19/05/2014 às 12h50min - Atualizada em 19/05/2014 às 12h50min

A Importância do Leite nas fases da Vida do Ser Humano - Parte II

4.1 Crianças até 6 meses idade  

 

Até os 6 meses o alimento ideal é o leite materno. Não se aconselha o leite de vaca, pois este possui composição muito distinta em relação ao leite humano com falta de nutrientes essenciais ao lactente e quantidades elevadas de sais, alguns minerais e proteínas. Além disso, é destituído de ingredientes presentes no leite materno, como os anticorpos, que previnem doenças alérgicas e infecciosas. 

 

O excesso de sódio, cloro, cálcio e caseína significam uma sobrecarga para os rins, e o desenvolvimento neurológico, motor e visual é um pouco comprometido, pela falta de gorduras essenciais para a mielinização do sistema nervoso. 

 

Por esses motivos não se deve deixar o aleitamento materno para os recém natos.  

 

4.2 Crianças acima de 6 meses até 6 anos de idade  

 

Após os seis primeiros meses de vida, o leite materno não supre mais todas as necessidades da criança. Por isso, ao completar essa idade, o bebê deve começar a receber outros alimentos, além do leite materno, tais como, papinhas, sucos e também preparações com o leite de vaca. 

 

O leite de vaca é fonte de nutrientes essenciais para o crescimento, entre eles o cálcio. É importante lembrar que no segundo semestre de vida, a criança precisa de 270mg de cálcio por dia – quantidade que se encontra em um copo de leite de vaca integral. 

 

Entre 1 e 3 anos, a quantidade diária de cálcio deve ser de 500mg (entre 2 e 3 copos de leite integral). Dos 4 aos 6 anos, a criança necessita de 800mg de cálcio por dia (entre 3 e 4 copos de leite integral). 

 

Os mais indicados para esta fase são o leite integral, o leite enriquecido com ferro e o leite com adição de vitaminas. Isto se deve ao fato do leite ser a melhor fonte de cálcio, elemento essencial para a formação dos ossos e dentes. Além disso, a gordura encontrada no leite integral é boa fonte de vitaminas A (importante para o crescimento e desenvolvimento da criança, melhora a resistência a doenças infecciosas) e vitamina D (regula absorção do cálcio). E no leite temos também o ferro é um nutriente importante em muitas funções no organismo, principalmente na formação dos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam o oxigênio para as células do corpo. Tem também importante papel na manutenção do sistema imunológico, na composição da pele, entre outros.  

 

4.3 Crianças em fase escolar  

 

Quando a criança inicia o período de educação este promove profundas influências nas suas vidas. A criança quando chega à escola, está alerta, disposta a se desenvolver física e mentalmente. A alimentação atua diferentemente no crescimento e desenvolvimento, desde o modo de agir até a energia despendida no trabalho A nutrição inadequada é um obstáculo à aprendizagem. A criança má nutrida não pode participar das atividades escolares como deveria se estivesse bem alimentada. 

 

A capacidade intelectual é, portanto, proporcional a uma boa alimentação, a uma boa nutrição. Para evitar esse quadro de desnutrição, o organismo humano necessita receber através da alimentação 40 a 45 elementos muitos importantes, que são necessários em forma balanceada. Na criança, quando há falta de nutrientes, todas as suas funções são prejudicadas, o que resulta na vida adulta um indivíduo menos produtivo e incapacitado para determinadas atividades. 

 

 Os nutrientes mais eficientes e que aumentam a capacidade intelectual são: sais minerais, vitaminas do complexo B, proteínas completas de origem animal (carne, ovos, leite, queijo) e água. 

 

A fase escolar inicia-se no final do sexto ano de vida e termina quando a criança entra na puberdade. Para suprir suas necessidades de cálcio, a criança em idade escolar deverá tomar diariamente de 3 a 4 copos de leite ou de seu equivalente, como iogurte e bebidas lácteas, entre outros produtos. 

