30/07/2014 às 13h41min - Atualizada em 30/07/2014 às 13h41min

EUA aprova primeiro medicamento feito com leite de cabras geneticamente alterado

A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, equivalente americano da ANVISA brasileira, tomou uma decisão histórica ao autorizar a comercialização do primeiro medicamento feito a partir de substância de animais geneticamente modificados, abrindo espaço para uma nova classe de terapias médicas.

O medicamento se chama Atryn, e é feito do leite de cabra cientificamente alterado para produzir antitrombina extra, uma proteína que age como um afinador natural do sangue. A GTC Biotherapeutics, fabricante do medicamento, informou que o FDA, ao autorizar a venda do medicamento, deu um impulso significativo para o desenvolvimento de novos tipos de remédios feitos a partir de organismos vivos alterados. Drogas similares podem estar disponíveis nos próximos anos para uma série de doenças humanas, além de alimentos que poderão ser desenvolvidos para conter substâncias benéficas à saúde humana.

A FDA esclareceu que o Atryn serve para tratar pacientes com uma doença hereditária rara que as torna vulneráveis a coágulos sanguíneos. O tratamento injetável será comercializado nos Estados Unidos pela Ovation Pharmaceuticals.

Estima-se que 1 de cada 5.000 pessoas não produz antitrombina suficiente , de acordo com a GTC Biotherapeutics. Como resultado, seu sangue tem mais probabilidade de formar coágulos que podem ir para os pulmões ou para o cérebro, causando a morte. Mulheres grávidas com essa doença têm mais chances de perder o bebê, por causa de problemas na placenta. 

Pacientes com essa deficiência normalmente tomam afinadores de sangue convencionais. Isso não vai mudar com a nova aprovação. O Atryn só foi aprovado para o uso em pacientes que vão passar por cirurgias ou mulheres grávidas, ocasiões em que o risco de coágulos é praticamente alto. Esses pacientes receberiam a droga por via intravenosa por um tempo limitado, antes e depois dos procedimentos. 

Para fazer o medicamento os cientistas da GTC colocaram DNA para a proteína humana em embriões de cabra. Eles foram então colocados nos úteros de mães de aluguel que deram a luz a cabras que produzem leite com antitrombina extra.

Após a ordenha do leite com o componente desejado, uma série de processos se encarrega de extrair o princípio ativo que gerará o medicamento. Uma vez plenamente desenvolvida, a tecnologia permitirá não apenas um salto qualitativo na medicina, mas na própria pecuária, que poderá agregar muito valor aos animais que possuírem genes que colaborem para a melhoria da saúde humana. 

Estudos sobre modificações genéticas em cabras, objetivando tornar seu leite um agente de substâncias benéficas já ocorrem em diversos locais, inclusive no Brasil, onde pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE) estão criando cabras transgênicas, que produzam em seu leite, cópias de uma proteína humana usadas por pacientes com sistema imunológico debilitado.

Ainda haverá um longo tempo para o desenvolvimento de raças híbridas em quantidade significativa, mas a perspectiva deste tipo de criação anima pesquisadores e criadores que poderão manter projetos de produção específicos para esta área. 




Autor: Jornal Cabras e Ovelhas

Referências bibliográficas: 

Corpo Editorial da Revista Cabras & OvelhasC&G Comunicação e Marketiging


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