, estado ou Distrito Federal. Depois, ele deve entrar no sistema eletrônico de Cadastro Nacional de Produtos Artesanais e registrar seu pedido e anexar as informações necessárias. Além disso, existem diversas leis e referências normativas para a garantia do selo, como por exemplo, a normativa Nº 67, DE 10/12/2019, que estabelece os requisitos para que os estados e o Distrito Federal realizem a concessão de Selo Arte e a normativa Nº 73, DE 23/12/2019, que estabelece o Regulamento Técnico de Boas Práticas Agropecuárias destinadas aos produtores rurais fornecedores de leite para a fabricação de produtos lácteos artesanais. Marcella destaca ainda que a política do Selo Arte viabiliza o acesso de consumidores a alimentos seguros e diferenciados pela característica da artesanalidade, muitas vezes com valor afetivo remetendo às suas cidades de origem.

 

4. Recordes em exportações do agronegócio brasileiro somaram valor recorde em 2021: US$ 120,59 bilhões (+19,7%). Somente os meses de janeiro e fevereiro deste ano não registraram recordes, explicados pela forte queda da quantidade exportada de soja em grão nesses meses, em virtude do baixo estoque de passagem em 2020, e do atraso no plantio da safra 2020/2021 (seca), com posterior atraso nas áreas de colheita em decorrência das chuvas. A partir de março, a soja em grãos é exportada influenciando no resultado total observado. O crescimento das exportações brasileiras do agronegócio ocorreu em função do aumento do índice de preços dos produtos (+21,2%), enquanto o volume embarcado se reduziu (-1,2%), conforme nota publicada pela secretaria. Apesar do recorde nas exportações, as vendas externas de produtos do agronegócio representaram 43% das exportações brasileiras em 2021, participação 5,1 pontos percentuais inferior à verificada em 2020. Em 2021, o  Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) atingiu R$ 1,129 trilhão, 10,1% acima do valor alcançado em 2020 (R$ 1,025 trilhão). De acordo com levantamento da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, as lavouras somaram R$ 768,4 bilhões, o equivalente a 68% do VBP e crescimento de 12,7% na comparação com 2020; e a pecuária, R$ 360,8 bilhões (32% do VBP) e alta de 4,9%. A nota técnica informa que o bom desempenho do agro ocorreu mesmo diante da falta de chuvas, seca e geadas em regiões produtoras. Os produtos com melhores resultados no VBP foram: soja, R$ 366 bilhões; milho, R$ 125,2 bilhões; algodão, R$ 27,6 bilhões; arroz, R$ 20,2 bilhões; cacau, R$ 4,2 bilhões; café, R$ 42,6 bilhões; trigo, R$ 12,5 bilhões; carne bovina, R$ 150,9 bilhões; carne de frango, R$ 108,9 bilhões; e leite, R$ 51,8 bilhões. Juntos, responderam por 76% do VBP do ano passado. “Três fatores podem ser citados como impulsionadores desse crescimento - preços favoráveis, quantidades produzidas e o mercado internacional que em geral tem sido favorável para vários desses produtos. O mercado internacional e os preços foram os mais relevantes desses fatores”, destaca a nota técnica.

VBP 2022 - Para este ano, as perspectivas de produção do agro permanecem positivas, com valor estimado de R$ 1,162 trilhão, 2,9% acima do obtido em 2021. “Continuam boas as chances para algodão, café, milho, soja, trigo e produtos da pecuária, especialmente carnes bovina e de frango. Também não devemos ter problemas de abastecimento interno e externo, pois como mencionado as  previsões são de safra elevada de grãos e oferta satisfatória de carnes”, avaliam os técnicos.

O que é o VBP - O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária no decorrer do ano, correspondente ao faturamento dentro do estabelecimento. É calculado com base na produção agrícola e pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país dos 26 maiores produtos agropecuários nacionais. O valor real da produção é obtido, descontada da inflação, pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A periodicidade é mensal com atualização e divulgação até o dia 15 de cada mês. Em 2021, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aplicou R$ 1,18 bilhão, valor 34% maior que o executado em 2020. Com isso, todos os indicadores são recordes no seguro rural em 2021. Foram beneficiados aproximadamente 121 mil produtores rurais, contratadas 218 mil apólices e a área segurada total foi de 14 milhões de hectares, 2,4% superior ao resultado de 2020. O valor segurado no país alcançou o recorde de R$ 68,3 bilhões no ano passado, um aumento de aproximadamente 49,1%.