 

O leite e os produtos lácteos estão repletos de nutrientes que ajudam o teu corpo a manter-se saudável de muitas formas diferentes. Alguns desses nutrientes são: Cálcio, Proteínas, Vitaminas D, A e B12  De modo geral, crianças em idade escolar devem receber o leite integral, podendo ser indicado pelo nutricionista ou médico o leite semidesnatado ou o leite desnatado, se julgar que isso é melhor para sua saúde, considerando, por exemplo, o registro, na família, de casos obesidade ou de doenças cardiovasculares. 

 

Por aceitar uma maior diversificação na dieta é aconselhável variar com iogurtes, leites achocolatados, leites aromatizados, leites com cereais ou batidos com frutas, podendo assim evitar a monotonia e uma possível rejeição ao leite. 

 

 

 

4.4 Adolescentes 

 

 

 

Na adolescência, há um período de crescimento muito rápido. Por essa razão, as necessidades de cálcio para os jovens são maiores, chegando a 1.300mg por dia. Nessa fase, para suprir suas necessidades de cálcio, o ideal é que o jovem beba diariamente de 4 a 5 copos de leite, ou seu equivalente. 

 

Eles precisam de uma boa alimentação, pois crescer implica maior gasto de energia. O melhor leite para essa fase é o semidesnatado, que tem um pouco menos de gordura, nutriente que se ingerido em excesso, causa obesidade e aumenta o risco de doenças. Se o adolescente tem necessidade de controlar o peso, deve-se optar pelo leite desnatado. É aconselhável procurar opções para garantir a ingestão mínima recomendada, variar adicionando cereais e frutas, ou consumir também iogurtes e queijos e colocar leite no preparo de pratos servidos no almoço e jantar.  

 

4.5 Adultos  

 

Muitas pessoas vêem o leite como uma bebida para crianças, mas esta bebida rica em nutrientes também possui vários benefícios para a saúde dos adultos. À medida que envelhecemos, os nossos corpos enfrentam novos desafios em termos de saúde e o consumo de produtos lácteos pode ajudar a garantir que os nossos corpos possam responder a esses desafios da melhor maneira.  

 

O início da idade adulta é uma etapa importante para a formação da massa óssea – processo que chega a seu ponto máximo entre os 25 e os 30 anos. Depois dos 35 anos, os adultos começam na verdade a perder estrutura óssea em vez de ganhar e nas mulheres a perda de estrutura óssea decorre ainda mais depressa após a menopausa. Tal pode resultar numa doença chamada osteoporose, em que os ossos são demasiado 

 

fracos para suportar este tipo de perda. Muitas vezes sucede que não existem sintomas, mas os ossos frágeis correm riscos elevados de fracturarem ou partirem - por exemplo, quando um idoso cai. O mesmo nutriente que ajuda as crianças a crescer durante a infância é o que mantém os nossos ossos fortes enquanto adultos. A manutenção de uma dieta rica em cálcio ajuda a minimizar a perda da densidade mineral óssea, a causa principal de enfraquecimento dos ossos. 

Uma das formas mais fáceis de o fazer é consumindo leite e produtos lácteos regularmente, os quais possuem uma elevada percentagem do cálcio necessário. É importante lembrar que a prevenção da osteoporose, por meio do fortalecimento da massa óssea, deve ser iniciada ainda na adolescência e prosseguir na vida adulta. Desde jovem, é preciso compor uma "poupança" de massa óssea, garantindo que ossos sejam suficientemente resistentes ao longo de toda a vida. 

