31/01/2015 às 18h06min - Atualizada em 31/01/2015 às 18h06min

Importância das boas práticas na fazenda para o comércio mundial de lácteos

A conscientização sobre a importância da segurança e da qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores no mundo todo levou à criação de sistemas de certificação e ao estabelecimento de requisitos mínimos para a produção, processamento, transporte, distribuição, manuseio e conservação de produtos alimentícios (in natura ou processados). No Brasil, os importadores (inicialmente de pescadores e carnes) passaram a exigir de seus fornecedores que o Sistema APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) fosse implantado em seus processos. A extensão dessas exigências para outros setores da cadeia alimentar foi uma conseqüência natural.

No Brasil, o SENAI-DN (Departamento Nacional) deu início à execução do Projeto APPCC, em 2002, surgiu o PAS (Programa Alimentos seguros). O objetivo desse programa é preparar o País para a produção e comercialização de alimentos seguros, atuando em todas as fases do processo produtivo, ou seja, do campo à mesa do consumidor.

Em 2005, em uma parceria com a Embrapa (responsável técnica do PAS Campo), a DPA treinou 75 técnicos (incluindo sua equipe) para implantação do seu Projeto de Boas Práticas na Fazenda (BPF) em propriedades leiteiras. Este projeto utiliza como ferramentas o APPCC e a metodologia do PAS-Campo e tem como base os projetos de BPF desenvolvidos em outros mercados, como França, Austrália e Nova Zelândia. O projeto consiste em levar às propriedades rurais informações sobre procedimentos que, uma vez implantados, possam melhorar a segurança no processo de produção e, conseqüentemente, a qualidade dos produtos lácteos, assim como garantir a sustentabilidade da atividade.

Melhor gerenciamento

As boas práticas trazem vantagens para os produtores. A que considero mais importante é que, ao implanta-las, o produtor estará adotando um programa que otimiza todos os seus processos produtivos. O programa prevê uma série de controles, registros e procedimentos. Outro aspecto é que, com as BPF implantadas, o produtor consegue detectar erros de gestão, conserta-los e, graças a isso, garantir sua continuidade na atividade, ou sua expansão. Não considero que as BPF trarão, necessariamente, um aumento de renda. Mas, com certeza, podem ajudar a melhorar a produtividade. Melhorando o controle, o produtor acabará economizando mais. Há, ainda, a questão da rastreabilidade. Com as BPF, o produtor terá condições de garantir que dentro da propriedade tudo foi eito de acordo com os padrões definidos pela legislação e pelos mercados.

Exigências iguais

É bom considerar que existe uma regra tácita entre países importadores e exportadores. O país importador não pode fazer exigências para o exportador, se essas exigências não valerem para os produtores do próprio país. Por isso, é importante que a qualidade dos produtos brasileiros aumente. Se não elevarmos esse patamar internamente, dificilmente a importação de produtos de baixa qualidade poderá ser barrada. 

Enfim, pelo lado do produtor agrícola, a implantação das boas práticas agropecuárias passa a ser um requisito para a sua continuidade na atividade produtiva e garantia de acesso a outros mercados, já que essas exigências passarão a pressionar também os governos no sentido de estabelecer normas e padrões de produção com foco em segurança e qualidade.


Autor: Raul Osório Rosinha

Referências bibliográficas: 

Raul Osório Rosinha
Pesquisador da Embrapa Transferência e Difusão de Tecnologia.


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