5. As seguradoras já pagaram, entre janeiro e outubro de 2021, em torno de R$ 3,6 bilhões em indenizações aos produtores, o que representa um aumento de 76% sobre os R$ 2,1 bilhões pagos no mesmo período de 2020. O valor é recorde também desde o começo do PSR, em 2006. A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) tem priorizado a política agrícola de seguro, que é uma proteção indispensável para qualquer empreendimento rural e os eventos adversos que têm ocorrido com frequência nos últimos anos. Em 2021, houve aumento significativo nos custos e preços dos principais produtos segurados, como a soja e o milho, o que exigiu um aporte maior de subvenção do governo. “Em 2020, aplicamos R$ 881 milhões no PSR e com isso conseguimos atingir uma área segurada de 13,7 milhões de hectares. Já em 2021, mesmo aplicando R$ 300 milhões a mais no Programa, elevamos a área em menos de 400 mil hectares, porém significativa para a continuação do crescimento do Programa observado desde 2019”.

Outros destaques no PSR foram entre as mais de 60 atividades apoiadas pelo Programa. No ano de 2021, destaca-se o crescimento das operações de pecuária, que tiveram um aumento de 109%; café, 40%; floresta, 22% e milho, 1ª e 2ª safras, 18%. As culturas que apresentaram maior demanda por seguro rural foram: soja, milho (2ª safra), trigo, milho (1ª safra), café, maçã, uva, arroz e tomate. O relatório consolidado da execução do Programa de Seguro Rural em 2021 deve ser divulgado no próximo mês. As informações gerais já estão disponíveis no Atlas do Seguro Rural. Para o produtor rural verificar se sua apólice foi contemplada no Programa, basta acessar o site: https://www.gov.br/.../seguro-rural/produtores-beneficiados.

Contratação - O produtor que tiver interesse em contratar o seguro rural deve procurar um corretor ou uma instituição financeira que comercialize apólice de seguro rural. Atualmente, 15 seguradoras estão habilitadas para operar no PSR. O seguro rural é destinado aos produtores pessoa física ou jurídica, independentemente de acesso ao crédito rural. A subvenção econômica concedida pelo Ministério da Agricultura pode ser pleiteada por qualquer pessoa física ou jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo Programa. A partir de 2022, o percentual de subvenção ao prêmio será fixo em 40% para todas as culturas/atividades, exceto para a soja, cujo percentual será fixo em 20%. Essa regra vale para qualquer tipo de produto e cobertura, conforme regras do PSR, que podem ser acessada aqui.

6. Estados livres de aftosa sem vacinação. Os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso passaram a ser reconhecidos internacionalmente como zonas livres de febre aftosa sem vacinação. Ao todo, são mais de 40 milhões de cabeças que deixam de ser vacinadas, o que corresponde a cerca de 20% do rebanho bovino brasileiro, e 60 milhões de doses anuais da vacina que deixam de ser utilizadas, gerando uma economia de aproximadamente R$ 90 milhões ao produtor rural. O reconhecimento foi concedido em maio pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O Paraná também recebeu o reconhecimento como zona livre de peste suína clássica independente. Para realizar a transição de status sanitário, os estados e regiões atenderam requisitos básicos, como aprimoramento dos serviços veterinários oficiais e implantação de programa estruturado para manter a condição de livre da doença, entre outros, alinhados com as diretrizes do Código Terrestre da OIE.

