28/11/2019 às 08h52min - Atualizada em 28/11/2019 às 08h52min

Sumiu a carne, será que vai sumir o leite?

O Brasil do leite está em constante transformação e este ano não seria diferente. Uma combinação entre o abate de matrizes a partir de 2016, no início da crise no Brasil, e explosão de vendas agora para a China fez com que a carne faltasse no mercado brasileiro. E o que isto tem a ver com o leite?

Em 2016, no início da crise no Brasil politico-financeira, vários produtores de gado de corte diminuíram seu plantel, principalmente descartando suas matrizes. Após 3 anos agora está refletindo no mercado, com a falta de gado para engorda. Ao mesmo tempo a China resolveu comprar muita carne brasileira, fazendo com que aumente o problema da falta de carne bovina no mercado nacional.

Este problema pode influir diretamente na produção de leite, uma vez que há uma tendência de alguns produtores direcionar vacas de leite para o abate. Provavelmente irão abater vacas com pouca produção, vacas velhas e aquelas vacas que tem dupla aptidão, carne e leite. Alguns ainda estão falando que estão também abatendo vacas produtivas. A princípio parece um movimento inofensivo, mas que pode a curto prazo diminuir a produção de leite, refletindo negativamente no mercado do leite.

Claro que é bom não sobrar muito leite no mercado, mas faltar demais, eleva em demasia o preço interno do leite, criando um quadro propicio para mais importação. Lembrando que os EUA estão também vendendo muita carne pra China. Outro fornecedor antigo do Brasil, que é o Uruguai, também está aproveitando esta alta da carne e vai seguindo pelo mesmo caminho. Em um mundo cada vez mais globalizado os acontecimentos tendem a ser mais rápidos, como este que acontece com a carne que em junho de 2019, milhões de suínos foram abatidos por causa da gripe, e em 4 meses quase acaba a carne do mundo. Para ter um boi gordo no ponto de abate precisamos de um ciclo mínimo de 3 anos.

Isso tudo só nos mostra o quanto o setor de leite e derivados está necessitando cada vez mais de profissionalismo e competitividade, e vejam que está cheio de oportunidades. Em uma tragédia destas há quem possa sair por cima. Me parece que o momento agora é de segurar o melhor gado leiteiro, sejam novilhas ou bezerras para o futuro próximo, pois há de faltar.

O Site Ciência do Leite está acompanhando este setor de lácteos há 20 anos e cada ano ele se surpreende com novos acontecimentos. Nosso setor está em constante evolução em uma grande montanha russa, onde as vezes você esta na subida e as vezes está em queda livre.

Saudações Laticinistas!

Marco Antônio Cruvinel Lemos Couto
Diretor Técnico-Administrativo
 
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