 

Estudos cientificos demonstram que as pessoas que mantêm uma dieta equilibrada que inclua produtos lácteos magros também podem reduzir o risco de determinados tipos de câncer. Um estudo de homens suecos revelou que "os homens que bebiam 1,5 copos de leite por dia ou mais tinham um risco menor em 33% de câncer do colo retal do que os que tinham baixo consumo de leite. O estudo indicava ainda que o cálcio e outros componentes do leite agiam como potenciais componentes protetores. Outro estudo descobriu que as mulheres norueguesas que haviam bebido leite enquanto crianças e continuavam o hábito enquanto adultas tinham um risco muito inferior de desenvolverem câncer da mama do que as que não o tinham feito. Estes estudos reforçam a importância do desenvolvimento de bons hábitos alimentares, como o consumo regular de produtos lácteos, numa idade jovem e da manutenção dos mesmos ao longo dos anos.  

 

Muitas pessoas parecem pensar que os produtos lácteos contêm muita gordura e descartam-os frequentemente da sua dieta quando tentam perder peso. No entanto, é possível encontrar leite e derivados lácteos com baixas percentagens de gordura na maioria dos locais, portanto pode escolher o tipo de produto que melhor se adequa às suas necessidades nutricionais. Enquanto que as crianças podem beneficiar ao beberem leite natural, os adultos que estejam a tentar minimizar o consumo de gorduras podem beber leite magro ou comer iogurtes magros que contêm regra geral menos de 2% de gordura. Além disso, estudos já comprovaram que o cálcio e outros nutrientes presentes no leite, como as proteínas do soro de leite e o ácido linoleico conjugado, podem efetivamente ajudar as pessoas a perder peso. 

 

Para que os ossos preservem sua boa estrutura, é preciso continuar fornecendo ao organismo doses adequadas de cálcio. Para uma pessoa adulta, até os 50 anos, é recomendado o consumo diário de 4 copos de leite, ou o seu equivalente. 

 

Como sugestão vale consumir leite enriquecido com cálcio e incluir iogurtes desnatados ou queijos com menos gordura na alimentação diária.  

 

4.6 Na Gravidez  

 

Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por várias transformações que requerem cuidados especiais, principalmente com a alimentação, pois neste período há necessidade de aumento de nutrientes pela ingesta, e o leite de vaca contribui de forma significativa como fonte destes nutrientes. Ingerir leite significa absorver uma grande quantidade de cálcio pelo nosso organismo, e este tem como uma das suas funções, participar ativamente nas mudanças hormonais que ocorrem durante a gestação. 

 

O leite se torna ainda mais importante pelo fato de conter grandes quantidades de nutrientes como os sais minerais e as vitaminas. Por estes nutrientes agirem como enzimas ou coenzimas têm importante papel na regulação hormonal. 

Na gestante o cálcio desempenha um papel fundamental participando da coagulação sangüínea, na regulação hormonal, no  metabolismo energético e protéico, é um constituinte do cimento intracelular e exerce papel vital na contração e relaxamento muscular. Na gravidez ocorre um aumento do volume sangüíneo de 40 a 50%, por este motivo deve-se incentivar a mãe a ingerir maior quantidade de líquidos também colaborando com a manutenção do líquido amniótico e início da produção do leite materno. 

 

Quanto ao consumo diário de leite pela gestante são recomendados cerca 4 copos de leite integral, o que corresponde 1200mg de cálcio, sendo que uma pessoa adulta entre 25 e 50 anos necessita de 400 a 800mg por dia do nutriente. É recomendado que durante a gravidez a gestante consuma apenas o leite do tipo integral pois as principais vitaminas, denominadas vitaminas lipossolúveis conhecidas como A,E, D, K, estão concentradas em maior quantidade na gordura do leite. 

 

Além disso, no 2° e 3° trimestre há uma necessidade de um aporte calórico maior em torno de 300Kcal/dia, o que corresponde em torno de 2 copos e meio a mais de leite integral por dia. 

 

Também na gravidez, o crescimento do tecido fetal e materno, bem como a formação de reservas maternas para o trabalho de parto e lactação, requerem um aporte protéico maior, um adicional de 10 a 16g de proteína por dia seria o necessário. Para comparativo, um copo de leite de 200mL fornece aproximadamente 7g de proteína de alto valor biológico. 