7. A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) participou do Fórum Invest In Brasil, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em painel sobre oportunidades de negócios no Brasil, a ministra destacou as possibilidades de investimentos na agropecuária brasileira, enfatizando a sustentabilidade e eficiência do setor, que é capaz de responder aos desafios da demanda mundial por alimentos e dar retorno financeiro. “Nosso país é uma das melhores opções para ajudar o mundo a combater a insegurança alimentar. Segundo estimativas da FAO, a demanda global por alimentos crescerá pelo menos 60% até 2050. Se levarmos em conta que poucas nações terão capacidade de aumentar a própria produção de forma tão acentuada em curto período, os principais fornecedores, entre os quais o Brasil, precisarão encontrar formas ainda mais eficazes de plantio, colheita e distribuição. Nós já estamos nesse caminho”, disse. A ministra disse que há muitas áreas em que o Brasil pode trabalhar em conjunto com os Emirados Árabes Unidos, seja entre governos ou com os setores privados, especialmente na área de infraestrutura. Ela também citou a possibilidade de investimentos em títulos verdes e a Lei do Agro, que permite operações financeiras mais simples para investimentos no agronegócio brasileiro. “Com sucessivos recordes de produção agropecuária no Brasil, nossos excedentes aumentam e os mercados mundiais são seu destino natural. Por isso, temos que desburocratizar o ingresso de recursos externos no país e acertar aspectos tributários para não atrapalhar esse fluxo de capitais”, disse a ministra. Além disso, ela citou que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve assinar com a Autoridade de Segurança Alimentar de Abu Dhabi, um memorando de Entendimento que permitirá o desenvolvimento de projetos de cooperação científica em diversas áreas como horticultura, frutas e controle biológico de pragas e doenças. O evento foi organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Dubai Chamber e Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. A ministra também participou da abertura do evento, que contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades do Brasil e dos Emirados Árabes. 

8. O Brasil conquistou 14 medalhas, entre ouro, prata e bronze, na 33ª edição do World Cheese Awards, na cidade de Oviedo, Espanha. Considerado o “Oscar do Queijo”, o campeonato premiou com ouro dois queijos brasileiros produzidos em estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF): Vale do Testo, da Pomerode Alimentos, e o Tipo Reblochon, produzido pelo Laticínio Serra das Antas. Cerca de 40 queijos brasileiros competiram com outros 4 mil inscritos de todo o mundo. A participação dos queijos brasileiros nesse campeonato mundial foi viabilizada pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Os queijos brasileiros têm alta qualidade e dessa vez o Ministério buscou alternativas junto às autoridades sanitárias espanholas e a organização do evento para viabilizar a participação do produto brasileiro, uma vez que ainda não estamos aptos a exportar esse produto para aquele mercado”, relata a diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal, Ana Lúcia Viana. Nesta edição, o queijo escolhido como o melhor do mundo foi o espanhol Olavidia, da marca Quesos y Besos. Um queijo feito com leite de cabra lentamente pasteurizado.

O Vale do Testo é um queijo semiduro de casca lavada e tem sabores de amêndoas, caldo de carne e defumados. Suas peças têm seis meses de maturação. Já o queijo Tipo Reblochon é feito de leite de vaca, semimole de textura compacta e sabor suave. O processo de produção inclui três semanas de maturação. Os outros 12 queijos premiados foram: com medalhas de prata - Lua Cheia  e Tipo Comté, ambos da Serra das Antas; e com medalhas de bronze – Tulha e Caprinus, da Fazenda Atalaia; Serra do Lopo e Dolce Bosco, da Capril do Bosque; Manto da Serra, Requeijão cremoso e Tipo Quarck, do Laticínio São João; e Vó Bastião, Parmesão e Tipo Raclette, da Serra das Antas.

9. Para valorizar ainda mais o potencial do segmento leiteiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realiza a 1ª Semana do Leite, evento nacional com o mote “Leite e Derivados: Alimentos que fazem o Brasil crescer”. Com produção de 34 bilhões de litros de leite por ano, o Brasil se destaca como o 3º maior país produtor do alimento e seus derivados do mundo. Além de mostrar os benefícios nutricionais do leite, a campanha tem como objetivo apresentar para quem mora na cidade o trabalho do produtor rural, reforçou a ministra Tereza Cristina, no lançamento da campanha nesta terça-feira (4) na sede do Mapa, em Brasília. “Às vezes, a criança conhece só a caixinha do leite, mas não sabe de onde veio. Não sabe que alguém acordou cedo, apartou o bezerro da vaca, tirou o leite, pôs no refrigerador, buscou, entregou e depois a indústria transformou e aí chegou ao supermercado. É muito importante que essa campanha seja educativa em todos os aspectos”, destacou a ministra, lembrando que essa será a primeira de muitas campanhas sobre o setor.

