29/08/2016 às 14h13min - Atualizada em 29/08/2016 às 14h13min

Preço ao produtor atinge novo recorde e cenário indica mudança na tendência

O valor médio bruto pago ao produtor (que inclui frete e impostos) atingiu R$ 1,6928/litro em agosto, novo recorde, em termos reais, considerando-se toda a série histórica do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em janeiro de 2000. Essa média de agosto, ponderada pelo volume captado nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA, superou em quase 13% o valor até então recorde de julho/16 e esteve 54,4% acima do de agosto/15, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de julho/16).

Pesquisadores do Cepea alertam que essa tendência, no entanto, pode ser alterada no próximo mês, já que os estoques nas indústrias e a captação de leite vêm aumentando. O volume adquirido pelos laticínios cresceu 5,03% em julho – no acumulado deste ano, porém, a variação ainda é negativa, em 14,5%.

Apesar de ser período de entressafra, indústrias de grande porte têm aumentado a captação leiteira frente às pequenas empresas, por conta da maior capacidade de remuneração aos produtores. No campo, a produção deve crescer nas próximas semanas, devido ao possível retorno das chuvas e também ao fato de muitos produtores estarem em época de parição de vacas. Neste caso, pecuaristas mais tecnificados concentram o nascimento dos bezerros em momentos que antecedem o início das chuvas.

Além disso, as altas nos preços ao produtor no correr deste ano e a recente queda nos valores do milho e do farelo de soja, componentes do concentrado, também incentivaram maiores investimentos dentro da porteira, o que já vem resultando em aumento na produção de leite.

Por outro lado, a demanda por derivados lácteos está retraída. A perda do poder de compra de consumidores na atual conjuntura econômica do País e o elevado patamar de preço dos derivados afastaram consumidores. Nesse cenário, indústrias relatam que teriam chegado ao limite do repasse de preços da matéria-prima ao derivado para o consumidor final.

Para setembro, 54,5% dos representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea, que representam 70,5% da amostra, têm expectativa de queda nos preços. Entre os entrevistados, 32,7% acreditam em estabilidade nos preços do leite em setembro e somente 12,7% esperam alta.

DERIVADOS – Depois de seis meses de alta consecutiva, os preços dos derivados lácteos caíram em agosto. O leite UHT teve média de R$ 3,4256/litro no mês, queda de 14,4% em relação a julho/16, mas ainda acumula alta de 47% neste ano, em termos reais. O queijo muçarela teve média de R$ 21,20/kg em agosto, recuo de 1,27% frente ao mês anterior, porém, aumento de 48,54% neste ano.

Com a demanda enfraquecida e estoques nas indústrias, atacadistas consultados pelo Cepea acreditam em novas quedas nos preços dos derivados, cenário que pode refletir nos valores pagos aos produtores. Essa pesquisa sobre o segmento de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas do estado de São Paulo e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Para os meses seguintes como está previsto, teremos um aumento da produção de leite, uma possível baixa na demanda, e a ilusão de alta nos valores do leite que foi gerada ao produtor, são fatores que irão com certeza contribuir com o aumento da dificuldade que o produtor de leite terá daqui para frente. Muitos produtores se programaram para um aumento de produção, uma vez que o leite bate recorde de preço, porém, algumas grandes empresas já avisaram que irão diminuir agora já em setembro em R$ 0,20 por litro de leite recebido.
Uma queda brusca de 15% no valor em um (1) só mês. Imagine o que virá nos próximos meses.

Mais uma vez reforçamos a idéia de que o produtor de leite deve trabalhar mais que nunca como um empresário do leite, focando em genética, na tecnificação e principalmente na produção de alimento para o gado, que é o elemento que mais pressiona o custo final do leite.

De outro lado está a média e pequena indústria de laticínios, que também está sujeita a toda esta turbulência, com o baixo consumo, aumento de custos, além de ter que investir em equipamentos e estruturas para produção, que na sua maioria são de alto investimento. atéria retirada do Site CEPEA/ESALQ com adaptações do Site Ciência do Leite.

O Site Ciência do Leite continua antenado nas mudanças contínuas que acometem o nosso setor e de alguma forma instrui e informa acerca dos acontecimentos do segmento lácteo.

Tabela 1. Preços pagos pelos laticínios (brutos) e recebidos pelos produtores (líquido) em AGOSTO/16 referentes ao leite entregue em JULHO/16
 
 
Saudações Laticinistas
Equipe Técnica Site Ciência do Leite 
Agosto de 2016

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