30/09/2014 às 10h39min - Atualizada em 30/09/2014 às 10h39min

Minas Gerais e os desafios do produtor rural

Dentro do contexto do agronegócio, o setor leiteiro é uma atividade praticada em todo território nacional em que os sistemas de produção leite são, em grande parte, administrados seguindo as tradições de produção de cada região e, dentro deste contexto, a maioria é administrada por agricultores familiares e, uma minoria por médios e grandes produtores de leite. Além disso, nos últimos anos a produção brasileira tem aumentado acima de 4% ao ano. Este cenário, não havia o estímulo no aumento da produção. O diferencial para Minas Gerais ser o maior produtor de leite no Brasil, é pela tradição de produção de leite no Estado, a localização estratégica de Minas Gerais para comercializar os lácteos produzidos, e de possuir um modelo de produção peculiar, que é a produção de leite e bezerros com vacas mestiças a pasto com um semi confinamento na seca.

Conforme a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado, com a competitividade internacional na produção de leite no mundo, o principal desafio do produtor é ser eficiente num cenário globalizado e agressivo. Neste sentido, o produtor tem que produzir uma matéria-prima de qualidade a um custo baixo. Com relação aos agricultores familiares que tem uma escala menor de produção de leite, a sua consolidação no mercado depende da associação entre os mesmo, mas o principal objetivo desta associação não é leiloar o leite, pois o mercado de leite é muito variável, porém, a união pode diminuir os custos na compra de insumos em conjunto. Há experiência de produtores do Programa Minas Leite onde associações conseguem diminuir seus custos de produção em compras coletivas em até 20%, como o caso da ASSPROLEITE, no Norte de Minas.

Minas Gerais possui cerca de 330.000 produtores rurais que praticam a pecuária bovina. Deste total, aproximadamente 280.000 são pecuaristas familiares, com área inferior a 100 hectares e com produção de até 200 litros de leite por dia. Normalmente, estes produtores não têm acesso a informações tecnológicas e de gestão da atividade, usufruindo pouco do potencial produtivo de suas pastagens e do seu rebanho.

Com o objetivo de reverter este quadro e de contribuir para o melhor desempenho econômico e social destes produtores, foi criado, em 2005, o Programa de Qualificação Gerencial e Técnica dos Sistemas de Produção da Pecuária Bovina de Leite de Minas Gerais – Minas Leite – executado pela empresa vinculada Emater-MG. O programa vem sendo aplicado como experiência piloto, na Unidade Regional de Curvelo, atingindo 27 municípios. Foram selecionadas 165 prioridades de pecuaristas familiares como unidades demonstrativas, com acompanhamento técnico intensivo e programado. Após o sucesso da experiência de Curvelo o programa ampliou em todo estado atingindo mais de 1.100 propriedades. E neste ano vai atingir diretamente 1.300 propriedades. Considerando que cada produtor assistido através de dias de campos atinge mais 10 propriedades, serão abrangidas em torno de 15.000 propriedades de leite no Estado.

As ações do programa voltam-se à estruturação de sistemas de produção sustentável na pecuária bovina, com ênfase à gestão e à intervenção técnicas com tecnologias de produção adequadas e oportunas, proporcionando possibilidades de se atingir o equilíbrio entre o ideal de produção e o máximo de lucratividade, resultando em incremento da renda familiar, ocupação de mão-de-obra e manutenção da cultura local. São disponibilizadas tecnologias voltadas às boas práticas de produção agropecuária, como formação, recuperação, sombreamento e manejo de pastagens, a produção e a conservação de forrageiras para corte, a disponibilidade de água, o uso de suplementos minerais e de concentrados, a interação ambiência e bem estar animal, o manejo sanitário e reprodutivo do rebanho, o manejo e as práticas de conservação ambiental, a qualidade do leite e dos animais, e a gestão da atividade.

Dados apresentados pela Secretaria de estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas gerais – SEAPA registram que 30,9% da cobertura vegetal do Estado é composta de pastagens, o que em área corresponde a 18.217.880 hectares, sendo 60% de pastagens cultivadas e 40% de pastagens naturais. No que diz respeito à composição racial dos rebanhos produtores de leite nas diversas regiões do estado e nos estratos de produção estabelecidos por pesquisa de campo, verificou-se que 30% dos reprodutores presentes nos rebanhos leiteiros de Minas gerais apresentaram predominância de sangue holandês, enquanto que outros 55% apresentaram algum grau de mestiçagem com raças zebuínas ou predominância dessas raças. Interessante ainda ressaltar que outros 15% não possuem padrão racial definido. Comparado à pesquisa semelhante realizada pelo Sebrae-MG/FAEMG, em 1995, verifica-se que houve um crescimento substancial no percentual de reprodutores com predominância de sangue europeu, que à época foi de 12,5%. Ainda assim e desde então, prevalece o maior percentual de reprodutores mestiços ou com predominância de sangue das raças zebuínas.

Em Minas Gerais, a combinação entre a vocação histórica e cultural dos produtores e, em especial dos agricultores familiares para a atividade; a disponibilidade de área para a prática da atividade pecuária leiteira; a prevalência do uso de pastagens nos sistemas de produção; a caracterização racial predominante do rebanho leiteiro e o perfil dos produtores, em seus diversos estratos de produção, associados a uma ação coordenada entre a assistência técnica, a pesquisa, a provisão de insumos e o mercado, possibilita a sustentabilidade desse importante componente do agronegócio mineiro.

Anuário Brasileiro Agricultura Familiar - Edição Especial Cadeia Leiteira 2014
Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais

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