19/07/2010 às 07h18min - Atualizada em 19/07/2010 às 07h18min

Chácaras de leite do Mato Grosso ampliam a produtividade com programa

Agência Sebrae de Notícias

Três produtores de leite de Chapada dos Guimarães e de Campo Verde, no Mato Grosso, conseguiram dobrar a produtividade após seguirem orientações do projeto Balde Cheio, iniciativa do Sebrae, Embrapa, prefeituras e indústrias de beneficiamento do produto. O programa permite a organização de toda a atividade leiteira na propriedade, monitoramento das vacas com diversos indicadores (levantamento sanitário) e o controle de custo dos insumos para melhorar a qualidade do lucro de sítios e chácaras. 

No Sítio União, em Chapada (64 Km de Cuiabá), propriedade oficial acompanhada pelo Balde Cheio, o produtor Antonio Divino da Costa, 58 anos, o “seo” Antonio, explica que no começo, há um ano, não acreditava nas recomendações do projeto, mas foi convecido pelos números da pequena propriedade. “Antes eu tinha 37 hectares e tirava 130 litros de leite por dia. Agora, em meio hectare, tiro 120 litros”, conta, tendo ainda a vantagem de ter vendido uma parte da propriedade para reinvestir na pecuária leiteira. 

O resultado também é benéfico para o caso dos subprodutos, como o queijo. “Antes eu fazia sete a 10 queijos por dia. Agora, só com o leite da tarde, 50 litros, faço sete queijos.” O produto tem selo de certificação e inspeção da prefeitura. 

Uma das mudanças ocorridas no sítio é que agora, nos 5 mil m² separados para acompanhar o projeto, há cuidados com o capim e formação de piquetes, em tamanhos de 13m X 18m em média. Quando as vacas não estão ali no sistema rotacionado, elas comem “cana, casquinha de soja e milho” complementados com ureia. As seis vacas do projeto comem cerca de 60 quilos de cana por dia. 

O ganho está também nas duas ordenhas diárias, de manhã e à tarde. Antes, diz o sitiante, seis vacas fora do Balde Cheio forneciam no máximo 15 litros cada; atualmente elas dão 120 litros, ou 20 litros cada. “Das seis vacas, antes do projeto, a melhor de leite era de 15 litros. Agora, passou para 28 litros. Dobrou a quantia com as mesmas vacas.” 

“Seo” Antonio constata: “produzir como antigamente já era. hoje precisamos do técnico”. No intervalo de um ano, ele ainda foi conhecer o modo de produção em uma pequena propriedade no interior de São Paulo. 

Custo 
Em outra ponta do programa, o técnico Júnior Colombo, da Embrapa, orienta a anotação rigorosa de todo o custo do sítio para que o produtor saiba quanto emprega de investimento e comparar para saber o seu lucro. “Primeiro, eu não anotava nada. Agora, se comprar um prego, anoto”, confirma o pequeno produtor. Ele tem ajuda do filho de 28 anos para as anotações, como muitos proprietários. 

Por meio de uma metodologia inovadora, técnicos o projeto Balde Cheio ministram aulas práticas com a finalidade de reciclar o conhecimento de pesquisadores, técnicos e produtores rurais da agricultura familiar. As propriedades atendidas pelo projeto recebem a visita de técnicos da Embrapa durante os quatro anos de duração do projeto. 

Dobro da produção 
Dois pequenos produtores rurais de municípios próximos também melhoraram em 100% o rendimento no leite com as orientações do projeto Balde Cheio. No Assentamento 28 de Outubro, em Campo Verde, 139 Km de Cuiabá, o produtor rural Osmar Marcílio da Silva reforça o desenvolvimento da iniciativa do Sebrae, prefeituras de Campo Verde e Chapada dos Guimarães e a Embrapa. “Antes do projeto, tirava 70 a 75 litros de leite com 14 vacas. Agora, com o projeto e 13 vacas, tiro em torno de 160 litros”, informa Osmar, há 12 anos na atividade. 

Em sua propriedade de 0,6 hectare, o projeto também completou um ano em junho. Ele tem potencial para crescer, pois das 13 vacas leiteiras, nove são criadas a pasto e quatro no piquete. “As que estão no piquete dão 82 litros de leite por dia. E as que estão fora, no pasto, 80 litros”, compara a pecuária praticada pelo projeto e a tradicional. 

Perto do Sítio União, próximo ao Rio da Casca, em Chapada, Alex Moreira, é direto quando perguntado sobre os resultados do projeto: “Eu tirava 35 a 40 litros de leite na seca. Agora, tiro 85 a 90 litros, mais que o dobro. Só que com duas ordenhas, antes era uma”. Antes de participar do projeto, ele tinha 18 vacas e agora, tem 13. 

Os produtores recorrem a práticas associativista para obter escala. É Alex quem conta: “Faço um pacote de tudo o que preciso. Compramos reunidos, eu ,“seo” Antonio, outro proprietário, Roberto. Adubo, eu compro junto com produtor de soja”. Ele só reclama dompreço caro do o frete do calcário, R$ 24,00 por tonelada, utilizado como corretivo do solo. 

O gestor do projeto pelo Sebrae-MT, Aureliano Pinheiro, informa aos produtores os objetivos gerais do projeto em cada pequena área de agricultura familiar de leite que visita. “Estamos no ajuste de canal de comercialização e o cuidado com a propriedade. O bom animal produtor de leite precisa ter a propriedade estruturada. Uma das receitas do programa é a cana e pasto.”


Fonte: Agência Sebrae de Notícias


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