24/01/2013 às 12h21min - Atualizada em 24/01/2013 às 12h21min

Leite e Agricultura familiar: Diagnostico do perfil da produção leiteira das propriedades familiares

Resumo: A pecuária leiteira no município de Jales, região noroeste do estado de São Paulo, Brasil, está presente em 766 propriedades, que produzem 7,6 milhões de litros de leite anualmente, ordenhados de um rebanho estimado em 9.008 cabeças de vacas (IBGE, 2009). A pesquisa foi realizada com 40 destes produtores e apontou que 75% deles exploram a atividade em imóveis rurais de até 50 ha, respondendo por 50,56% do total de leite produzido. A soma das propriedades pesquisadas possui um rebanho total de 3193 cabeças, das quais 73,16% são constituídas pelas raças cruzadas. A produção do grupo alcança 9.781 litros/dia na época das águas e 5.764 no período da seca, resultando produtividade média de 8,29 litros/vaca/dia e 5,36 litros/vaca/dia, respectivamente. Aproximadamente 36% das propriedades pesquisadas possuem produção na época das águas inferior a 50 litros/dia. Já no período da seca, o percentual de produtores com volumes inferiores a 50 litros/dia atinge 56,41% do total, embora o número de propriedades com produção superior a 200 litros/dia recue para 17,95%. O aumento do número de propriedades com produção inferior a 50 litros/dia na época da seca reflete a carência na alimentação, embora os produtores declararam fornecer ao seu rebanho uma suplementação alimentar, composta por volumoso (86,36% da propriedades fornecem cana ou napier no cocho), silagem (27,27%) e concentrado (68,18%). O percentual da renda das propriedades advinda da atividade leiteira, em média, é de 51,18%. 

Palavras–chave: atividade Leiteira, perfil socioeconômico, produtividade 

Milk and Family Farming: Diagnostic profile of milk production of family farms in the city of Jales/SP 

Abstract: The dairy farming in the city of Jales, northwest of São Paulo, Brazil, is present in 766 properties, which produce 7.6 million liters of milk annually, milked a herd estimated at 9,008 head of cattle (IBGE, 2009 ). The survey was conducted with 40 of these producers and found that 75% of activity in exploring the rural properties of up to 50 ha, accounting for 50.56% of the total milk produced. The amount of the properties surveyed have a total herd of 3193 heads, of which 73.16% are made up of cross breeds. The group's production reaches 9,781 liters / day in the rainy season and 5,764 during the dry season, resulting in an average yield of 8.29 liters / cow / day and 5.36 liters / cow / day, respectively. Approximately 36% of properties surveyed have production in the rainy season less than 50 liters / day. In the period of drought, the percentage of producers with volumes below 50 liters / day reaches 56.41% of the total, although the number of producing properties with more than 200 liters / day drop to 17.95%. The increase in the number of farms producing less than 50 liters / day in the dry season reflects the lack of food, although the producers claimed to provide a supplementary feeding his flock, composed of large (86.36% of the properties provide napier cane or the trough), silage (27.27%) and concentrate (68.18%). The percentage of income arising from properties of milk production on average is 51.18%. X Congresso Internacional do Leite X Workshop de Políticas Públicas XI Simpósio de Sustentabilidade da Atividade Leiteira 

Introdução 

No Brasil a cadeia produtiva do leite está distribuída em mais de 1,1 milhões de propriedades rurais que são responsáveis por 40% posto trabalho, gerando anualmente 3,6 milhões de emprego direto (BARBOSA et al, 2002). A produção nacional de leite vem aumentando a cada ano, o país já é o quinto maior produtor mundial de lácteos com uma produção de 29,1 bilhões toneladas, ficando atrás dos Estados Unidos, Índia, China e Rússia. O Estado de São Paulo é o sexto maior produtor de leite do país com um volume de produção de 1,5 bilhões de litros, participando com 5,4% da produção nacional em 2009 (EMBRAPA GADO DE LEITE 2011). 

O município de Jales, localizado no noroeste do Estado de São Paulo, possui uma área de pouco mais de 33 mil hectares, com uma estrutura fundiária constituída por pequenos produtores familiares, com destaque para a fruticultura de mesa e pecuária leiteira. O Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo aponta a existência de 1.246 unidades de produção agropecuária (UPA’s), com área média de 26,8 hectares. As propriedades com área entre 1 e 20 hectares representam 65,97% do total, enquanto aquelas com área entre 20 e 50 hectares alcançam 23,11%. (LUPA, 2008). A bovinocultura leiteira no município destaca-se pela existência de 766 pecuaristas, que produzem 7,6 milhões de litros de leite anualmente, ordenhados de um rebanho estimado em 9.008 cabeças de vacas (IBGE, 2009). O estudo teve como objetivo caracterizar a atividade leiteira do município de Jales/SP, analisando a produção, produtividade e raças do rebanho. 

Material e Métodos 

A pesquisa foi desenvolvida sob o método do estudo de caso (YIN, 2001). A unidade de análise desta pesquisa constituiu-se por 31 pecuaristas individuais que exploram a bovinocultura de leite e mista, em propriedades rurais do município de Urânia/SP, integrantes do universo de 406 pecuaristas do município estimados pela Secretaria da Agricultura de São Paulo (LUPA, 2008). Foram realizadas entrevistas, com o apoio de questionário semiestruturado, capaz de alcançar os objetivos almejados, numa abordagem pessoal com o proprietário ou o gestor responsável na propriedade, sem arbitragem prévia de dimensão do rebanho, área ou produção diária. As entrevistas foram realizadas entre outubro do ano de 2010 e janeiro de 2011. 

Resultados e Discussão 

A pesquisa apontou que 75% dos produtores entrevistados exploram imóveis rurais de até 50 ha. Tais produtores respondem por 50,56% do total de leite produzido no universo pesquisado, alcançando 69,48%, quando de agrupa os produtores de até 100 hectares, caracterizando um cenário de produção em pequena escala. A atividade leiteira é explorada em 75% dos casos com mão de obra predominantemente familiar, ocupando em média 1,78 trabalhadores por propriedade. Identificou-se ainda, que nas propriedades pesquisadas, residem em média 4,34 pessoas. 

A soma das propriedades pesquisadas possui um rebanho total de 3193 cabeças de vacas leiteiras, das quais 73,16% são constituídas pelas raças gir e ou holandesa cruzada. Tais números são superiores aos obtidos por Clemente (2006) em estudos conduzidos na região, no qual 55,5% do rebanho seriam de raças mestiças. Além das raças cruzadas 17,76% dos entrevistados em Jales exploram a raça holandesa (acima ¾) e 9,08% a raça gir (acima de ¾). A produção declarada pelos entrevistados alcança 9.781 litros ao dia na época das águas e 5.764 no período da seca, resultando produtividade média de 8,29 litros/vaca/dia e 5,36 litros/vaca/dia, respectivamente, que são valores iguais ou superiores à média nacional que é de 5,4 litro/vaca/dia (ANUALPEC, 2009). 

Aproximadamente 35,90% das propriedades pesquisadas possuem produção de leite na época das águas inferior a 50 litros/dia, percentual próximo do encontrado no Estado de Minas Gerais, por X Congresso Internacional do Leite X Workshop de Políticas Públicas XI Simpósio de Sustentabilidade da Atividade Leiteira 

Gomes (2008), que constatou que mais de 44% dos produtores produzem até 50 litros/dia. Os dois casos demonstram que na produção leiteira ainda predominam a pequena escala. Neste período do ano, apenas 20,51% das propriedades produzem volumes superiores a 200 litros/dia. Já no período da seca, o percentual de produtores com volumes inferiores a 50 litros/dia atinge 56,41% do total, embora o número de propriedades com produção superior a 200 litros/dia recue para 17,95%. O aumento do número de propriedades com produção inferior a 50 litros/dia na época da seca reflete a carência na alimentação. Embora os produtores declararam fornecer ao seu rebanho uma suplementação alimentar, composta por volumoso (86,36% da propriedades fornecem cana ou napier no cocho), silagem (27,27%) e concentrado (68,18%), esta complementação, não é suficiente para manter a média de produção verificada no período das águas. Os laticínios absorvem 95,19% do leite produzido na época da seca e 94,98% na época das águas, ao passo que o restante é processado artesanalmente ou ainda comercializado in natura. O percentual da renda das propriedades advinda da atividade leiteira, em média, é de 51,18%. 

Conclusões 

Os dados obtidos na pesquisa comprovam que a atividade leiteira no município de Jales/SP é predominantemente desenvolvida em pequenas propriedades familiares em pequena escala de produção, pois em 56,41% das propriedades a produção diária é inferior a 50 litros na época da seca e 35,90% no período das águas. 

Os números apontam que na época da seca a média da produtividade do rebanho diminui, mas os números de produtores que produzem até 50 litros/dia aumentam em relação às águas, comprovando a deficiência de suplementação alimentar, apesar de que os produtores declaram fornecer silagem, concentrado e volumoso no período da seca. O leite representa mais da metade da fonte de receita dos empreendimentos. Embora o rebanho, em sua maioria constitui-se de raças mestiças, constata-se uma produtividade superior à média nacional, porém aquém do potencial produtivo desejado. 

Obs: Leite e Agricultura familiar: Diagnostico do perfil da produção leiteira das propriedades familiares do município de Jales/SP1 

Vanessa Finoto2, Marcos Cesar Carvalho3, Luiz Carlos Floriano da Silva4 

1 Parte do trabalho de graduação do primeiro autor. 

2Graduanda em Tecnologia em Agronegócios, Faculdade de Tecnologia de Jales – Fatec Jales, Jales/SP. E-mail: vanessa.finoto@fatec.sp.gov.br 

3 Professor Me., Faculdade de Tecnologia de Jales – Fatec Jales, Jales/SP. 

4 Professor Me., Faculdade de Tecnologia de Jales – Fatec Jales, Jales/SP. 

 



Autor: Vanessa Finoto, Marcos Cesar Carvalho e Luiz Carlos Floriano da Silva

Referências bibliográficas: 

ANUALPEC 2009. Anuário da Pecuária Brasileira. São Paulo: FNP, 2009. P. 204 – 212. 
BARBOSA, P. F. et al. Produção de Leite no Sudeste do Brasil. 2002. Disponível em: < http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/LeiteSudeste/importancia.html >. Acesso em: 08 mar. 2011. 
CLEMENTE, E. V. Formação, dinâmica e reestruturação da cadeia produtiva do leite na região de Jales-SP. 2006. 218 f. Dissertação (Mestrado em Geografia – Área de Concentração: Produção do Espaço Geográfico). Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2006. 
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA GADO DE LEITE. Principais países produtores de leite no mundo – 2009. 2011. Disponível em: < http://www.cnpgl.embrapa.br/nova/informacoes/estatisticas/producao/tabela0212. Php >. Acesso em: 23 jun. 2011. 
GOMES, S. T. Diagnostico da pecuária leiteira do Estado de Minas Gerais em 2005. Disponível em: < www.faemg.org.br/Content.aspx?Code=6065&fileDownload=True > . Acesso em: 15 de jun de 2011 
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Pecuária Municipal de 2009. 2009. Disponível em: 
< http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 >. Acesso em: 08 mar. 2011 
SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Coordenadoria de 
Assistência Técnica Integral. Instituto de Economia Agrícola. Levantamento censitário de unidades de produção agrícola do Estado de São Paulo - LUPA 2007/2008. São Paulo: SAA/CATI/IEA, 2008. Disponível em: < http://www.cati.sp.gov.br/projetolupa >. Acesso em: 10 fev. 2011. 
YIN, R. Estudo de caso: planejamento e métodos. Trad. Daniel Grassi – 2º ed. – Porto 
Alegre: Bookman, 2001.

 


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