06/11/2015 às 08h46min - Atualizada em 06/11/2015 às 08h46min

Produtos sem lactose e glúten ganham espaço

A procura por alimentos sem glúten e sem lactose já não se restringe a pessoas com intolerância. Esses produtos ganharam status de alimentos saudáveis e de bons companheiros na perda de peso.

Revista SM
nutricaoesaudeblog.wordpress.com

O consumo de produtos sem glúten e sem lactose está em forte alta. Alguns fabricantes têm registrado aumento de até 50% em suas linhas. Entre os supermercados, o mix e o espaço destinado a eles vêm sendo ampliados continuamente. O motivo é que, hoje, esses alimentos e bebidas não são consumidos apenas por quem tem intolerância, mas também por pessoas que procuram uma alimentação mais saudável ou que estão de regime. Para Charles Rozenbaum, gestor comercial da rede alagoana Palato, esse segmento é uma forte tendência de mercado. “Estamos diante de uma mudança de comportamento que veio para ficar. Acreditamos que a nova geração vai envelhecer de forma mais saudável do que a atual”, avalia o executivo do Palato. Outro incentivo para os supermercados investirem em alimentos e bebidas sem glúten ou lactose é que eles custam normalmente de 30% a 40% mais do que suas versões comuns. A margem líquida gira em torno de 30%, contra 5% a 10% das commodities, como o feijão. Mas esse percentual pode variar conforme o objetivo da rede. Se esses produtos estiverem em alta na loja e forem importantes para o cliente a ponto de ele ir procurá- lo na concorrência caso não encontrem, é possível, por exemplo, elevar a rentabilidade com aumento do volume. Para isso, diz Ângela Ma, diretora da GoodSoy, uma estratégia é ampliar a exposição desses itens na gôndola, incentivando a compra sem adotar margens muito diferenciadas das de outros produtos. Ela recomenda ainda a criação de “Espaços de Bem Estar”, que agrupem categorias relacionadas à saúde, com boa comunicação visual.

A Casa Santa Luzia, loja independente da capital paulista, trabalha assim desde 2004. Lá, produtos sem glúten e isentos de lactose ficam agrupados com outros de apelo à saúde no mezanino do supermercado. A seção de alimentos saudáveis começou com cerca de 200 itens no total. Hoje, o mix se multiplicou em todos os segmentos. São disponibilizados 450 itens sem glúten e 300 sem lactose, além de 840 orgânicos e integrais e 1.500 na seção diet e light. “O objetivo é oferecer um serviço diferenciado aos clientes que buscam alimentação saudável. Estamos sempre atentos ao desenvolvimento de novos produtos”, afirma Ana Maria Lopes, diretora da Casa Santa Luzia. Quanto ao consumo específico de alimentos e bebidas isentos de glúten ou lactose, os mais vendidos na loja são os leites e seus substitutos – como as bebidas de soja, de amêndoas e de arroz –, além de biscoitos, pães e massas.

Também ajuda a elevar as vendas a Semana da Alimentação sem Glúten, realizada pela Casa Santa Luzia em maio, mês do Dia Internacional do Celíaco. No período, são realizadas degustações, ofertas, exposição diferenciada e palestras sobre o tema. “Registramos cerca de 40% de aumento nas vendas de uma marca de granola oferecida com desconto de 10%”, exemplifica Ana Maria.

Também no Hippo, duas lojas em Santa Catarina, os produtos isentos de lactose mais vendidos são leites e iogurtes, enquanto os sem glúten com maior saída são pães e massas. Mas o diferencial da rede nesses segmentos são os alimentos de fabricação própria. “Criamos uma cozinha especial para o preparo desses alimentos, separada da tradicional, pois eles não podem ter contato com outros produtos para evitar contaminação”, explica Tatiane Pereira, assessora de marketing. São fabricados 58 produtos sem glúten, divididos em 16 tipos de pães, 8 de biscoitos, 13 de bolos, 11 de salgados, 8 doces e 2 de torradas. Já os alimentos sem lactose somam mais de 100 versões. Uma parte é produzida sob encomenda.

Quem também acredita no potencial do segmento é a rede Emporium São Paulo, que pretende aumentar o sortimento gradativamente. “Em nosso supermercado são os consumidores que ditam as regras. Quando um grupo pede uma certa linha, é obrigação nossa ir atrás e oferecer aos nossos consumidores”, afirma Marcos Maluf, diretor da rede. A empresa avalia também a possibilidade da criar um setor exclusivo na loja para esse nicho. O aumento do consumo tem incentivado investimentos da indústria. A Piracanjuba trabalha com leite longa vida e bebida láctea de chocolate, ambos zero de lactose, e já projeta lançamentos. Segundo Lisiane Guimarães, gerente de marketing, é importante garantir que o espaço destinado seja condizente com o giro. O mesmo alerta é feito pela GoodSoy, que conta com 28 itens isentos. Segundo a diretora Ângela Ma, só na linha de brownies e snacks o aumento de vendas foi de 50% em 2013. Para 2015, também virão novidades. Outra empresa que pontua dificuldades com o espaço é a Forno de Minas – o pão de queijo normalmente já não leva glúten. “Minimizamos isso com uma estrutura de reposição e negociação de espaço de acordo com a importância da categoria nos congelados”, conta Vicente Camiloti, diretor industrial. O apoio ao varejista inclui ainda a presença de promotores.

Avalie o giro na sua loja para saber se é hora de ampliar o mix. E caso ainda não trabalhe com esses itens, analise se seu consumidor gostaria de encontrá-los.

Sem lactose os mais vendidos

• Leite;

• Queijo;

• Iogurte.

 

Sem glúten os mais vendidos

• Massas;

• Pães;

• Biscoitos.

 

O que algumas redes estão fazendo


 Semana da Alimentação sem Glúten com palestras, ofertas e exposição destacada;

• Degustações e promoções;

• Ouvir o cliente para melhorar o sortimento;

 Testar novos fornecedores e novas linhas;

• Investir em produção própria de pratos e doces prontos.


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