 

A ingestão de leite pela mãe é importante também para o futuro bebê. O cálcio, absorvido pelo feto, ajuda na formação dos brotos dentários, a partir da 14° semana de vida intra-uterina, e também no esqueleto ósseo, obtendo no seu nascimento um acúmulo de 25 a 30g do nutriente. 

 

De todo o cálcio ingerido por uma pessoa, o seu índice de absorção pelo organismo gira em torno de 20 a 40%, dependendo da biodisponibilidade de cada pessoa. Se entende por biodisponibilidade a interação entre o cálcio e outros nutrientes com a quantidade que será absorvido. 

 

4.7 Mulheres pós menopausa  

 

Nessa etapa da vida das mulheres, a estrutura óssea é mais frágil, pois o cálcio sai do osso com maior facilidade e o risco de desenvolver osteoporose é bem maior. A causa é a falta de estrógeno, hormônio sexual feminino que permite a captação do cálcio pelos ossos. 

 

A melhor maneira de evitá-la é consumir quantidades adequadas de cálcio desde a infância. As mulheres que não fazem reposição hormonal precisam ingerir leite diariamente para suprir a necessidade de cálcio do organismo. Essas devem ingerir cerca de 6 copos de leite diariamente , as que optaram por reposição de estrógeno devem continuar ingerindo leite porém em menores quantidades. 

Como sugestão pode-se, ingerir leite enriquecido com cálcio, diminuindo assim, a quantidade indicada para consumo diário.  

 

4.8 Idosos  

 

Homens e mulheres com mais de 65 anos precisam de uma dose elevada de cálcio. Para suprir a necessidade desse mineral, deve-se consumir diariamente, pelo menos, o equivalente a 6 copos de leite, de preferência desnatado. Pode-se tomar leite com baixa lactose para evitar incômodos gastrointestinais que podem ser causados ao idoso pela ingestão de grande quantidade de leite. 

 

Também ingerir leite com fibras, por exemplo, aveia, farelo de trigo ou de aveia, ameixas e frutas secas e substituir a água no preparo de arroz, lentilha e ervilha. Assim, numa só receita, é possível ingerir leite (cálcio) e fibras, tão importantes para o funcionamento do organismo.   


 
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
 
ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE CRIADORES DE BOVINOS DA RAÇA HOLANDESA  
 
Aluna: Estela A. S. Augustinho 
 
Supervisor: Altair Antonio Valotto 
 
Local: A.P.C.B.R.H 
 
Orientador: Profª Luiza Efing  
 
Relatório apresentado para o Programa de Aprendizagem de Estágio Supervisionado em Indústria para obtenção de nota para este.
 
 




Autor: Estela A. S. Augustinho

Referências bibliográficas: 

1. Aguiar, C. L., Coro, F. A. G, Pedrão, M.R, Componentes ativos de origem animal, B Ceppa, Vol. 23, n. 2, p. 413-434; Jul. – Dez 2005. 

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5. Marchiori, E., Saúde no Copo, Rev Indústria de Laticínios, Ano 10 n. 62, p. 28-32; Mar-Abr 2006.

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8. PROUDLOVE, R. K. Os alimentos em debate: uma visão equilibrada. São Paulo: Varela, 1996. 

9. Salgado, J. M., Capacidade intelectual da criança e a boa alimentação, 2008 (Online), Disponível em: 
http://www.sanavita.com.br/padrao.aspx?texto.aspx?idContent=887&idContent Section=405 

10. SGARBIERI, Valdemiro C. Proteínas em alimentos protéicos: propriedades, degradações, modificações. São Paulo: Varela, 1996. 

11. SHILS, Maurice E. Tratado de nutrição moderna na saúde e na doença. São Paulo: Manole, 2003.


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