04/02/2011 às 16h49min - Atualizada em 04/02/2011 às 16h49min

Queijo de coalho tenta atestar origem nordestina

Júlia Arraes

Ele pode até não ser considerado oficialmente um patrimônio cultural como seu primo mineiro, mas é, sem dúvida, presença obrigatória na mesa de quase todo pernambucano. Puro ou acompanhado. Assado ou natural. Não há quem resista ao sabor levemente ácido do tradicional queijo de coalho da Região Nordeste.

Produto tradicional do Nordeste pode ser reconhecido, padronizado e ganhar um selo de indicação do procedência. Objeto de estudo científico, o coalho ganha espaço no 27º Congresso Nacional de Laticínios, que acontece até hoje em Juiz de Fora, Minas Gerais. O trabalho intitulado O queijo de coalho do Agreste de Pernambuco: história e reputação para reconhecimento de indicação geográfica mostra a importância cultural e histórica da produção do produto no contexto regional, buscando sua valorização. 

Os responsáveis pelo estudo são o gestor do Centro Tecnológico de Laticínios (CT Laticínios) Benoit Paquereau, a professora do curso de História da Universidade de Pernambuco (UPE) Maria Giseuda Machado e a historiadora Sônia Romualda Napoleão Carvalho. A pesquisa é apenas parte dos esforços que vêm sendo realizados para tornar o tradicional queijo de coalho um produto reconhecido, padronizado e com um selo de indicação de procedência do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Segundo Benoit, com o selo de indicação geográfica, a produção do queijo de coalho seria exclusiva da região Nordeste e nenhum outro local poderia usar a nomenclatura queijo de coalho para comercialização.

É como uma espécie de patente, que ocorreu, por exemplo com o champagne, que leva o nome da região Champagne, na França, e com o queijo parmesão, produzido exclusivamente em Parma, na Itália. No Brasil, o modo artesanal da fabricação do queijo em Minas Gerais foi registrado em 2008 como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A apresentação do trabalho ocorre hoje e vai focar na importância histórica do processo produtivo do queijo. De acordo com Benoit, o reconhecimento nacional é um passo importante para valorização do produto. Além disso, ele ressalta a importância cultural e até mesmo turística para a região da bacia leiteira, que abrange 44 municípios, sendo Garanhuns um dos maiores.

É lá, aliás, onde será construído o Museu do Queijo de Coalho de Pernambuco, no prédio do histórico Mosteiro do Bom Pastor. A iniciativa se destina a proporcionar o fortalecimento do setor leiteiro, possibilitando mais apoio aos pequenos produtores de queijo daquela região.

Segundo a professora Maria Giseuda, a pesquisa comprova a reputação do queijo de coalho no Agreste, inclusive com registros da imprensa local e nacional de mais de um século. "A cultura do leite e do queijo está impregnada no Agreste provavelmente desde que o gado foi transferido da Zona da Mata para dar lugar à cultura canavieira mais intensiva no litoral", diz.

Além dessa importância histórica e social, Benoit lembra que com o selo de indicação geográfica, a qualidade do produto será garantida. A ideia é unir a tradição à excelência. "A gente procura se manter próximo da ideia do produtor inicial, sem muitas mudanças. Mudamos apenas em relação às práticas de higiene dos produtores, animais e utensílios". 

juliaarraes.pe@dabr.com.br


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