11/04/2017 às 11h00min - Atualizada em 11/04/2017 às 11h00min

Recuperação da Nova Zelândia freia recuperação do preço do leite

Os preços mundiais dos lácteos estabilizarão  este ano, uma vez que a crescente produção na Nova Zelândia está “freando” a recente recuperação, disse o Rabobank.

Mas a forte demanda da China manterá o equilíbrio nos mercados, enquanto as tensões com o México ameaçam diminuir o crescimento da produção e das exportações dos EUA.

O Rabobank prevê que os preços do leite em pó na Oceania cairão para US$2.900 por tonelada de abril a junho deste ano, subindo para US$3.200 por tonelada de outubro a novembro, depois de apresentar a média de US$3.190 nos primeiros três meses do ano.

Os preços do leite em pó desnatado na Oceania permanecerão nos níveis atuais, média de US$2.000 por tonelada de outubro a dezembro.

Produção de leite da Nova Zelândia

A estabilização dos preços decorreu da recente queda nos níveis de produção.

“Chegará, no entanto, a segunda metade de 2017 antes de finalmente vermos o crescimento da produção mundial de leite e qualquer aumento no excedente para exportação”, disse Rabobank.

Na Nova Zelândia, principal exportadora do mundo, o Rabobank observou que “a confiança do produtor para esta temporada está marcadamente melhor do que na última temporada”.

A Fonterra, a principal cooperativa de lácteos do país, previu os preços para a atual temporada de 2016-17 em NZ$6/kgMS, [R$1,00/litro], um aumento de 54% em relação ao ano anterior.

Retorno forte para a Nova Zelândia

E a produção da Nova Zelândia surpreendeu positivamente.

“Apesar do fraco início de temporada, os fluxos de leite surpreenderam com uma forte recuperação: o volume está apenas 3% menor em relação ao período imediatamente anterior”, disse Rabobank, citando as boas condições do clima desde o final de 2016.

“Alimentação está abundante e acessível e a expectativa é de que os agricultores procurem compensar a produção perdida no começo da temporada, principalmente com a previsão de preços favoráveis”, disse Rabobank.

“Assim sendo, é provável que a produção da Nova Zelândia caia apenas 2% em relação à temporada passada”.

Recuperação da produção na União Europeia (UE)

As projeções para a produção na Europa também estão subindo, graças aos preços ao produtor de €33,7 por 100kg, [R$ 1,16/litro].

O Rabobank lembra que o atual preço ao produtor é o maior “desde novembro de 2014″.

“Com os preços dos insumos subindo modestamente, a maioria dos agricultores europeus voltou a ter um caixa positivo, e agora esperamos que a produção europeia aumente à medida que a nova temporada se aproxima do pico de produção”, disse Rabobank, e avalia que a produção acumulada neste primeiro semestre de 2017 caia apenas 1,0% em relação ao mesmo período de 2016.

Tensões no México

E a produção nos EUA também está diminuindo a diferença na comparação mensal, em relação à última temporada.

A indústria de laticínios dos EUA permaneceu firme nos últimos 12 meses, enquanto a maior parte do mundo enfrentava grandes desafios. Mas o atual cenário político desafia as perspectivas de exportação.

“Impulsionado por fatores políticos e econômicos, o México tem procurado diversificar as importações, o que resultou em um aumento de 10% nas exportações da UE para o México nos três meses até janeiro”, disse Rabobank.

“O risco de os EUA perderem mais participação no México e compradores do Tratado Transpacífico (TPP) pode, potencialmente, causar problemas para os produtores de leite dos EUA, criando pressão descendente sobre os preços dos produtos norte-americanos”.

“Além disso, muitos produtores de leite dos EUA dependem muito do trabalho de imigrantes”, disse Rabobank.

“As mudanças na política de imigração sugeridas pela atual administração, se executadas, criarão uma grande queda na oferta de mão de obra para os produtores de leite em todo o país”.

O Rabobank prevê um crescimento médio para os EUA ao longo de 2017 chegando a pouco mais de 1%, em comparação com 1,6% do ano passado.

A demanda chinesa cresce fortemente

O mercado deverá manter o equilíbrio pelo aumento da demanda da China, o maior mercado de importação do mundo.

“Com os dados oficiais piores do que o projetado para 2016, reduzimos a previsão de produção neste ano”, disse Rabobank. O crescimento da produção para 2017 está previsto em 1,7%.

“Com as previsões sobre produção e consumo ajustadas, projetamos crescimento de 20% na importação de equivalente de leite líquido para 2017.”

Fonte: Portal Terra Viva

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