07/08/2008 às 12h25min - Atualizada em 07/08/2008 às 12h25min

Sazonalidade: como fabricantes de sorvetes lidam com esta questão?

Sandra Costa - SITE FISPAL

Gelado, refrescante, puro ou incrementado. O sorvete é unanimidade internacional sendo adorado por pessoas de todas as faixas etárias. Apesar de ser rico em nutrientes, saboroso, convidativo ao consumo em qualquer estação do ano, no Brasil, as indústrias de sorvetes vendem 70% da produção entre os meses de setembro e fevereiro, o que confere a este mercado características típicas de um mercado sazonal, com maior parte do faturamento concentrado num período curto do ano.

Nesta época do ano, em pleno verão, as indústrias apresentam seus lançamentos e comemoram as vendas, mas, e depois? Como as indústrias conseguem driblar a sazonalidade? Criada para unificar a cadeia do sorvete, a Abis (Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes) trabalha para desenvolver o mercado, com o objetivo de atingir patamares condizentes com o potencial de consumo de um país que precisar usar como aliado o tropical. A entidade representa 200 empresas de pequeno, médio e grande porte. Entre eles fabricantes, fornecedores de matérias ? primas.

De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Weisberg, o setor está estagnado, pois é um produto sazonal dentro do Brasil. ?Se fez frio e choveu, não vende. Queremos mudar esse paradigma para que o mercado possa crescer?, ressalta o presidente. Em anos anteriores, diz o presidente, problemas macroeconômicos (falta de dinheiro no mercado) e clima desfavorável influenciaram negativamente as vendas do setor.

Conforme Weisberg, os principais objetivos da Abis para 2006 é desenvolver um plano nacional para o crescimento do mercado, mudando primeiramente a cultura sobre o produto no Brasil.

?O nosso desafio é mudar culturalmente a idéia que o sorvete é guloseima e, sim, um alimento que é nutritivo, rico em vitaminas, cálcio e proteínas, que pode ser consumido em qualquer época do ano em qualquer clima?.

Hoje, as regiões do País que mais consomem sorvetes são a região Sul e Sudeste. ?O Norte e Nordeste, mesmo registrando altas temperaturas durante todo o ano, apresentam o consumo per capita mais baixo do Brasil, pois não vêem o hábito do sorvete como alimento. Já no Sul, onde residem muitos descendentes de europeus, o consumo é de seis a sete vezes maior que o nosso,? diz Weisberg.

Sobremesa da sorveteria LeandrosUma outra estratégia para um trabalho de médio e longo prazo, é levar o produto nacional, especialmente os sabores de frutas tropicais, para o mercado externo. ?Vamos exportar frutas com valor agregado, ou seja, um produto que no mundo inteiro não existe, pois quando aqui for inverno, no hemisfério norte será verão e, assim, conseguiremos ter um equilíbrio de produção?.

Segundo a Abis, no ano passado, o setor exportou cerca de R$ 1 milhão, sendo as empresas multinacionais responsáveis por grande parte desse resultado. Já os brasileiros consumiram no ano anterior cerca de 475 milhões de litros de sorvete, com um faturamento de US$ 840 milhões no mercado interno. ?A estimativa da indústria brasileira é que as vendas cresçam 5% sobre o ano passado,? adianta.

Weisberg alerta, entretanto, que nada adiantará se não houver a união de todos do setor para mudar a cultura sobre o sorvete. ?O crescimetno do mercado não se sustenta apenas com lançamentos de novos sabores. O mercado só irá crescer com a mudança cultural. Não devemos nada para outros países. Temos um enorme potencial e precisamos nos unir para que o mercado cresça?.

Para discutir estratégias para movimentar ainda mais o setor, a Abis promoverá, do dia 23 a 25 de maio o ?Encontro Abis? e o ?Salão de Sorveteria em Boa Cia.?. No encontro, a entidade apresentará estratégias de atuação para 2006 e 2007, como por exemplo, ações voltadas para a qualidade com o Selo Abis, tecnologia e gestão empresarial.