 

10. O objetivo é compartilhado pelo presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, que disse que a ação transcende o foco das vendas promocionais. “A campanha tem como essência uma agenda abrangente e educativa, traduzida pelo objetivo de trabalharmos em importantes mensagens sobre a qualidade da produção brasileira de lácteos e seus benefícios à saúde”. Segundo ele, ao longo do mês de novembro as associações estaduais de supermercados estarão engajadas em reverberar essas mensagens em todas as partes do país.

Mercado do leite - Atualmente, 99% dos 5.570 municípios brasileiros são produtores de leite e, entre os mais de 1 milhão de produtores nacionais, a maioria é da agricultura familiar. “Esse é um momento ímpar dentro da nossa história, da nossa cadeia produtiva do leite nacional. Esta campanha tem uma importância muito grande para que a gente possa mostrar para a sociedade o quanto esses alimentos são importantes para a saúde humana, mas também a importância dessa cadeia sob todos os pontos de vista, em relação a emprego e renda, colocando o Brasil como 3º maior produtor do mundo”, defendeu o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges.

11. O leite é fonte de nutrientes, de cálcio, proteínas e de renda: movimenta mais de R $100 bilhões ao ano, gerando mais de 4 milhões de empregos no campo e na indústria. A produção é responsável pelo sustento de diversas famílias do campo e geração de riqueza para a economia do país. Os produtos brasileiros também são apreciados no exterior. México e China abriram seus mercados para o leite e seus derivados, sendo que o primeiro embarque para o país asiático (leite em pó) se deu em outubro de 2021 como teste de acordo firmado há dois anos, conforme anunciou o diretor executivo da Associação Brasileira de Laticínios - Viva Lácteos, Gustavo Beduschi. “Essa campanha reconhece a importância econômica, social e nutricional desse setor para o Brasil. Todos temos a certeza de que este é apenas o primeiro ano de muitos desta campanha de valorização dos lácteos brasileiros. Esta e as demais ações do Ministério estão em linha com a missão da Viva Lácteos para tornar a cadeia brasileira do leite mundialmente competitiva”, declarou.

Integração do setor - Para o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes, o principal objetivo da campanha é a integração do setor. “O desenvolvimento que a gente faz em um setor, uma região, um estado, uma nação não é só pela pujança econômica, é pela capacidade das pessoas de se organizarem. E aqui estamos tendo uma demonstração de que a organização da cadeia é possível, com boa vontade”. 

12. O presidente Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados, Ronei Volpi, destacou que a meta é aproximar o setor do consumidor. “Temos o objetivo de chegar ainda mais perto dos nossos consumidores levando os alimentos que sempre foram e continuarão sendo muito saudáveis, muito sustentáveis e vitais para as pessoas”, complementou o representante do colegiado, que representa 35 instituições do setor lácteo. Por outro lado, o cenário de desafios para o setor lácteo também começou cedo.

Ao longo do 1º trimestre de 2021 (janeiro à março), a indústria do leite foi impactada pelo aumento dos custos de produção e pelo enfraquecimento da demanda, influenciada pela redução do poder de compra das famílias no contexto da pandemia, conforme apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Trimestral do Leite. No mês de junho, o mercado de queijos, em especial, também enfrentou a baixa demanda devido às dificuldades de escoamento da produção e à pressão por baixa nos preços. Neste período, os preços do quilo da muçarela saíram de R$ 28,00 na 1° semana de junho para R$ 26,20 na última semana.

13. Em julho, com o crescimento da produção nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai no primeiro semestre de 2021, e o aumento das cotações de leite dos países exportadores, o Brasil registrou uma nova queda nos preços dos lácteos. A exemplo do leite em pó integral, cotado a US$ 3.864/ton; uma taxa 4,9% inferior que a registrada em início de junho. Estes dados foram divulgados pelo leilão da Global Dairy Trade (GDT). Outra dificuldade enfrentada por toda a cadeia do leite ao longo do ano foi relacionada às condições climáticas desfavoráveis. A secura dos pastos devido à escassez de chuvas impactou negativamente toda a cadeia produtiva, industrial e de consumo, tanto do leite, quanto de seus derivados. “Embora os desafios tenham sido enormes em 2021, mais uma

vez toda a cadeia do leite se manteve unida, em busca de

soluções e alternativas para minimizar os impactos advindos das questões climáticas, queda nos preços, entre outros elementos. Nosso objetivo é refletir sobre as lições, aprendizados e oportunidades que 2021 nos trouxe, para nos guiar positivamente rumo ao ano seguinte”, enfatiza Guilherme Abrantes, Presidente do Silemg.

