14/01/2015 às 10h51min - Atualizada em 14/01/2015 às 10h51min

Perspectivas para a cadeia láctea em 2015

Muito fácil falar de retrospectiva, tema do editorial anterior, no qual falamos de algo que já aconteceu, facilitando a análise e o entendimento dos acontecimentos. Mas falar do que ainda pode acontecer, em um cenário nacional e mundial de incertezas, é bem mais difícil e complexo, pois temos que analisar o que já aconteceu, o que está acontecendo, prevendo ainda o que virá a acontecer.

O Brasil, no último trimestre de 2014, sofreu uma pressão de baixa no mercado internacional. Oceania ampliando a produção como maior exportador de lácteos e os Estados Unidos, outro importante produtor de leite, aumentando a participação nas exportações. O consumo no Brasil estagnado combinado com o aumento de produção nacional, visualizou um cenário que reflete o momento difícil que a cadeia láctea está passando.

Em virtude do que vemos, este é um ano de cautela e incertezas, principalmente em relação ao crescimento da demanda e oferta, que tem aumentado nos últimos anos, mas que pode não acontecer neste ano – aponta o analista da Scott Consultoria Rafael Ribeiro.

Assim como a soja, o frango e o suíno deixaram de tolerar amadores há um bom tempo. O leite agora exige o mesmo profissionalismo, mas com muito mais conhecimento. Um sistema enxuto, eficiente, altamente produtivo, com baixos custos e pouca mão-de-obra por litro produzido com alguma flexibilidade é a fórmula para se cruzar as ondas de baixa com a cabeça fora d'água e surfar nas ondas de alta. Esperamos que em 2015 surjam novas políticas públicas voltadas para a produção de leite e sua industrialização.

Em 2015, além de termos um consumo interno estagnado e uma produção que aumentou em 2014 elevando o estoque de leite, juntando a estes dois fatores teremos mais um ingrediente extra: FALTA DE CHUVA. Sem água não se produz nada. Minas sofre fortemente com falta de chuva, São Paulo está penando também; Goiás nem se fala; o nordeste está há três anos em seca; enfim, produtores de leite terão que diminuir a atividade com certeza ao longo do ano. E para diminuir a produção, vão ter que vender gado, secar as vacas e ou abater o gado de leite, o que geraria não somente um problema de fornecimento atual, mas que terá reflexo pelo menos em 2 anos posteriores.

Em 2015, com certeza, teremos uma seleção natural da cadeia láctea, onde os aventureiros com certeza terão mais dificuldades de sobreviver, fazendo com que o mercado fique mais profissional e atento ao que acontece no mundo. Esperamos também que, neste ano, o Instituto de Laticínios Cândido Tostes, uma escola de referência internacional, volte a ministrar cursos para queijeiros e também volte a funcionar a fábrica de laticínios, parada há 6 anos em reforma, servindo para treinamento dos alunos e futuros técnicos em laticínios.

Para resumir podemos dizer que dois pontos terão que ser bem analisados pelo produtor e as indústrias de laticínios:

1- O produtor de leite terá que realmente se profissionalizar e se mecanizar para obter lucratividade. Trabalhar com menos possível de mão-de-obra para produzir o máximo possível de leite. Não somente o produtor mas também a indústria terá que trabalhar unida aos produtores, fomentando treinamentos e adequações no sistema para sobrevivência das duas partes.
2- Toda a cadeia láctea terá que saber trabalhar com a escassez de água para produção e manutenção do sistema. O reaproveitamento, a mecanização e a educação dos trabalhadores da cadeia láctea devem ser o foco.

Saudações Laticinistas
Marco Antônio C. Lemos Couto
Equipe Técnica Site Ciência do Leite

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