01/06/2011 às 08h59min - Atualizada em 01/06/2011 às 08h59min

Cooperativa Batavo retorna ao varejo

Em 1998, vendeu 51% das ações para a Parmalat e, no final de 2007, a Perdigão assumiu o controle da Alimentos Batávia S.A., empresa criada quando a cooperativa fez a parceria com a Parmalat. A cooperativa, que teve faturamento de R$ 680 milhões no ano passado, foi fundada em 1925 por sete produtores imigrantes da Holanda, que chegaram à região paranaense de Carambeí em 1911.

Produtos diferenciados - Nessa volta ao mercado, a Batavo quer alcançar clientes que procuram produtos diferenciados, segundo Renato Greidanus, presidente da cooperativa. A nova indústria, localizada em Ponta Grossa (PR), começará a operar em junho. A entrada no varejo não tem data prevista.O primeiro passo da cooperativa será fazer homogeneização, concentração (tirar a água) e pasteurização do leite. O objetivo é buscar novos clientes para esse produto com maior valor agregado.Localizada em uma das melhores bacias leiteiras do país, a cooperativa quer industrializar o próprio leite, hoje vendido como commodity.

Longa vida - No final do ano, e após investimento total de R$ 60 milhões, a cooperativa colocará em operação a segunda fase da indústria, quando passará a produzir leite longa vida. A produção inicial será voltada para terceiros, mantendo a marca dos produtos deles. Uma das parcerias será com a catarinense Tirol, para a qual a Batavo industrializará leite condensado.

Frísia Alimentos - A cooperativa Batavo sabe que será difícil desvincular seus produtos da marca Batavo -hoje nas mãos da BR Foods. Sem direito a essa marca, a cooperativa comercializará seus produtos com o nome Frísia Alimentos. Frísia homenageia uma região da Holanda, berço dos pioneiros da cooperativa. Os holandeses comemoram neste ano o centenário da migração da Holanda para essa região do Paraná. 

Qualidade - Dick Carlos de Geus, ex-presidente da cooperativa, diz que, "com a nova fábrica, se pretende tirar mais proveito da qualidade do leite produzido na região". "O Brasil pede alimentos com mais qualidade e o consumidor está ficando mais exigente. Agora é a hora para a produção desses alimentos diferenciados", diz ele. Na avaliação de Geus, os produtores da região estão enquadrados nessas novas exigências. "Temos qualidade e sustentabilidade".

Centenário - Os holandeses chegaram há cem anos à região de Carambeí, no centro-sul do Paraná. Geus, cujos pais foram pioneiros na região, diz que três pilares sustentaram os holandeses. Um deles foi a fé, que deixava o pessoal unido. "Mas não adianta só rezar, é preciso trabalhar. E, finalmente, quem trabalha tem de usar a cabeça, buscando conhecimento."

Cooperativa - Franke Dijkstra, um dos produtores da região -e que atua na produção de grãos, leite e carnes- diz que a cooperativa é uma ferramenta importante de mercado. Com um sistema de reaproveitamento total do lixo orgânico e de dejetos de animais, que são devolvidos como adubo à lavoura, Dijkstra diz que a terra é como uma conta bancária remunerada. "Deve haver uma troca, não só retirando [produtos dela], mas também devolvendo [os resíduos]", o que ele realmente coloca em prática em sua fazenda.


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