23/06/2021 às 11h16min - Atualizada em 23/06/2021 às 11h16min

Agroindústria familiar se torna alternativa em meio à crise provocada pela pandemia, diz Emater/RS

Tem sido praticamente uma unanimidade entre os agricultores familiares dos vales do Taquari e Caí: apesar dos efeitos devastadores da pandemia de covid-19, a busca por alimentos mais saudáveis ou menos industrializados parece estar aumentando. Aliás, não são poucas as pesquisas que têm comprovado a tese de que a população tem optado por comida de verdade. Ao menos é o que mostra um levantamento feito pelo Google Trends Brasil, que aponta um crescimento de 136% de buscas sobre como aumentar a imunidade.

Com a promoção da saúde e a prevenção de doenças em alta, os produtores gaúchos têm enxergado aí uma oportunidade: com o apoio da Emater/RS Ascar, em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) do Governo do Estado, muitos têm acessado o Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), o que, finalmente, tira o empreendimento do papel, tornando-o legal nas esferas sanitária, fiscal e ambiental. E ainda com a possibilidade de utilizar o Selo Sabor Gaúcho, destaca o extensionista da Emater/RS-Ascar, Alano Tonin.

Este é o caso da Agroindústria Bel Formaggio, de Coqueiro Baixo, que produz queijo colonial, coalho e temperados de sabores variados, como orégano, ervas finas, pimenta calabresa e tomate seco. Até o começo do ano passado, a elaboração de queijos pela família de Cláudio e Lisiane Martini ocorria apenas na informalidade, com algum excedente vendido para amigos, vizinhos e parentes. Desde criança, a mãe (a dona Lourdes) fazia, mas era mais para o nosso consumo, explica Cláudio.

Com a consolidação do rebanho leiteiro, atualmente com 16 vacas em lactação, que produzem cerca de 250 litros de leite por dia, e a chegada da pandemia, o casal foi percebendo certo aumento da procura pelos queijos, o que motivou a busca pela formalização, que ocorreu em outubro último. Os investimentos, ainda que altos no começo, compensam, salienta Lisiane, que explica que, atualmente, a produção de 75 quilos de queijos a cada dois dias é vendida no comércio local, em padarias, pizzarias, lancherias e mercado direto.

Lisiane afirma que a procura aumentou tanto que, em certos dias, recebem visitas aleatórias de interessados. Dia desses parou um casal de Canoas aqui na frente, recorda Cláudio. E o pior é que eu não tinha nada de queijo para ofertar naquele momento, sorri. Para o casal, esse tipo de ocorrência também evidencia a busca pelo sabor mais caseiro, que muitas vezes se mistura com o aspecto nostálgico do gostinho da colônia. Nesse sentido, Cláudio destaca que a receita é praticamente igual a da mãe, aprimorada pela realização de cursos, como o de Boas Práticas de Fabricação, oferecido pela Emater/RS-Ascar.

Atenta a esse contexto, a Emater/RS-Ascar tem atuado de forma permanente ao lado dos agricultores familiares interessados em empreender, como forma de estimulá-los a sair da informalidade, especialmente em tempos difíceis como o da pandemia. Não por acaso, foram 11 novas agroindústrias formalizadas, somente em 2020, salienta Tonin. Estas, se juntam a outras 150 que operam de forma legal nos vales do Caí e Taquari, comercializando os mais variados produtos, de chimias e compotas, passando por sucos e mel, até chegar a queijos e embutidos.

Para Tonin, a agroindustrialização familiar também é uma forma de socialização e até mesmo de alteração da política de consumo pela população, condição que reduz o número de intermediários, mantém os agricultores familiares no campo e estimula-os a terem o seu próprio negócio, analisa.

No Estado, mais de 3,6 mil empreendimentos estão formalizados via Peaf, com a agricultura familiar sendo responsável por 70% da alimentação que vai para as mesas dos brasileiros.

Interessados em saber mais sobre a política pública podem procurar os escritórios da Emater/RS-Ascar espalhados pelos municípios gaúchos.


Fonte: Emater/RS-Ascar
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