20/01/2022 às 10h00min - Atualizada em 20/01/2022 às 10h00min

Perspectivas para o ano de 2022

Marco Antonio Cruvinel Lemos Couto

A cadeia láctea brasileira iniciou o ano de 2022 em 1º de janeiro, como quase todo mundo, de ressaca e sem saber quando vai passar a dor de cabeça. 

O ano que passou foi talvez um dos anos que mais selecionaram os produtores de leite. Há alguns anos o sistema de produção leiteira no Brasil vem passando por mudanças e amadurecimentos, mas nada se compara ao ano de 2021. Um dos pilares da produção de leite que é o alimento, ruiu, desmoronou. Um verdadeiro desafio que o produtor de leite teve, foi alimentar o gado de forma a ter um custo que compensasse tirar leite ou mesmo continuar na atividade. 

Por isto, o ano de 2022, está sendo de ressaca e se a questão dos alimentos (milho e soja) não se resolverem, a dor de cabeça irá continuar por muito tempo e não existe remédio que não seja ter alimento barato e de qualidade para oferecer aos animais. Talvez seja este o maior desafio de 2022 para os produtores de leite.

Em algumas partes do país, principalmente Minas Gerais, teve muitas chuvas, em alguns casos em excesso, mas o fato é que tivemos a oportunidade de plantar milho e capim para alimentar o gado. No Brasil alguns estados importantes na produção de leite, como o Paraná e Rio Grande do Sul, tiveram seca, o que pode ter atrapalhado o programa de muitos produtores de leite, e estes terão dificuldades na alimentação do seu gado. Portanto, para os produtores de alguns estados que estavam passando dificuldades para alimentar seus animais, terão a oportunidade de produzir comida diminuindo os custos da produção do leite, agora e durante a entre safra.

Outro ponto a ser observado em 2022 é se teremos um aumento de demanda interna de lácteos, e se acontecer de haver um aumento significativo no consumo, os preços do leite  e derivados podem ser pressionados para cima, melhorando a margem da indústria e principalmente do produtor. Porém, por ser um ano eleitoral e ainda com reflexos da pandemia, pode ser que este aumento na demanda não aconteça.

Por outro lado, em 2021 tivemos a balança comercial de lácteos positiva, o que não acontecia há anos, ajudando a não piorar a situação que já estava critica. O Brasil abriu novos mercados de exportação em 2021, e com um volume menor de importação também no mesmo ano, principalmente dos países vizinhos. Formou-se, assim, uma combinação de fatores que fizeram com que não aumentasse o problema na cadeia láctea.

Esperamos que os produtores que tiveram a oportunidade de produzir milho e capim para seu animal, não tenha perdido o "time”, pois o maior entrave da produção de leite e também da carne está na oferta de alimento para o animal. Também fazemos votos de que o Brasil continue abrindo novos mercados de exportação, ajudando assim a balança comercial a se manter positiva e também fortalecendo a cadeia produtiva do leite.

São os mais sinceros votos de toda Equipe Ciência do Leite.
 

Saudações Laticinístas!!


Marco Antônio Cruvinel L. Couto
Diretor Técnico/Administrativo


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