21/12/2013 às 09h09min - Atualizada em 21/12/2013 às 09h09min

Doenças que os lácteos ajudam a combater

O consumo de grandes quantidades de cálcio na dieta ou de suplementos reduziu o riso de câncer cólon-retal em mulheres chinesas em 40%, segundo um estudo conjunto entre médicos norte-americanos e chineses. O trabalho não somente acrescenta dados ao debate sobre a ligação entre cálcio e câncer, mas também reporta a ingestão de fibras – tão freqüentemente associada com a redução do risco de câncer.

Um estudo intitulado "As Mulheres de Xangai" mostrou que entre 73 mil mulheres, com idade média de 55 anos, que consomem maior quantidade de cálcio, um grande percentual delas deve menor incidência de câncer. A proporção foi de 40% de incidência menor para as mulheres que consomem maior quantidade de cálcio.

Asma

Na Suíça, uma equipe médica especializada em doenças do pulmão constatou que as crianças com menos de um ano de idade que tomam leite de vaca reduzem em 30% a possibilidade de ter asma. Além disso, diminui em 40% a incidência de alergia ao pólen.

Diabetes

Ácidos graxos comumente encontrados em produtos lácteos foram bem-sucedidos no tratamento de diabetes em ratos, de acordo com um pesquisador da Penn State, nos Estados Unidos. Os compostos (ácido linoléico conjugado ou CLA) também mostraram resultados promissores em experimentos humanos, sinalizando uma nova forma potencial para tratar a doença sem o uso de drogas sintéticas.

Alguns estudos com humanos indicaram que, quando administrado por mais de oito semanas, o CLA melhora a regulação errada da insulina do corpo e diminui o nível de glicose no sangue em pacientes com diabetes tipo 2 – a forma mais comum da doença.

Colesterol

Uma nova companhia dos Estados Unidos, a Origo Biosciences, descobriu a presença de uma imunoglobulina antecolesterol no leite e está pesquisando sua comercialização como um ingrediente para alimentos funcionais. Estudos preliminares indicam que esse elemento pode inibir o colesterol em níveis que variam de 60% a 80%, ao passo que inibidores vegetais têm um efeito variante entre 30% e 40%.

Derrame

A médica veterinária Juliana Santin e mestranda da ESALQ – Universidade de São Paulo, tem feito longas pesquisas sobre os efeitos de produtos lácteos na prevenção de derrame cerebral.

Sua conclusão é que, apesar de limitadas, as evidências clínicas e bioquímicas apóiam a hipótese de que o consumo de produtos lácteos pode estar associado com a redução nos riscos de derrame. Para ela, é difícil associar qualquer mineral dos produtos lácteos com o derrame, porque um equilíbrio metabólico apropriado dos três é importante e devido às fortes correlações na ingestão do cálcio, magnésio e potássio quando são consumidos alimentos lácteos.

Ingestões adequadas dos três elementos são recomendadas pelo Comitê Nacional de Prevenção, Detecção, Avaliação e Tratamento de Pressão Sanguinea dos Estados Unidos.

Leite e produtos lácteos, que têm quantidades substanciais de potássio, cálcio e magnésio, são importantes fontes dietéticas de todos os três minerais. Além disso, o leite é um alimento com baixo nível de sódio e isso canaliza benefícios para a baixa pressão sanguinea.

Porém, estudos adicionais são necessários para avaliar os efeitos do consumo crônico de leite e alimentos lácteos em dietas controladas, não somente na pressão sanguínea, mas também na sensibilidade à insulina, oxidação de lipídios e agregação plaquetária para investigar a ampla gama de possíveis mecanismos protetores.

Benefícios emergentes das proteínas

Outro trabalho publicado pela doutora Juliana Santin, médica Veterinária pela FMVZ – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e mestranda pela ESALQ, da Universidade de São Paulo, mostrou os benefícios emergentes das proteínas derivadas do leite.

Segundo ela, a moda da dieta das proteínas surgida há algum tempo estimulou interesse em alimentos com alto teor protéico e criou um mercado para alimentos e bebidas enriquecidos com proteínas.

O crescente conhecimento sobre os benefícios nutricionais causados pelas proteínas lácteas está levando ao reconhecimento de seu potencial como um ingrediente de valor agregado em muitos alimentos e bebidas funcionais, não somente para o controle de peso, mas também para outros benefícios à saúde.

Segundo a professora Juliana Santin, “novos e melhorados métodos de fracionamento de proteínas têm capacitado os processadores de alimentos a isolar compostos protéicos saudáveis do leite e incorporar esses ingredientes em vários alimentos e bebidas, incluindo produtos para nutrição esportiva e controle de peso”.

O leite de vaca é uma excelente fonte de proteína de alta qualidade, fornecendo quantidade diversa de todos os aminoácidos essenciais que os humanos não podem sintetizar, em proporções semelhantes aos que o organismo requer. Esse leite contém cerca de 3,5% de proteína, das quais 80% são caseína e 20%, soro de produto.

Síntese

Sintetizando esse trabalho, a professora ressalta a importância de se aumentar a massa muscular. A força e as funções metabólicas para atletas são, há muito tempo, reconhecidas. Entretanto, atualmente estima-se que o aumento ou a manutenção da massa muscular é importante para todos os indivíduos para ajudar a prevenir desordens como obesidade, diabetes, osteoporose e sarcopenia (perda de massa muscular com a idade).         




Autor: Juliana Santin

Referências bibliográficas: 

Jornal do Leite 
Ano 02, nº 5 - Março a abril 2007


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