17/01/2011 às 15h57min - Atualizada em 17/01/2011 às 15h57min

RS: seca reduz produção de leite em 1 milhão de litros por dia no Estado

Jornal do Comércio

A quebra na safra de milho e a redução da área de pasto em função da estiagem determinam perdas significativas na produção de leite do Rio Grande do Sul. Um levantamento da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL) indica prejuízos diretos de R$ 24 milhões aos produtores gaúchos com a redução na captação que já supera 1 milhão de litros por dia, na comparação entre dezembro do ano passado e a primeira quinzena de janeiro. O acréscimo nos custos de produção, hoje fixado em R$ 0,84 por litro, é de 17,2% em 2012 e um cenário pior já se anuncia.

O diretor financeiro e coordenador da comissão de leite da Farsul, Jorge Rodrigues, acredita em diminuição de 12% na produtividade. Ele antecipa que a entidade realiza um o levantamento para avaliar os principais danos da estiagem no setor. No entanto, ressalta que o momento é de preocupação. "O grande problema é que a perda se agravará quando dependermos da alimentação oriunda desta safra. Os estoques estão acabando e a entrada da alimentação deste ciclo é de baixíssima qualidade", diz.

O presidente da AGL, Ernesto Krug, endossa a afirmação e revela que, com escassez de insumos básicos no ciclo 2011/2012, a tendência é de queda na qualidade do produto final e, por consequência, uma elevação dos custos para a indústria. "As chuvas são muito importantes para acelerar o plantio das pastagens de inverno e da aveia. A silagem utilizada ainda é do estoque do ano passado, mas a alimentação (silagem e feno) que já começa a ser utilizada é de pior qualidade. Por isso, a previsão é de dificuldade para alimentação do gado nos próximos 90 dias", revela.

O Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), que representa 90% da captação de leite concentrada em 32 indústrias do Estado, estima que a média de produção em janeiro seja inferior a 8 milhões de litros por dia, quando o potencial do mês permitiria pelo menos 9,5 milhões de litros diários. O resultado, na opinião do secretário-executivo da entidade, Darlan Palharini, também afeta diretamente o setor industrial.

De acordo com o dirigente, para a fabricação de 1 kg de leite em pó eram necessários 9 litros de leite. Atualmente, com o recuo dos índices de gordura e sólidos no produto entregue, é preciso quase um litro de leite a mais para a obtenção da mesma quantidade do derivado. Ele explica que algumas empresas praticam melhores preços em busca de qualidade e que este mercado será bastante afetado. "Isso é um reflexo do baixíssimo nível de qualidade da alimentação do gado leiteiro em decorrência da seca. É inevitável que os produtores que agregam valor ao produto em função da qualidade sejam punidos neste momento", destaca.

Palharini acredita que os preços só devem ser alterados a partir de março e descarta qualquer possibilidade de falta de leite no mercado interno que, segundo ele, consome apenas 40% do que é produzido no Estado. "Provavelmente, o impacto maior nos custos ainda está por vir. No momento, o que serve de alento é que estamos em um período de baixo consumo e a relação de oferta e procura não age como uma pressão determinante para a produção. A demanda é mais moderada e isso ainda nos dá margem para uma recuperação", avalia.

Apesar do panorama, Palharini ainda especula que não serão registradas baixas nas vendas externas. Isso porque, dos cinco estados do País superavitários em leite (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Goiás), somente Goiás não enfrenta intempéries que incidem diretamente na produtividade do setor.

Rafael Vigna


 


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