23/03/2017 às 10h41min - Atualizada em 23/03/2017 às 10h41min

Preso quinto investigado na 12ª fase da Operação Leite Compensado

O dono de uma empresa e sócio de outra indústria investigadas na 12ª fase da Operação Leite Compensado, que apura adulterações no leite, se apresentou à Polícia Civil. Ele era considerado foragido após não ter sido encontrado durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão em cinco cidades do Rio Grande do Sul.

Assim, o número de presos sobe para cinco. O homem preso nesta quarta é dono da Laticínios Modena, de Nova Araçá, e sócio da Laticínios C&P, da cidade de Casca, que fabrica o queijo Princesul.

Ao G1, a defesa que representa as duas empresas disse que não tem conhecimento do motivo de ser investigada. Após ser levado ao presídio, o homem prestará depoimento ao Ministério Público.

Na empresa, foram localizadas cinco toneladas de queijo que haviam sido devolvidos por um laticínio de Maceió, Alagoas. "Os queijos estavam vencidos, impróprios, totalmente sem padrão, e a devolução de produto era algo comum, já que a própria rede Dia devolveu muitas cargas em virtude de problemas com embalagem ou azedos, mesmo dentro da validade", disse o promotor Alcindo Luz Bastos da Silva Filho após a operação.

De acordo com as investigações, produtos lácteos impróprios para o consumo (nocivos ou com redução de valor nutricional) eram comercializados pelas empresas investigadas em um esquema de crime organizado.

Segundo a investigação, produtos eram adicionados ao leite já imprópriopara consumo (Foto: Marjuliê Martini/Divulgação/MP)

Segundo a investigação, produtos eram adicionados ao leite já imprópriopara consumo (Foto: Marjuliê Martini/Divulgação/MP)

Segundo a investigação, produtos eram adicionados ao leite já impróprio para consumo (Foto: Marjuliê Martini/Divulgação/MP)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobe as empresas e os outros quatro presos

Na indústria Laticínios Modena (nome fantasia Bonilé), de Nova Araçá, o problema estava na produção de creme de leite. O produto, impróprio para consumo, recebia adição de água e voltava a ser comercializado. Dois funcionários da empresa foram presos.

Em Travesseiro, as ações foram feitas na empresa de laticínios Rancho Belo, onde foram apreendidos documentos e amostras dos produtos. Segundo o MP, leite in natura e creme de leite industrializado, já impróprios para consumo, eram levados para o local. Lá, eram adicionados produtos para controlar a acidez e eliminar os micro-organismos. O material era embalado e revendido para supermercados.

O dono da empresa em Travesseiro foi preso, assim como um transportador, já na cidade de Estrela. Além disso, a indústria teve as atividades suspensas pela Fepam em virtude de irregularidades na licença de operação e inadequação de descarte de resíduos, entre outros.

Os produtos da empresa iam para a rede de supermercados Dia%. O chefe do serviço de inspeção do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Leonardo Isolan, informou que será feita a rastreabilidade para indicar se há ou não problemas com o leite da marca e, assim que forem obtidos os resultados, as ações cabíveis serão adotadas.

"Creme de leite e creme de soro são matérias primas para a elaboração dos produtos finais, o que significa que as ações estão cada vez mais preventivas. Já que o índice de conformidade no produto final é de 99%", apontou.

A Indústria de Laticínios Rancho Belo não quis se manifestar.

O mandado de busca e apreensão cumprido na M&M Assessoria, contratada pela Laticínios Modena, ocorre porque, de acordo com relatório do Mapa, em grande parte dos postos de resfriamento e laticínios onde a empresa atuou, foram constatadas adulterações no leite cru in natura e em derivados.

A M&M Assessoria informou que não tem contrato com as empresas investigadas, e que colaborou com o Ministério Público nas investigações.

Já a assessoria de imprensa do supermercado Dia% informou que retirou de suas unidades os lotes do produto fabricado pela Latícínios Rancho Belo, além de ter bloqueado a saída do centro de distribuição.

Os clientes que compraram o leite integral UHT Dia poderão devolvê-los e serem reembolsados, orienta o supermercado. Ainda de acordo com a rede, os testes de qualidade não encontraram alterações nos lotes distribuídos, e que os testes estão sendo refeitos.

Empresas são suspeitas de adulteração de materual impróprio para consumo humano (Foto: Francieli Alonso/RBS TV)

Empresas são suspeitas de adulteração de materual impróprio para consumo humano (Foto: Francieli Alonso/RBS TV)

Mandados foram cumpridos na terça-feira (14) em cinco cidades (Foto: Francieli Alonso/RBS TV)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como funcionava a fraude
Na prática, os três laticínios recebem e repassam entre si leite cru, creme de leite e soro de creme fora dos padrões previstos pela legislação brasileira, segundo o MP. Muitas das cargas chegam a ser refugadas por outras empresas e acabam sendo comercializadas para estas indústrias.

Alguns elementos da investigação apontam que carregamentos de leite que só poderiam ter como destino a alimentação de animais, foram usados para a industrialização de produtos de consumo humano.

Em mais de dez Certificados Técnicos de Análise emitidos pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizados em leite cru, leite UHT e nata, foram detectados índices fora dos padrões.

Conforme as investigações, os sócios-proprietários das empresas ordenavam a adição desses produtos para corrigir a acidez e eliminar micro-organismos, com objetivo de "rejuvenescer" o produto já vencido, impróprio para o consumo.

No caso da água, ela era adicionada para que o creme de leite duro, já amanteigado, fosse novamente amolecido e misturado a outras cargas em condições melhores. Os laudos realizados pelas próprias empresas eram mascarados, para que tanto a fiscalização quanto os compradores não visualizassem os problemas, diz o MP.

Fonte: Portal G1


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »