30/07/2012 às 08h03min - Atualizada em 30/07/2012 às 08h03min

Leite de cabra: características e posicionamento no mercado consumidor

O leite de cabra apresenta quantidades superiores de alguns ácidos, assim como dos caracteres próprios da caseína que, durante a digestão forma coágulos menos resistentes que os do leite de vaca.

O Brasil possui cerca de 9.312.784 cabeças de caprinos, estando concentrado na região Nordeste, que detém 91% do rebanho. Esta espécie animal apresenta uma importância social e econômica muito forte nesta região, tendo em vista que, em várias situações, funcionam como moeda de troca. Entretanto, a caprinocultura desperta interesse de criadores e técnicos, não só na região Nordeste, mas em todas as regiões brasileiras.

Ela apresenta um grande potencial produtivo, principalmente no que diz a respeito à produção de leite e carne. Entretanto, o posicionamento destes produtos no mercado enfrenta alguns entraves, dentre estes, podemos relacionar o preconceito com relação ao consumo e o preço destes produtos no mercado.Todavia, com relação ao leite de cabra, é indiscutível a grande possibilidade de utilização deste na alimentação humana.

O leite de cabra é de cor branca, pois apresenta uma baixa concentração do pigmento ß-caroteno conhecido como provitamina A, que origina a cor amarela no leite de vaca, em compensação o leite de cabra tem em sua composição teores elevados de vitamina A (1850 UI a 2264 UI de retinol), que estão disponibilizados após o consumo e que atuam como coadjuvantes em restituir ou manter os níveis no organismo desta vitamina, evitando-se doenças degenerativas na visão, reprodução, pele e perda de funções orgânicas. Apresenta ainda, um sabor mais adocicado e odor diferenciado do leite de vaca, possui alto valor nutritivo e é de fácil digestão, devido ao reduzido tamanho dos glóbulos de gordura, com 65% de diâmetro inferior a 3 microns, além do fato de que a gordura do leite de cabra difere da gordura do leite de vaca em relação às quantidades médias dos ácidos graxos.

O leite de cabra apresenta quantidades superiores dos ácidos butírico (C4:0), capróico (C6:0), caprílico (C8:0), cáprico (C10:0), láurico (C12:0), mirístico (C14:0), palmítico (C16:0) e linoléico (C18:2), assim como dos caracteres próprios da caseína que, durante a digestão forma coágulos menos resistentes que os do leite de vaca, sendo desintegrados mais rapidamente pelas enzimas proteolíticas. 

Estas características fazem com que o leite de cabra seja reconhecido como alimento funcional, que pode ser definido “como todo produto alimentício ou componente do alimento e suas participações cientificamente conhecidas na manutenção da saúde, redução de riscos de doenças crônicas e modificação das funções fisiológicas".

Apesar destas características do leite de cabra, este produto, como comentado acima, ainda não alcança um número maior de consumidores. Não estamos aqui, apostando que o leite de cabra venha a ocupar o espaço do leite de vaca no gosto da população. Mas, questionar sobre uma discussão acerca da implantação de ações que busquem uma maior participação deste produto no mercado consumidor.

Neste sentido, voltamos a insistir, que as associações e/ou cooperativas de produtores passem (ou continuem) a discutir e propor políticas de fomento a esta atividade. Outro ponto de extrema importância é a realização de pesquisas que visem disponibilizar para os produtores informações, as quais devem ser de fácil entendimento e aplicabilidade, em funções das características especificas de cada sistema de produção.

Estas informações, não devem estar relacionadas só a manejo nutricional, sanitário e/ou reprodutivo dos animais. Informações sobre qualidade do leite de cabra e formas de utilização também são importantes, além do estabelecimento de estratégias de marketing.

Por se tratar de uma excelente opção de alimento, o leite de cabra pode ter uma maior participação na alimentação da população, porém, muita coisa ainda precisa ser feita. Cabe, neste contexto, manter o esforço comum entre associações, instituições de pesquisa e de fomento com o objetivo de se estabelecer um modo de governança para esta importante atividade.



Autor: Emanoel Elzo Leal de Barros

Referências bibliográficas: 

Zootecnista - DsC em Produção Animal
Prof. do Departamento de Zootecnia UPIS/DF
Portal Dia de Campo


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