15/04/2013 às 13h30min - Atualizada em 15/04/2013 às 13h30min

Propostas para incremento da qualidade em laticínios

A busca pela Gestão da Qualidade por parte das empresas está cada vez mais associada ao alcance de posição competitiva dentro de um mercado de concorrência acirrada e diante de consumidores cada vez mais exigentes. No caso específico da indústria de laticínios, o ambiente mostra que a procura por vantagem competitiva se faz cada vez mais necessária, dada as mudanças recentes ocorridas no setor. 

Para o caso específico dos alimentos, duas questões referentes à qualidade merecem destaque: (a) a segurança do alimento e (b) o atendimento a outros requisitos do consumidor. Um alimento seguro é aquele livre de contaminantes ou de qualquer outro problema que possa acarretar riscos à saúde humana. Além disso, existem outros atributos necessários para se atender às exigências do consumidor, tais como: padronização, marca, características organolépticas e características nutricionais, que representam fatores diferenciais e decisórios na escolha de produtos.

Dessa forma, cabe às empresas buscar capacitação para enfrentar a concorrência, atender aos requisitos legais e às exigências do consumidor e sobreviver no mercado. Na disputa pela preferência do consumidor, para muitos segmentos de mercado, a qualidade acaba por desenvolver caráter tão ou mais relevante que fatores como preço e nível de serviço, representando muitas vezes critério essencial para a concretização da venda. Além disso, a melhoria da qualidade contribui para a redução de custos, dado que auxilia na redução de perdas e na eliminação de retrabalho.

Algumas propostas 

A importância da busca e manutenção da qualidade do produto além da fronteira física da empresa de processamento é prática necessária e que deve ser ressaltada, considerando-se duas situações. A primeira diz respeito a procedimentos na cadeia de produção que não façam parte do elo de processamento (indústria). A outra questão diz respeito a procedimentos que, mesmo acontecendo fora dos limites da planta produtiva, são de responsabilidade da empresa processadora.

Para o caso do leite e derivados, a gestão da Qualidade assume grande importância, dada a perecibilidade do produto, seja como matéria-prima, seja como produto final.

Dois pontos são críticos no que diz respeito à qualidade do produto, sendo estes:

1) A qualidade na coleta do leite: a importância do papel do carreteiro, responsável pela coleta do leite, na preservação da qualidade da matéria-prima é clara e deve ser melhor abordada pelas empresas. Para tal, propõe-se:

a) Política de treinamento: conscientização dos carreteiros e colaboradores que operam no recebimento do leite na indústria, no que diz respeito à importância da preservação da qualidade da matéria-prima; treinamento por meio de programas voltados à Gestão da Qualidade;

b) Revisão da política de remuneração: a remuneração por quilometragem incentiva os carreteiros a aumentarem o número de propriedades atendidas e conseqüentemente a realizarem o serviço com maior rapidez e menos cuidados, podendo comprometer a preservação da qualidade. Recomenda-se uma política de remuneração que não considere somente a distância percorrida e o volume de leite captado, mas também a qualidade do leite que chega à indústria. Nesse aspecto, é proposto o pagamento de premiações por bons índices de qualidade;

2) A qualidade na distribuição do produto final: por se tratar de produto que depende de refrigeração, o transporte até o ponto de venda merece atenção especial para manutenção da qualidade. A perda de produtos finais por questões de qualidade deve ser investigada e sanada, a fim de construir e fortalecer a imagem da marca no mercado, além de reduzir custos. A proposta nesse sentido é a seguinte:

a)Política de treinamento: o treinamento e conscientização dos responsáveis pelo transporte da indústria ao varejo, devem ser conduzidos de forma a esclarecer a importância dessa etapa na qualidade do produto, bem como estimular a adoção de práticas que primem pela qualidade. A busca pela qualidade nesta etapa é principalmente importante devido a dois principais fatores: i) por se tratar de produtos elaborados (maior valor agregado - maior prejuízo financeiro), e ii) problemas com a qualidade do produto podem comprometer a imagem da marca no mercado. Além do mais, devem ser desenvolvidos outros mecanismos de incentivos aos vendedores, diferentes da comissão por vendas. Estes não devem estimular a aquisição de produtos pelo varejo além da previsão de demanda, principalmente no caso de refrigerados. Produtos com prazo de validade vencido são de responsabilidade da indústria, que arca com esse prejuízo. Somado a este fato, os vendedores devem ser conscientizados da correta utilização do caminhão refrigerado, não desligando a refrigeração (para economia de combustível) e/ou evitando a superlotação do caminhão, além de sua capacidade de refrigeração.

Considerações finais

Muito embora as empresas utilizem práticas de Gestão da Qualidade que garantem a segurança de seus produtos de maneira satisfatória, alguns problemas gerais relacionados com a Qualidade dos produtos são freqüentes.

A não sistematização e não padronização de todas as etapas de processo, bem como a ausência de uma estrutura de incentivo aos funcionários, de atendimento a clientes e de estreitamento de relações com fornecedores, demonstram a existência de atitudes de caráter muito mais reativo do que pró-ativo por parte destas empresas.

Por fim, é preciso destacar que a compreensão da Qualidade no setor deve abranger a Qualidade Ampliada do produto, tais como qualidade no uso, satisfação do cliente e qualidade da iguaria, e não exclusivamente a segurança do alimento.




Autor: Ferenc Istvan Bankuti

Referências bibliográficas: 

BÁNKUTI, S.M.S; BÁNKUTI, F. I. e TOLEDO, J. C. Quality Management in Dairy Companies: a Multi-Case Study and Proposals for Improvement. In:Anais do XVI Simpósio de Engenharia de Produção – SIMPEP. Bauru, SP. 2009.


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