15/01/2021 às 16h05min - Atualizada em 15/01/2021 às 16h05min

Perspectivas para o ano de 2021

Marco Antonio Cruvinel Lemos Couto e Luiza Carvalhaes de Albuquerque

Pelo menos uma vez por ano temos que tirar a bola de cristal para prever o que vai acontecer no Brasil e no mundo no que se refere a cadeia de leite e seus derivados. Mas quando sabemos da história do setor, pelo menos há 40 anos, além da história recente em que o mesmo está passando, podemos ter um norte do que pode acontecer no ano de 2021. A preocupação com a pandemia vai continuar, mas os hábitos de uma alimentação mais saudável, com certeza, vão ficar. Assim, os lácteos com funções probióticas, nutritivas e ou funcionais devem crescer, eles estarão em evidência neste ano. No campo, o preço do leite vai continuar em alta, o problema é que os insumos e concentrados também continuarão em alta. A soja e o milho não vão baixar de preço, pressionando o custo da produção do leite.

Um dos pilares na produção do leite é a alimentação, que deve ser boa e barata. Agora mais que nunca o produtor deve investir em conseguir, seja produzindo ou adquirindo, alimento barato. Plantar a própria lavoura pode ser uma saída. “Embora o dólar tenha subido muito, os preços dos fertilizantes caíram muito também em 2020. No momento atual, existe uma retomada dos valores, mas, no período de maior compra, os preços estavam bem competitivos. Este ano, tivemos a melhor relação de troca entre o fertilizante e a commodity. O preço caiu porque a produção mundial aumentou muito, a níveis acima da demanda. A alta na produção foi em todos, nitrogenados, fosfatados e potássio”, disse o 
Diretor Executivo da Ama Brasil, Carlos Eduardo Lustosa Florence. Ainda segundo Florence, “dependendo do fertilizante a queda nos preços (em dólar) chegou a 30% no caso do fosfatado, no potássio a redução foi de 20% e nos nitrogenados, caíram cerca de 10%, se comparados com um ano atrás.”

Mas é um ponto de atenção, porque importamos cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura. O governo precisa ter esta atenção e aumentar a produção dos principais componentes dos fertilizantes. Ureia por exemplo, que deveria ser usado todo dia no pastejo rotacionado, não produzimos quase nada e temos que importar tudo. Precisa também ter pelo menos um estoque regulador de soja e milho para os pecuaristas em geral. Somos um dos maiores produtores de proteína animal do planeta.

A notícia boa é que os produtores de leite entenderam que devem ser empresários do leite e precisam seguir na meta de produzir em maior escala, usando tecnologia, conforto animal, genética, e principalmente alimentação de boa qualidade, pois o leite é o que a vaca "come". Quando a indústria buscar um leite de boa qualidade, com sólidos altos, e grandes volumes em um só produtor, isto vai levar a diminuir perdas de qualidade e diminuir custo de logística, assim, a indústria pode pagar melhor este leite. Ou seja, se melhorar sua eficiência e qualidade o preço do leite se eleva.

Esse cenário do dólar tem impacto também no mercado dos grãos e boi gordo, que apresentaram retração no início de dezembro e pode favorecer o produtor quanto aos custos de ração e insumos. Por outro lado, a retração do dólar pode deixar o produto importado mais competitivo e favorecer importações. Do lado da demanda, o mercado de derivados lácteos ainda é muito incerto. A incerteza do auxílio emergencial pode impactar os lares que consumiram mais lácteos em 2020. Além disso, muito se discute em até que ponto as mudanças de hábitos dos consumidores durante a pandemia devem se manter neste chamado novo normal. Porém, deve-se levar em consideração as boas perspectivas de vacinação da população, permitindo uma reabertura nos canais de alimentação e recuperação da economia mundial.

Fica a atenção em cima dos empresários da indústria láctea. Eles precisam ajudar o produtor a tirar seu leite cada vez com mais qualidade e em quantidade. Algumas industrias entenderam isto e já fomentam a produção de seus parceiros, ajudando na compra de insumos, de linha de crédito para compra de equipamentos e tecnologia, treinamentos, além da compra de genética e conforto animal. Achamos que é este o caminho. O momento de dar as mãos, indústria e produtor, uma vez que o sucesso de um pode levar ao sucesso do outro.

Olhando para a ponta final da cadeia produtiva, a redução da demanda agregada e a perda do poder de consumo do brasileiro – devido à pandemia, a incerteza do fim do auxílio emergencial e à alta do desemprego – devem continuar desacelerando o consumo de lácteos. Esse cenário, por sua vez, tende a pressionar as indústrias a diminuírem os patamares médios anuais de preços do leite pagos aos produtores. Contudo, no encerramento de 2020, as cotações dos derivados lácteos ainda registraram médias elevadas em comparação com o mesmo período de 2019. Em dezembro/20, o preço médio do leite longa vida atingiu R$3,23/litro, 28% acima do registrado em dezembro/19, em termos reais.

CUSTOS DE PRODUÇÃO – Por mais um ano, os custos de produção devem ser um grande gargalo ao pecuarista leiteiro. Isso porque os preços do milho e do farelo de soja devem se manter altos em 2021, sustentados pelas aquecidas demandas interna e externa por esses grãos. Diante disso, o poder de compra de pecuaristas frente a esses insumos de alimentação pode cair e dificultar possíveis incrementos na produção. Vejam os gráficos elaborados por Natália Grigol do Terra Viva

Que venha 2021 para nos brindar com mais um ano de luta, de aprendizado e conquistas! E que venha a cura do Covid-19 para aliviar o coração do ser humano.

Saudações Laticinistas

Marco Antônio Cruvinel L. Couto e Luiza Carvalhaes de Albuquerque
Equipe Técnica do Site Ciência do Leite

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