03/02/2020 às 10h56min - Atualizada em 03/02/2020 às 10h56min

Perspectivas para o setor lácteo em 2020

Sempre que abordamos o tema perspectivas, temos que colocar nossa bola de cristal em funcionamento, pois teremos que adivinhar quase 90% do que pode acontecer na cadeia leiteira. Para você ter uma ideia, se tivéssemos feito este texto no inicio de janeiro, não teríamos nada sobre o corona vírus, um problema que originou em uma província na China, mas que pode ter impacto no mundo todo, em todos os setores, inclusive o leiteiro.

No mercado interno, a expectativa fica por conta da melhoria na demanda com a retomada do crescimento econômico. Também melhora a
pós o Carnaval e com a retomada do calendário escolar. A expectativa foi pontuada durante uma reunião do Conseleite, realizada na sede da Fecoagro, em Porto Alegre, e coordenada pelo presidente Rodrigo Rizzo. ”Os preços do leite para o produtor no ano de 2019, em plena safra, estavam em um patamar alto frente aos últimos anos, portanto, 2020 partirá de uma base de preços elevada”. Ainda, conforme o Cepea, destacou-se também que o aumento dos custos de produção e o abate de vacas leiteiras, estimulado pelos elevados preços no mercado de gado de corte, prejudicaram a produção de leite no último trimestre de 2019.

Por outro lado, os custos de produção tendem a ser maiores, e a expectativa é de alta para os alimentos concentrados em 2020, em relação a 2019, com destaque para o milho, em decorrência da menor oferta, e da perspectiva de crescimento no consumo. Lembrando que o preço do grão já está em patamar superior ao de 2018.

O dólar em alta (estimativa de R$4,37) pode diminuir as importações de leite em pó em 2020, um ponto positivo para a cadeia leiteira. No entanto, estimula o envio de produtos ao exterior (milho e farelo de soja) pesando nos custos de produção.
Segundo o professor da UPF, Marco Antônio Montoya, a projeção para o ano é de dólar alto e isso deve favorecer a produção de leite em pó. “Esse produto deve agir como variável de estabilização de preços do mercado lácteo em 2020”, indicou.

Durante a reunião, o presidente do Conseleite conclamou que os pequenos laticínios também participem do levantamento que embasa a produção das estatísticas do Conseleite. O pedido foi feito diretamente ao novo presidente da Apil, Delcio Roque Giacomini, que ficou de levar o pleito a seus associados.  
 

Certo momento apostamos na possibilidade do aumento das exportações de leite em pó e queijos, para a China, após a habilitação de 24 laticínios, fato que poderá ajudar na sustentação dos preços no mercado interno. Porém, o surto do Coronavírus está fazendo com que a população chinesa tenha pouca ou quase nenhuma mobilidade, diminuindo drasticamente o consumo interno. O consumo de queijo na China é fortemente inclinado para os canais de food service.O fechamento de lojas de varejo, a diminuição do tráfego de pedestres nas redes varejistas de supermercados (parcialmente compensado pelos varejistas on-line) teve um efeito material nas vendas no varejo durante o feriado do Ano Novo Chinês. Como resultado, os estoques de varejo, que estavam bem antes do Ano Novo Chinês, continuam a aumentar.

Provavelmente o valor do leite vai baixar, puxando também os preços mundiais. Relatórios de notícias e verificações cruzadas com contatos do setor sugerem que a pulverização a seco de leite cru foi iniciada em várias regiões da China, e a utilização da capacidade de secagem tem sido bastante alta mesmo antes do novo fluxo de leite entrar em operação, devido à demanda final do varejo reduzida e distribuição interrompida. Dado o grande impacto no serviço de alimentação, os efeitos indiretos podem levar os exportadores desse segmento a transferir parte da produção de queijo, manteiga e creme para leites em pó desnatado ou integral ao longo do tempo, resultando em mais leite em pó no mercado global, especialmente se a China entrar no modo destocking. E a China que era possível importador de lácteos, pode vir a ter que exportar sua produção. 

Apesar de todas estas variáveis acontecendo ao mesmo tempo a única coisa que podemos afirmar é que o brasileiro a cada dia aprende a consumir mais e melhores queijos. As leis para o setor de lácteos do país continuam evoluindo, com leis especificas para queijos artesanais, para agroindústrias, para industrias já consolidadas e também abertura de consórcios de cidade que podem alavancar a produção primaria de queijarias localizadas. O brasileiro está amadurecendo quando falamos em leite e seus derivados.

Por um lado temos a expectativa de preços melhores para os lácteos ao longo do ano de 2020, temos também o custo de alimentação aumentando a uma taxa maior que a do leite in natura. Além disto, temos mais este acontecimento do coronavírus colocando em cena mais uma incógnita ao mercado, já instável. Isto porque só estamos saindo do segundo mês do ano. Imaginem quantas emoções ainda estão por vir ao longo do ano de 2020.

O mercado de lácteos mais parece com uma montanha russa, sendo que uma hora estamos lá em cima, e já no próximo segundo estamos em queda livre, dando a sensação que o nosso estomago vai sair pela boca. Definitivamente a cadeia do leite é para quem tem nervos de aço!

Saudações Laticinistas
Marco Antônio C. Lemos Couto
Diretor Administrativo

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