29/01/2012 às 09h04min - Atualizada em 29/01/2012 às 09h04min

Alergias Alimentares

Diversas substâncias normalmente inofensivas encontradas nos alimentos, no ar e em objetos que tocamos podem provocar sintomas que variam de um nariz escorrendo e urticárias a anafilaxia.   

A alergia ocorre quando o corpo humano tem uma reação exagerada e anormal do sistema imunológico a pequenas partículas de proteína em uma substância normalmente inofensiva. Aproximadamente um em cada quatro brasileiros – ou cerca de 40 milhões de pessoas – sofrem de alergia. Destas, as alergias alimentares compõem uma pequena porcentagem: cerca de 2% dos adultos e de 5 a 8% das crianças é sensível a um ou mais alimentos. (São muito mais comuns as reações alérgicas ao pólen e outras substâncias inaladas, alergias medicamentosas e a substâncias absorvidas pela pele.)

Os médicos não conseguem explicar o fato de tantas pessoas apresentarem alergias, apesar da hereditariedade colaborar. Se ambos os pais forem alérgicos, a criança quase sempre também será, ainda que os sintomas e alérgenos possam ser bem diferentes. As alergias alimentares em bebês e crianças, entretanto, tendem a diminuir com o tempo e podem desaparecer na face adulta.

As alergias basicamente se desenvolvem em fases. Quando o sistema imunológico encontra pela primeira vez um alérgeno – uma substância que ele distingue erroneamente como um invasor estranho e nocivo – ele sinaliza células especializadas para fabricarem anticorpos, ou imunoglobulinas, contra o alérgeno. A pessoa não experimenta uma reação alérgica nesta exposição inicial; no entanto, se a substância entrar de novo no organismo, os anticorpos programados para um ataque contra ela entrarão em ação. Em alguns casos, a resposta não produzirá sintomas, mas o palco já estará montado. Em alguma data futura, o antígeno pode provocar a liberação, pelas células do sistema imunológico, de grandes quantidades de histamina e outros compostos químicos responsáveis pela reação alérgica. Quando isso acontece, os sintomas podem variar de um simples espirro ou escorrimento do nariz a reações de extrema gravidade, como a morte súbita. 

  

SINTOMAS COMUNS   

Os sintomas mais comuns de alergias alimentares são: náusea, vômito, diarréia, constipação, indigestão, dores de cabeça, erupção cutâneas ou urticárias, coceira, falta de ar (inclusive ataques de asma) e, em casos mais graves, vermelhidão e intumescimento da pele e das membranas mucosas. A inchação da boca ou garganta é potencialmente fatal, pois pode bloquear a entrada de ar para os pulmões. Nos casos mais graves, pode ocorrer o choque anafilático-um colapso dos sistemas respiratório e circulatório potencialmente fatal.             

O alérgeno geralmente provoca os mesmos sintomas todas às vezes, mas diversos fatores podem afetar a sua intensidade: a quantidade de alimento agressor ingerida, como foi preparado, se foi ingerido com outros alimentos, e até o estresse. Algumas pessoas podem tolerar pequenas quantidades de um alimento agressor, outras são tão hipersensíveis que reagem ao menor vestígio dele.             

A maioria das reações alérgicas surge rapidamente, em geral em alguns minutos ou em até 2 horas após a entrada do alérgeno no organismo. Em casos raros, contudo, a reação pode ser retardada em até 48 horas, tornando mais difícil à identificação do alérgeno. 

  

IDENTIFICAÇÃO DOS ALÉRGENOS             

Alguns alérgenos são facilmente identificados, pois seus sintomas característicos se desenvolverão imediatamente após a ingestão do alimento agressor. Em outros casos, pode ser necessário manter um diário cuidadoso do horário e conteúdo de todas as refeições e lanches e as características e cronologia dos sintomas subseqüentes. Após uma semana ou duas, pode surgir um padrão. Neste caso, elimine o alimento suspeito da dieta durante pelo menos uma semana e depois experimente de novo. Se os sintomas voltarem a aparecer, é provável que o alimento agressor tenha sido identificado.             

Nos casos mais complicados, são necessários testes epidérmicos. As substâncias contidas nos alimentos são colocadas sobre a pele, que é arranhada ou espetada, permitindo a penetração de pequenas quantidades da substância. O desenvolvimento da urticária ou irritação geralmente indica uma resposta alérgica. Em alguns casos, o médico pode prescrever um exame de sangue tipo RAST (teste radioalergosorvente), em que pequenas quantidades do sangue do paciente são misturadas às substâncias dos alimentos e então analisadas a presença da ação de anticorpos. Este teste é mais caro que os testes epidérmicos, mais pode ser mais seguro no caso de pessoas hipersensíveis, que podem desenvolver reações graves ao teste epidérmico.             

Outros testes podem envolver dietas por eliminação, supervisionadas por um médico, e teste de incitação. Em um deles, o paciente é colocado sob uma dieta hipoalergênica com alimentos que provavelmente não causem alergias – pó exemplo, arroz, cenoura, batata, doce e pêra – durante 7 a 10 dias, período necessário para o desaparecimento dos sintomas. (Caso contrário, deve-se suspeitar de alergia a outra coisa, que não alimentos.) O médico então administra pequenas quantidades de alimentos ou substâncias dos alimentos, geralmente em cápsulas, para ver se ocorre alguma reação alérgica.             

Cuidados: Algumas pessoas se submetem a dieta altamente restritivas sem o acompanhamento médico apropriado. Isto pode resultar em sérias deficiências nutricionais; o melhor é consultar um médico.

 



Autor: Enciclopédia Medicina e Saúde

Referências bibliográficas: 

Fonte: Medicina e Saúde - Volume III


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