04/09/2014 às 10h36min - Atualizada em 04/09/2014 às 10h36min

Produtora de leite do Japão busca tecnologia laticinista brasileira

No curso prático de fabricação de derivados de leite ministrado pela Empresa Rica Nata e Site Ciência do Leite no mês de agosto de 2014, tivemos a ilustre presença de uma brasileira que tem uma indústria de laticínios no Japão.

Aproveitamos a oportunidade para fazer várias perguntas sobre qualidade do leite, condições de armazenamento na fazenda leiteira, sistema de transporte e inspeção sanitária, exigências sanitárias e forma de trabalho no referido país.

Transcreveremos no formato de perguntas e respostas nossa conversa que foi muito interessante e creio que todos nossos leitores também vão conhecer um pouco mais do setor laticinista de uma potência mundial como é o Japão.

Rica Nata: O que veio buscar no Brasil? 
Monica Kikugawa: Buscar novas informações e tecnologias para serem utilizadas no meu laticínio.

Rica Nata: No Japão não existem estas informações?
Monica Kikugawa: Não temos muitas informações por lá. Para se ter uma ideia, temos somente quatro laticínios liberados para fazer queijo no Japão. 

Rica Nata: Quais queijos o Japão produz? 
Monica Kikugawa: Os queijos de lá são importados. O Japão não tem uma produção de queijos expressiva. Temos iogurtes, bebidas lácteas e leite UHT.

Rica Nata: Quais queijos você produz lá? 
Monica Kikugawa: Faço queijos frescos e feitos principalmente para brasileiros que moram lá. No Japão temos praticamente somente queijos maturados, não encontrando facilmente queijos frescos. Temos vontade de fazer mussarela e suas variações, além de Requeijão.

Rica Nata: Qual foi sua dificuldade em se enquadrar na legislação que é vigente no Japão?
Monica Kikugawa: Faço queijos há pelos menos seis anos e demorei dois anos para me enquadrar nas exigências sanitárias.

Rica Nata: Quais as diferenças entre o Brasil e Japão que você pode observar, em questão de exigência sanitária?
Monica Kikugawa: Diria que o Japão é muito mais preocupado com a segurança alimentar. Para se ter uma ideia, o leite coletado na fazenda já vem com um relatório de análise do leite resfriado. Imagine só, o produtor me informa qual a composição físico-química do leite que coleto diariamente, ou seja, libera o laticínio de muitas análises. Outra situação também que encontramos dentro da indústria, por exemplo, meu termômetro é digital e conectado on line ao sistema de inspeção, onde eles sabem em tempo real qual temperatura estou utilizando na produção. Sem falar nas câmaras filmadoras. Lá não tem inspeção municipal, estadual ou federal. Se você estiver enquadrado e liberado para produzir, pode vender para qualquer parte do país. Não tem logica terem três órgãos de inspeções diferentes. Eles levam ao extremo o zelo pela qualidade. 

Rica Nata: Com tanta diferença, o que realmente pôde aproveitar no curso que fez de uma semana no Brasil?
Monica Kikugawa: Olha, o que vim buscar foi tecnologia. Conhecimento que pudesse me ajudar a resolver os problemas oriundos de uma produção láctea, o que no Japão não encontro e encontrei aqui no Brasil.

Rica Nata: Então atendeu a sua expectativa? 
Monica Kikugawa: Estou muito satisfeita e feliz com a disponibilidade que todos tiveram para suprir minhas necessidades. Todas minhas dúvidas foram esclarecidas, e as que ficaram ou se formaram, foi por minha própria inexperiência, uma vez que o curso em certos momentos foi até mais profundo que eu esperava. Portanto, superou minhas expectativas, e fico feliz por ter no Brasil treinamentos de tão alto nível como este que participei.

Rica Nata: Fizemos duas visitas técnicas a laticínios diferentes. Um laticínio de leite de cabra e um laticínio de leite de vaca com inspeção SIF. O que você achou dos dois?
Monica Kikugawa: A visita na indústria da agricultura familiar achei interessante, pois incentiva os pequenos produtores. O iogurte e os queijos são deliciosos. A criação do bode que deixa longe pelo menos 300 metros das cabras leiteiras, faz toda a diferença. O sabor do leite e dos queijos não são tão acentuados como de costume. Vi desde a criação das cabras ao processamento do queijo. O laticínio com SIF foi outra experiência. Destaco o quanto tem que ter aparelhos para análises no laboratório além dos controles por escrito que exigem. Diferente do Japão, onde o produtor deve ter o aparelho para fazer a análise do próprio leite. Isto diminui pelo menos 70% das análises que o laticínio precisa fazer. Por exemplo: A gordura, a proteína, o antibiótico, densidade, crioscopia, acidez, pH, além de uma vez por quinzena a CCS e a contagem total bacteriana, estas o produtor já faz. Veja o quanto facilita o trabalho da indústria e da fiscalização. Leite recebido com qualidade, é 50% do sucesso do produto.

Rica Nata: Depois desta experiência o que mudará para você?
Monica Kikugawa: Todas as técnicas aprendidas aqui, tenho certeza que ajudarão a melhorar o meu trabalho e o meu produto. Vi que estava errando em muitos pontos da produção. O meu muito obrigado pelo carinho e atenção de todos!

Para a Rica Nata foi de extrema importância termos recebido uma cursista acostumada a outros tipos de inspeção, que apesar de ter poucos conhecimentos técnicos, nos trouxe exemplos maravilhosos de como devemos encarar a questão da qualidade e mais ainda, a garantia total desta qualidade. Nosso desejo é ampliar nossos atendimentos e cursos para estreitar os laços de amizade e aprimoramento com profissionais do segmento lácteo do Brasil e exterior.

Saudações Laticínistas!
Marco Antônio Cruvinel L. Couto
Site Ciência do Leite e Rica Nata

Foto: A Equipe da Rica Nata, seus diretores e funcionários, com alunos do curso de fabricação dos derivados do leite e a nossa entrevistada recebendo seu certificado de participação.

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