01/05/2011 às 07h53min - Atualizada em 01/05/2011 às 07h53min

Brasil só elevará exportações de lácteos em longo prazo

O setor de lácteos no Brasil tem em mãos um plano que busca ampliar o espaço do País nas exportações mundiais desses produtos, mas especialistas alertam que isso só deverá ocorrer de médio a longo prazo. 

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) preparou um estudo, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que já foi enviado para a Agência Brasil de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), disse à Reuters um representante da organização que reúne as cooperativas do País.

"Elaboramos um planejamento estratégico para determinar mercados prioritários, que já foi enviado para a Apex, e agora esperamos pela avaliação deles", disse Evandro Ninaut, gerente de Mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Segundo ele, se aprovado, este planejamento deve gerar um Programa Setorial Integrado (PSI), que definirá sete a oito mercados prioritários e as dificuldades e oportunidades para os produtos lácteos brasileiros.

"As discussões são iniciais, mas (o plano) não deve ficar restrito a cooperativas e pequenos produtores. Pretendemos ter várias reuniões com empresas até o final do ano", afirma Ninaut.

O MDA deu o passo inicial por conta do peso dos pequenos e médios produtores, que representam cerca de 80% do setor. Já a OCB foi incluída porque as cooperativas também têm atuação expressiva, sendo responsáveis por 40%, ou cerca de 8,4 bilhões de l produzidos em 2010 (muitos dos pequenos e médios produtores são associados às cooperativas).

A OCB aposta na África, Oriente Médio e, em menor escala, a Ásia, como mercados potenciais e aponta mais dificuldades para entrar na União Europeia e Estados Unidos.

Longo Prazo

Para o diretor executivo da consultoria Bigma, Maurício Palma Nogueira, é uma iniciativa que tende a beneficiar o setor somente no prazo mais longo. "Quando empresas se reúnem para ter uma estratégia para os próximos anos é sempre interessante para o país", disse Nogueira. "A iniciativa é coerente porque o Brasil tem espaço grande para crescer (no setor de leite)", acrescentou.

O executivo considera que o Brasil é o país que terá mais condições de aumentar o fornecimento para atender a crescente demanda mundial, a partir do aumento da produtividade, já que os demais produtores enfrentariam limitações de área e custos maiores para elevar a oferta.

Déficit

Em 2010, o déficit na balança comercial de lácteos brasileira - que inclui leite em pó, queijos, leite condensado, iogurte, manteiga e leite - foi de US$ 174 milhões, observou Glauco Carvalho, pesquisador da Embrapa Gado de Leite. O último superávit na balança do setor foi registrado em 2008, quando atingiu US$ 328 milhões, seguido por dois anos de déficit. Somente no primeiro trimestre deste ano, o setor já apresenta saldo negativo de US$ 111 milhões.

Atualmente, o Brasil exporta principalmente para os países da América Latina e África, mercados mais instáveis e menos exigentes. O pesquisador observa que para ganhar espaço no mercado internacional, o Brasil terá de competir com a Nova Zelândia, União Europeia, Argentina e Estados Unidos, países que têm custos de produção menores.

As informações são da Reuters, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint. 


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