14. O queijo Minas artesanal (QMA) é definido como o queijo elaborado conforme tradição histórica e cultural da região do estado onde é produzido, a partir do leite integral de vaca, fresco e cru, retirado e beneficiado na propriedade de origem, que apresente consistência firme, cor e sabor próprios, massa uniforme, isenta de corantes e conservantes, com ou sem olhaduras mecânicas (MINAS GERAIS, 2002). Trata-se de um produto de grande importância cultural, social e econômica às famílias mineiras. Seu modo de fazer foi reconhecido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Minas Gerais (IEPHA/MG) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio imaterial, sendo passado de geração em geração, mantendo a tradição centenária (IPHAN, 2008). Existem oito regiões reconhecidas até o momento para produzir e comercializar esse produto em Minas Gerais: Araxá, Campo das Vertentes, Serra da Canastra, Serras da Ibitipoca, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro (Figura 01). Cerca de 9 (nove) mil famílias produtoras de QMA estão inseridas nessas regiões, sendo a produção aproximada de 80 mil toneladas por ano (EMATER/MG, 2020). Dentre essas, a região do Campo das Vertentes é famosa não só por suas belezas naturais, arquitetura barroca e artesanatos, mas também pela sua culinária típica mineira, sendo o famoso QMA importante atrativo. A região é considerada o berço legítimo da produção de queijo no país, e também do QMA, sendo dela os primeiros relatos de produção queijeira nesses moldes, no século XVIII. Com isso o conhecimento foi se expandindo para outras regiões e ganhando força (DUTRA et al., 2017). Grande parte da produção de QMA é destinada a pequenas lojas, feiras livres e venda direta a consumidores que visitam as queijarias. Entretanto, o ano de 2020 foi atípico devido à pandemia ocasionada pelo coronavírus (Covid-19), trazendo dificuldades para a comercialização de queijos, com o fechamento de grande parte das vias de escoamento da produção. A pandemia diminuiu a circulação de dinheiro, o que restringiu a preferência dos consumidores por produtos não essenciais, reduzindo as vendas e os preços dos queijos artesanais.

Devido à importância socioeconômica da produção de QMA para a região do Campo das Vertentes, verificou-se a influência da pandemia da Covid-19 na produção e comercialização de QMA produzido nessa região. O estudo foi realizado in loco no mês de novembro do ano de 2020 em 05 (cinco) propriedades produtoras de QMA da microrregião do Campo das Vertentes, devidamente registradas no IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária). Cada uma das propriedades foi submetida a um questionário de informações gerais sobre a produção dos QMAs e para conhecer as mudanças advindas com a pandemia da Covid-19, na produção e comercialização desse alimento.

O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais com o parecer número 39025920.9.0000.5588. Durante as visitas às queijarias, no contexto de enfrentamento à Covid-19, todos os envolvidos (pesquisadores e produtores rurais) adotaram medidas de segurança de acordo com a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2020a). Foi utilizado um instrumento de coleta de dados pré-elaborado (questionário estruturado), com perguntas para resposta única, permitindo acrescentar observações, quando necessárias. Assim, foi possível obter informações que possibilitaram conhecer a realidade da atividade queijeira na região em momento de pandemia da Covid-19. Mais especificamente, foram abordados os seguintes tópicos: receitas, gestão, inovações, cuidados sanitários, visitações à propriedade, produção, mudanças de rotinas, funcionários, vendas, clientes, associação com outros produtores e outros assuntos. Os dados coletados foram analisados de forma quantitativa e qualitativa.

As unidades produtoras de QMA da região do Campo das Vertentes que participaram do trabalho estão localizadas no meio rural, sendo o queijo fabricado pelo proprietário, mas 60% possuem funcionário. Todas recebem clientes na propriedade, e 80% delas vendem também para intermediários. Entre os entrevistados, 20% possuem somente a 4ª série, o restante dos produtores, 80%, possui segundo grau completo. Esses resultados apontam relação entre o nível de escolaridade e a conscientização do produtor quanto à necessidade de adequação da queijaria para a produção de um queijo de qualidade.  De acordo com Santos et al. (2017), são esses os produtores com maior abertura para as questões de adequação das queijarias. A inserção das famílias na atividade de produção de queijo artesanal aconteceu pela oportunidade de se obter uma fonte de renda, sendo essa atividade a principal renda familiar. Todos os produtores envolvidos participam da Associação do Queijo Minas artesanal das Vertentes (AQMAV) e de reuniões de entidades de classe e treinamentos para produção de queijo, sempre que são convidados. A associação é de extrema importância para auxiliar na melhoria do processo produtivo através de capacitações e transferência de conhecimentos, além de possibilitar a organização e fortalecimento da classe.

