09/05/2011 às 08h25min - Atualizada em 09/05/2011 às 08h25min

Argentina: volume pode atingir recorde de 11 bilhões de litros de leite

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Devido às boas condições climáticas, a produção de leite da Argentina começou o ano muito bem. No primeiro trimestre, a atividade nas fazendas em todo o país cresceu mais de 16%, o que permite à indústria e aos analistas do setor projetar um ano com bons indicadores produtivos. "O aumento será de 5% e não poderia descartar um aumento entre 6% e 7%”, disse o gerente geral da empresa SanCor - indústria que mais processa leite no país, com cerca de 15% do total - , Jorge Arnaudo.
Caso a projeção mínima se cumpra (5%), a produção de leite chegaria a 10,8 bilhões de litros, mais que os 10,3 bilhões de litros produzidos em 2010. Se o aumento for ainda maior, o volume poderia superar os 11 bilhões de litros.

Qualquer que seja o tamanho da evolução, o setor primário conseguirá fechar quatro anos de crescimento consecutivo em sua intenção de escapar do estancamento que mostrou durante a década de 2000. Dentro da Argentina, a província de Córdoba é a principal produtora, com 36% do volume total.

Enquanto nas fazendas os produtores garantem contar com reservas suficientes para enfrentar o inverno, a indústria argentina vê com bons olhos o calendário comercial de médio prazo. Porém, além da volatilidade dos preços internacionais do leite em pó (principal referência no mercado mundial), os sinais emitidos pela demanda externa e o consumo doméstico abrem expectativas na cadeia.

Apesar de durante os dois últimos leilões da Fonterra o valor do leite tenha caído para US$ 4.000 a tonelada, com relação aos US$ 5.000 alcançados em março, esse nível é valorizado como positivo. "As empresas exportadoras que têm mais participação no comércio mundial garantem que um preço do leite em pó entre US$ 3.500 e US$ 4.000 é rentável”.

O consumo interno também mostra sinais de força. A preferência dos argentinos por lácteos se encontra em cerca de 208 litros por habitante por ano e é possível que cresça até 210 litros durante 2011; ainda longe dos 230 litros per capita consumidos na década de 1990, mas em crescimento. O ano eleitoral, quando as ajudas sociais aumentam, e a recomposição salarial que a população argentina tem recebido, são as razões que apoiam a firmeza da demanda doméstica. Nesse cenário, a SanCor registrou, até agora nesse ano, um crescimento de 17%.

O atual nível de negócios que mostra o setor leiteiro argentino e que tem a exportação fechando novos acordos se converteu em sustentação para os preços da matéria-prima. No entanto, os valores pagos ao produtor - cerca de 1,50 pesos (US$ 0,36) por litro - estariam próximos ao teto. Os analistas asseguram que, nos próximos meses, o leite voltará a mostrar curvas de estacionalidade nos preços, com algumas correções baixistas.

 


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