05/02/2016 às 09h07min - Atualizada em 05/02/2016 às 09h07min

Se o iogurte é grego, por que é tão diferente do que é vendido na Grécia?

Veja Abril

Na fabricação do iogurte grego tradicional, o leite fermentado é obtido pela remoção parcial do soro, de forma artesanal, com um saco de pano. Como boa parte do soro vai embora, o produto final ganha uma consistência firme, com mais proteína e gordura.

 

Para ter uma consistência mais firme, empresas colocam ingredientes (nem tão saudáveis) nos potes

Na indústria, o iogurte grego é obtido por processos físicos que usam membranas e centrífugas. Como esses aparelhos são caros, muitas companhias brasileiras optaram por adicionar proteínas e espessantes para obter mais densidade com menor custo. O nome desses ingredientes está estampado nos rótulos: concentrado proteico de leite, proteína concentrada do soro de leite, leite em pó, amido modificado, goma xantana, goma guar e até gelatina.

“Por causa dessas adições, os iogurtes gregos vendidos no Brasil têm diversas composições. Alguns têm até mais gordura que o tradicional e são muito calóricos“, diz a pesquisadora Darlila Gallina, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas, interior de São Paulo. “É importante ficar de olho nos rótulos”. O teor de gordura pode variar de zero a 7,5%. O de proteínas vai de 3,6% (igual ao do iogurte tradicional) a 7%.

O tal iogurte grego alcançou fama mundial porque começou a ser vendido nos Estados Unidos por uma empresa da Grécia, a Fage, nos anos 1990. Sua origem está na região dos Bálcãs, que vai da Bulgária até a Turquia, mas ninguém fala em iogurte búlgaro ou iogurte turco. A palavra “grego” na embalagem, sem dúvida, é a que ajuda a vender mais. Muitos consumidores a associam com a dieta mediterrânea, de baixo colesterol, e com hábitos saudáveis.

http://veja.abril.com.br/blog/duvidas-universais/se-o-iogurte-e-grego-nao-deveria-ter-uma-composicao-igual-ao-da-grecia/

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »