15/04/2013 às 00h00min - Atualizada em 15/04/2013 às 00h00min

Decisão argentina sobre aftosa pode afetar Brasil

Portal DBO

O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina expandiu a área livre de aftosa sem vacinação no País. 

A área que passa a não vacinar é conhecida como Patagônia Norte A, localizada abaixo do Rio Colorado, e compreende os municípios do norte da província de Rio Negro, Carmen de Patagones e Neuquén. A cidade mais próxima à fronteira brasileira, Neuquén, fica a 1700 km de Uruguaina, RS.

A decisão fez com que a Sociedade Rural da Argentina (SRA) divulgasse nota de alerta e lembrando que o plano técnico previa tal atitude apenas em 2015. “A pressa em suspender a barreira de acordo à medida recentemente adotada não obedece a esse procedimento e resulta em um aumento injustificável dos riscos para a pecuária”, informa a nota.

Sebastião Guedes, diretor de sanidade animal do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), vê risco ao Brasil em longo prazo. “Não tem um risco imediato ao País, mas se a aftosa for reinstalada na Argentina, ela poderá se alastrar e prejudicar Brasil, Uruguai e Paraguai”, afirmou.

Ele lembrou que o último foco iniciado no País vizinho, em 2000, após o presidente Carlos Menem ter tomado atitude semelhante de antecipação dos prazos técnicos, em 1999, disseminou a doença para Uruguai e Brasil.
Na época, Rio Grande do Sul e Santa Catarina eram classificados como risco desprezível para a febre aftosa, e no início daquele ano tinham solicitado ao governo brasileiro entrar, junto à OIE, para se tornarem como livre de febre aftosa sem vacinação.

Segundo ele, e também a SRA, a medida do Ministério da Agricultura da Argentina é política, e visa mostrar benefícios da pecuária no governo da presidente Cristina Kirchner. “É a mesma atitude do então presidente (Carlos) Menem, que adiantou uma medida sem as garantias técnicas por questões políticas”, lembrou.

 


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