Foi constatado que a partir do início da pandemia, os procedimentos de boas práticas de fabricação e manipulação de alimentos (Tabela 2) foram intensificados por todos os produtores de queijos, como lavagem e desinfecção frequente das mãos e de todas as superfícies, secagem das mãos com papel toalha, uso de álcool em gel de forma complementar, separação mínima de 1 metro entre pessoas e utilização adequada de uniformes e equipamentos de proteção individual (ANVISA, 2020b). No início da pandemia, entre meados do mês de março até meados de maio de 2020, a insegurança do que viria pela frente levou os produtores a tomar algumas medidas de redução de gastos e produção. No entanto, a partir da segunda quinzena de maio, de forma inesperada, houve um aumento de demanda por QMA. As estratégias usadas no período de pandemia pelos produtores de QMA do Campo das Vertentes contribuíram para o maior crescimento do setor, com aumento da produtividade. Além disso, foi constatado que muitas delas representam um caminho promissor e sem volta, como as vendas pela internet.

 

15. Epamig vai oferecer cursos superiores de tecnologia a partir de 2022 - O Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais (CEE/MG) oficializou o credenciamento dos institutos técnicos ligados à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) à rede estadual de ensino superior. Com a inclusão, o Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), em Juiz de Fora, e o Instituto Técnico de Agropecuária e Cooperativismo (ITAC), em Pitangui, poderão oferecer, já em 2022, os cursos gratuitos de Tecnologia em Laticínios e em Agropecuária de Precisão.

O credenciamento também possibilita a abertura de cursos de pós-graduação nas modalidades lato sensu e stricto sensu pelos dois institutos. A diretora-presidente da Epamig, Nilda Ferreira Soares, considera a decisão um marco para a integração entre a pesquisa e o ensino. “Com essa autorização, nossas unidades de ensino evoluem para outro patamar, que terá impacto positivo na empresa como um todo. As duas atividades são complementares. O ensino superior abre novos campos para a pesquisa e a pesquisa contribui para a excelência do ensino”, afirma. Cada curso vai oferecer, anualmente, 40 vagas. O ingresso será por processo seletivo, com editais próprios, que serão disponibilizados em janeiro de 2022, pelos sites www.epamig.br/ilct/ e www.epamig.br/itac/. A classificação utilizará a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O regime acadêmico será semestral, em tempo integral, com atividades didáticas distribuídas em cinco semestres letivos. O curso será presencial e o estágio supervisionado pode ser realizado no sexto semestre. Por fazerem parte da rede pública de ensino superior do Estado de Minas Gerais, as formações serão gratuitas. O curso superior de Tecnologia em Laticínios busca formar profissionais aptos a planejar, implantar, executar e avaliar os processos relacionados ao beneficiamento, à industrialização e à conservação de leite e derivados, da matéria-prima ao produto. "O projeto pedagógico conta com as características que sempre diferenciam o curso técnico da Epamig ILCT: o conhecimento teórico associado às atividades práticas, com foco no desenvolvimento de projetos. O estudante terá formação específica para aplicação e desenvolvimento de pesquisa e inovação tecnológica; difusão de tecnologias; gestão de processos de produção de bens e serviços; e desenvolvimento da capacidade empreendedora", explica o coordenador pedagógico da Epamig, Frederico Passos. O curso superior de Tecnologia em Agropecuária de Precisão da Epamig ITAC será o primeiro com este enfoque no Brasil. "Trata-se de um curso em Agropecuária que incorpora conteúdos teóricos e práticos voltados para os mais modernos conceitos da agricultura e da pecuária de precisão. É uma área nova, necessária para o agronegócio de Minas Gerais e do Brasil", destaca.

Saudações Laticinistas
Luiza Carvalhaes de Albuquerque
Assessora Técnica do Site Ciência do Leite


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