25/10/2014 às 13h47min - Atualizada em 25/10/2014 às 13h47min

Pmgz Leite tem objetivo de acabar com o controle leiteiro seletivo

ABCZ

O Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (Pmgz) desenvolvido para o zebu leiteiro, o Pmgz Leite tem um novo modelo de aplicação. Os dados de genealogia, de análises morfológicas, de produção e de reprodução agora estão reunidos e organizados no Sistema de Avaliações Genéticas do Leite (Siag Leite), que se transformou em uma ferramenta de gestão do rebanho por possibilitar uma utilização bastante ampla. O lançamento do Novo Pmgz Leite, aconteceu ontem (15), no Salão Nobre da ABCZ, em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

O evento foi prestigiado por vários diretores da entidade, técnicos das centrais de sêmen, das associações promocionais, representantes da Girolando e criadores. O presidente Luiz Claudio Paranhos fez um pronunciamento de boas vindas e na sequência a Dra. Lúcia Galvão de Albuquerque, da Unesp de Jaboticabal, falou sobre a importância do controle leiteiro para a geração de avaliações genéticas consistentes e confiáveis. Ela destacou a importância da coleta criteriosa de dados zootécnicos de qualidade para a sustentação do trabalho de melhoramento genético do zebu leiteiro.

“O ideal é que tenhamos no banco de dados as medidas e os índices de qualidade do leite. O controle das lactações de primíparas já nos ajuda muito e hoje é fundamental, mas o avanço deste processo depende basicamente do fim do controle leiteiro seletivo. É muito comum o criador controlar apenas as produções das vacas que ele considera mais produtivas, talvez para atender questões de mercado e não registrar médias menores, mas essa prática gera distorções na avaliação genética. Quando só controlamos as maiores lactações nós prejudicamos a acurácia dos reprodutores e o desempenho dos touros que são pais daquelas fêmeas controladas. E mais grave é que desta forma equivocada existe a possibilidade de favorecimento de um animal de menor valor genético. Isso é como dar um tiro no pé!”, reforçou Albuquerque.

Os aspectos foram reforçados pela Dra. Lenira El Faro Zadra (Apta – Instituto de Zootecnia) que junto com a professora Lucia, é consultora especial do Novo Pmgz Leite. Ao final da palestra, junto com o público, o grupo esclareceu dúvidas, compartilhou ideias, conheciemnto e sugestões. O controle leiteiro da ABCZ começou em 1976 e tem atualmente 750 rebanhos inseridos no sistema. Em geral os selecionadores fazem as pesagens apenas de uma parcela do rebanho que é considerada de maior valor genético dentro da propriedade. Um dos objetivos do Novo Pmgz Leite é estimular o controle leiteiro em toda a população.

“Temos uma preocupação forte com o controle leiteiro seletivo. Como disse a professora Lucia, é um fator de impacto negativo na precisão das avaliações genéticas. Nossa intenção com esse pacote de informações para a gestão e seleção do rebanho somado aos novos valores de investimento, é tornar o sistema atrativo de forma que os criadores passem a controlar todo o rebanho”, diz o superintendente Técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

Além das ferramentas de seleção e gestão oferecidas pelo sistema, outro argumento para atrair os associados está na vantagem de obter descontos escalonados de acordo com o volume de animais controlados. “Hoje o criador paga R$ 84,37 por lactação encerrada de uma matriz inserida no controle leiteiro para ter acesso apenas às produções encerradas e às PTAs. No Novo Pmgz Leite os valores diminuem conforme aumenta o número de indivíduos estudados e o acesso ao programa é total.

A ABCZ vai conceder descontos de 50% para a adesão. Essas são as vantagens econômicas da redução de custos diretos, mas o reflexo será sentido mesmo lá na frente, com a melhoria efetiva da qualidade do rebanho de cada criatório e de toda a população de animais zebuínos criados para produção de leite”, explica o diretor José de Castro. Os criadores que aderirem ao programa poderão consultar as tendências genéticas de evolução do rebanho próprio e comparar com a evolução da raça em nível nacional, conduzir os acasalamentos de forma que sejam privilegiadas determinadas características desejáveis para a seleção, pesquisar todo o seu plantel de touros, vacas e animais jovens, além dos touros de acesso público. Além disso, é possível monitorar o coeficiente de endogamia e estabelecer as melhores estratégias genéticas e econômicas para o futuro do plantel.

O trabalho com os relatórios gerais de PTAs que integram dados sobre o volume e taxa de gordura do leite, persistência e pico de lactação são expostos em fichas que servem para comprovar o valor genético dos animais e promover os mesmos junto ao mercado. A inclusão de relatórios gerenciais também vai auxiliar as tomadas de decisão de forma a otimizar e potencializar investimentos dentro do projeto. O Novo Pmgz Leite já está disponível para os girleiteristas, que criam as raças Gir e Gir Mocha e para os guzeratistas que trabalham com o Guzerá de aptidão leiteira. O programa também poderá ser utilizado por selecionadores de Sindi e Indubrasil quando estes reunirem maior volume de informações sobre as raças.

O projeto foi coordenado pelo diretor José de Castro Rodrigues Neto, que lidera o comitê permanente de pecuária leiteira da entidade, e por Frederico Cunha Mendes, diretor da área técnica e científica. A execução estará sob a responsabilidade dos pesquisadores Henrique Torres Ventura e Mariana Alencar e apoio técnico de desenvolvimento do analista de sistemas, Ernani Torquato.

A nova gerente operacional é a zootecnista Bruna Hortolani e a supervisão geral é do superintendente Técnico Luiz Antonio Josahkian. “Esse programa reforça junto aos associados da ABCZ a atenção e os cuidados reais com a seleção para leite. Não somos nós que queremos o melhoramento do zebu leiteiro, é o mercado. A demanda pela genética desses animais adaptados, eficientes e que tem capacidade de viabilizar uma produção sustentável é crescente e contínua. A evolução do Pmgz Leite atende uma necessidade de conhecer o verdadeiro potencial do zebu leiteiro, hoje tão requisitado no mercado interno, tanto as raças puras, quanto os cruzamentos, como no mercado internacional”, afirma o presidente da ABCZ, Luiz Claudio Paranhos.

 


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