02/03/2011 às 10h14min - Atualizada em 02/03/2011 às 10h14min

Abertura da Expoagro exibe problemas que afetam a agricultura familiar

Afubra

Os percalços que têm afetado os produtores rurais das pequenas propriedades, em especial os fumicultores, foram temas que dominaram os discursos da abertura da Expoagro Afubra 2011. A solenidade foi realizada na manhã desta terça-feira, 1º de março, e teve a presença de líderes e produtores rurais, que acompanharam o início do evento no Parque de Exposições, em Rincão del Rey, município de Rio Pardo/RS.

O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, disse que os pequenos produtores rurais produzem tabaco por necessidade, para poderem continuar no meio rural “Nossa atividade é pertinente à agricultura familiar, além do tabaco, produzimos alimento, embora não sendo a atividade principal”, lembrou. “E ainda somos alvo de discriminação, sofremos restrições a financiamentos e, o que é pior, não temos o devido reconhecimento de parte da sociedade e de algumas lideranças”, lamentou. “Não queremos tratamento diferenciado, queremos ter os mesmos direitos e deveres, queremos que ouçam as nossas reivindicações e considerações, sentando-nos em cadeiras iguais ao redor da mesa da democracia.”

Ao comentar sobre as dificuldades enfrentadas pelos fumicultores, Werner lembrou as consultas públicas promovidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Os conteúdos, se aprovados, resultarão em prejuízos ao setor e, consequentemente, ao Estado e ao País, como o aumento do contrabando e a queda de arrecadação”, disse. “É uma atitude questionável, pois passaremos a exportar empregos e renda ao invés de tabaco”, lamentou. “Exportar empregos e renda não significa, neste caso, vender um produto pelo qual se teria o devido retorno, mas possibilitar que outros países desempenhem um papel que era nosso, tirando emprego e renda de nossa população.”

O presidente da Afubra falou ainda que o preço médio pago pelo tabaco está aquém do esperado, comprometendo a lucratividade do produtor. “Além disso, os fumicultores e o setor sofrem com medidas autoritárias e represálias provenientes de diversas áreas”, comentou. Ao finalizar seu discurso, Werner lembrou que, mesmo com cenário adverso, os organizadores da Expoagro buscam fazer a sua parte. “Acreditamos no trabalho realizado nas pequenas propriedades e sabemos do potencial de nossa gente, sentindo-nos comprometidos com seu sustento e com a continuidade desse importante e pioneiro elo da economia, que é a agricultura.”

O delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Nilton Pinho de Bem, representando o ministro Affonso Florense, disse que os agricultores familiares vivem problemas de preços porque os insumos cortam boa parte da sua renda e, do outro lado, seus ganhos são reduzidos por causa dos preços dos seus produtos no mercado, dominado por grandes empresas. “Faz parte da nossa ação como poder público criar programas para proteger os produtores”, falou. “O governo federal vai sempre se colocar do lado da agenda da saúde pública, mas não vai aceitar coibição à atividade econômica vinculada ao tabaco”, explicou, ao falar da assinatura da Convenção-Quadro. “A produção de tabaco vai andar até onde o mercado assim o disser por que é assim que se regulam as questões econômicas do nosso país.”

O deputado estadual Edson Brum, representante do presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Adão Villaverde, mostrou preocupação com o setor do tabaco, principalmente com a repercussão das consultas públicas da Anvisa. “No meu modo de ver não é competência da Anvisa e sim do Congresso Nacional, legislar sobre esses temas”, opinou. “Isso não é um problema só dos produtores e, por isso, há a necessidade de discutir e rediscutir muito bem esse assunto”, completou. Ele também lembrou da preocupação com o contrabando de cigarros. “Quase 30% do consumo de cigarros é contrabandeado”, disse. Entre outros problemas que afetam o produtor rural na atualidade, Brum falou sobre o novo código florestal que está em discussão. “A maioria dos produtores rurais poderá vir a ser criminalizada pelo uso de suas terras para cultivar a sua lavoura.”

Por sua vez, o deputado federal Alceu Moreira, falando em nome da Câmara Federal, disse que um grande problema para os produtores rurais é a formação dos preços de cima para baixo. “O bolso do produtor é assaltado com o sistema de formação dos preços”, lamentou. “O produtor rural deve ser protegido e não escravizado”, salientou. Moreira também falou que o cidadão deve ir para a lavoura plantar sabendo quais vão ser os resultados da sua produção. “Para isso é preciso planejamento e garantias para produção de médio e longo prazo.”

E o prefeito de Rio Pardo, município sede da Expoagro, Joni Lisboa da Rocha disse que a Expoagro Afubra mostra o que existe de mais avançado para melhorar a qualidade de vida do produtor rural. “A feira nos permite também apresentar nossas dúvidas e anseios, pois é preciso estar atento e reivindicar e a Afubra faz isso em nome dos agricultores”, disse. “Aqui é a festa da democracia e do conhecimento, pois aqui temos a oportunidade de apresentar reivindicações”, elogiou. 

Sobre a problemática atual a respeito das pequenas propriedades produtoras de tabaco, o Prefeito comentou que são milhares de famílias que dependem da cultura. “O fumo é um patrimônio de 200 mil famílias e só no Rio Grande do Sul são 90 mil famílias que dependem do tabaco”, disse. 

O secretário Estadual de Infraestrutura e Logística do Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque, explicou que o governo gaúcho está estudando políticas públicas para tornar o Estado protagonista em sua política. Ele também enumerou as obras públicas, especialmente rodovias e eletrificação rural, que deverão dar mais condições para o setor rural produzir e transportar. Albuquerque falou que a intenção é construir e melhorar acessos porque o governo do Rio Grande do Sul tem compromisso com a agricultura familiar.

Patrocinadores
A Expoagro Afubra 2011 tem o patrocínio da Pioneer Sementes, Sicredi, Husqvarna, Banco do Brasil, Nortox, Tramontina, Massey Fergusson e Banrisul. As atividades contam também com a participação da Emater-RS Ascar, Irga, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Governo do Estado do Rio Grande do Sul.


 


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