Com o termômetro do mercado

Um das mais importantes fornecedoras deste mercado, a Duas Rodas atende cerca de cinco mil clientes diretos em todo o Brasil, além dos clientes indiretos, ou seja, que adquirem os produtos através dos 1.200 distribuidores e atacadistas. Conforme a gerente de marketing da empresa, Joseane Leone, este é um mercado que está em ascensão. ?O consumo per capita de sorvete vem crescendo gradativamente, porém ainda há um longo caminho pela frente. No momento, estamos em alta temporada e todas as indústrias estão com sua capacidade produtiva totalmente tomada?, observa.

Na sua opinião, existem alternativas bem interessantes já utilizadas pelas indústrias do setor para driblar a sazonalidade. São estratégias que passam pelo desenvolvimento de novos canais de venda, por exemplo, ou a adoção de receitas de sorvetes elaborados com maior teor de gordura, o que reduz a sensação de frio do sorvete na época de inverno; caldas quentes, promoções de desconto em dias de menor movimento nas sorveterias. Segundo ela, ainda há oportunidade para criar produtos, promoções e incentivos que provoquem o aumento do consumo no inverno e também no verão. ?O setor requer iniciativa, profissionalismo da indústria de uma forma geral, que deve trabalhar exaustivamente para isto?, destaca.

Entretanto, ela observa que o mercado não espera um salto significativo no segmento durante 2006. O poder aquisitivo e o momento político do País sinalizam projeções moderadas. Quanto ao hábito de consumo, oportunidades em novos produtos estarão concentradas em conveniência, tanto para consumo individual como em grupos. As tendências em sabores apontam para sabores frutais, produtos com teores de açúcar e gordura reduzidos para o público jovem e adulto e tudo o que reporta à diversão encontrará adesão do público infantil.

Fornecedora de insumos como extratos e essências para sorvetes, a matriz da Duas Rodas está localizada na cidade de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, mas tem unidade fabril em Sergipe, no Chile e Argentina, além de escritório no Peru e representantes por todo mundo.

Máquina de sorvete da Arpifrio

Outra fornecedora do mercado, a Arpifrio, localizada na cidade de Santo André (SP), fabrica mais de 38 tipos de máquinas de sorvetes para as indústrias do setor, tais como: plantas de pausterização, tinas de maturação, produtoras de sorvetes de massa artesanais e industriais, produtoras de picolés, envazadoras, incorporador de polpas, frutas, chocolate e sólidos, vitrines expositora e produtoras de sorvete soft, da marca Expresso.

Conforme o gerente de negócios da Arpifrio, Augusto Cucolicchio, a empresa vende suas máquinas para todo o Brasil e ainda exporta durante o ano todo. Segundo o gerente, entre os meses de julho e abril, as vendas são ainda mais aquecidas, pois a maioria dos clientes planejam a compra dos equipamentos antecipadamente e poucos adquirem no verão.

Oportunidade no Nordeste

Recentemente, a Häagen Dazs reduziu o preço do produto da categoria premim para torná-lo mais acessível ao consumidor, atingindo assim não só o consumidor da classe A, mas também da classe B. A norte-americana General Mills, detentora da marca de sorvetes premium, possui muitas ações previstas para o reposicionamento da marca no País. Segundo o gerente de marketing da Häagen Dazs, Marcos Scaldelai, a marca não sofre tanto com a sazonalidade, pois o produto é mais reconhecido como sobremesa do que como um produto refrescante.

Na opinião de Scaldelai, o Norte e o Nordeste do País são regiões propícias para o consumo de sorvete. ?Häagen Dazs é sucesso absoluto, não somente junto ao consumidor nordestino, mas também junto aos estrangeiros que lotam nossos hotéis e resorts durante todo o ano, na região?, afirma o gerente. Ele adianta que a General Mills tem planos agressivos para aumentar a distribuição de 300 para 1200 pontos de vendas no Brasil.



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