31/10/2020 às 10h18min - Atualizada em 31/10/2020 às 10h18min

Importação de lácteos: o quanto realmente é ruim para o Brasil?

Milkpoint
Vamos adentrar num tema bastante controverso, pois, apesar de ser pontual, ou seja, todos os anos mais ou menos na mesma época, o leite aumenta e diminui de preço, formando assim a sazonalidade da produção e oferta de lácteos no mercado Brasileiro e mundial. Neste movimento de diminuição de oferta durante um período, os preços se elevam, criando condições tal que em certo momento é preciso importar, não só para regular o mercado de oferta, como também regular o preço do mesmo, mantendo os patamares médios de U$0,30/Lt a U$ 0,40/Lt de leite. No Brasil hoje o preço do leite é U$ 0,42 e no Uruguai U$ 0,30.

Veja no quadro abaixo que a América Latina sempre foi importador de lácteos.

O Brasil é um país com 210 milhões de pessoas e o consumo médio por habitante está em 170Litros/ano. Se considerarmos então 210 mi X 170Lts, daria 35.7 bilhões de litros ano. Mas nossa produção bateu recorde em 2019 com 34.8 bilhões de litros ano. Menos que consumimos. Sem levar em conta o desperdício da cadeia, que pode girar em uma perda de até 10% deste total, podemos afirmar sem sombra de duvidas que em algum momento vai faltar leite no mercado nacional. Se ainda assim fossemos 100% eficientes, e se conseguissimos usar todo o leite produzido no pais, ainda faltaria muito leite para nosso mercado.

Já fizemos outros textos, em anos anteriores, sobre o tema, e a conclusão que chegamos anteriormente é a mesma que chegamos hoje. Falta ainda eficiência para o produtor de leite no Brasil. Nossa ração, apesar de sermos os maiores produtores de soja e milho, ainda é muito cara. É preciso que ele tenha como ofertar alimento qualidade e volume aos animais o ano todo. Infelizmente não é uma realidade. Precisamos também aumentar a média de leite por vaca, fazendo com que, tenhamos menos vacas e mais leite. O rebanho nacional de vacas leiteiras apresenta 20,5 milhões de cabeças, mais que o dobro dos Estados Unidos, que tem média o dobro maior que a brasileira.Isto é ter eficiência.

A produtividade brasileira é bem menor. A média da produção nacional de leite está em 3,34 litros/vaca/dia.Bem abaixo do Uruguai por exemplo. Outro ponto muito importante é em relação a sanidade animal. Qualquer pretensão que tenhamos em exportação, precisamos encarar de frente esta questão que ainda é um ponto franco em nosso rebanho. Na Nova zelândia, por exemplo, ninguém tem acima de 200 mil CCS/ml. Já no Brasil nossa legislação permiti o dobro.

A solução deste problema não é mandar vaca de leite para o abate, pois assim só irá piorar a relação de oferta e procura, aumentando assim as possibilidades de importação. Porém temos boas notícias, pois, nosso rebanho está aumentando seu potencial. Tirando mais leite com menos vaca. Isto é uma tendência mundial. Hoje já temos vacas com média de 4.000kg anual de produção, padrão americano.

Em relação a sanidade animal, o Brasil tem trabalhado bastante neste ponto, porque além de ter um olho em uma possível exportação futura, temos leis internas sendo regulamentadas no sentido de corrigir possíveis falhas. Já a questão alimentação, seria talvez o requisito mais fácil de ser cumprido, uma vez somos os maiores produtores mundiais dos dois grãos mais utilizados na alimentação animal, soja e milho. Por termos que acompanhar o preço internacional, que muitas vezes está alto, inviabiliza a compra de grãos. O governo deveria criar estoque regulador para a pecuária de corte e leite.

Mas o Brasil é um país tropical, onde em grande parte do pais temos temperaturas acima de 22ºC quase o ano todo e com chuvas regulares. O produtor de alguma forma precisa produzir a sua própria ração. Seja plantando grãos ou  aproveitando o período das chuvas para formar pastagem mais barata. O fato é que seremos por muito tempo importadores de lácteos se nosso sistema de produção não aumentar em volume e qualidade. Mas isto pode mudar rapidamente se governo, produtores e industrias se unirem e encararem de frente este problema.

Somos agro e o terceiro maior produtor de leite do mundo, já sabemos o que é preciso fazer para passarmos de importador para exportador. Estamos desde 2001 falando de importação de lácteos e temos esperança que um dia nesta  mesma coluna anunciaremos que passamos de importador para um pais exportador de lácteos.

Saudações Laticinistas
Marco Antônio Cruvinel Lemos Couto
Diretor Administrativo

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