04/12/2018 às 10h31min - Atualizada em 04/12/2018 às 10h31min

Leite embalado é leite de qualidade

João Luis dos Santos
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Geralmente, utilizamos o termo qualidade para falar de um produto em seu estágio final, mas, com um pouco mais de reflexão, podemos chegar à conclusão de que o mais adequado é estabelecermos essa relação com todos os passos do processo produtivo. No caso do leite, por exemplo, toda a água utilizada para a sua obtenção tem papel fundamental no resultado final, desde o que se disponibiliza ao animal até os recursos aplicados para a manutenção dos equipamentos.  

Talvez isso possa parecer óbvio num primeiro instante, mas será que realmente é? Em recente estudo pela Escola de Agricultura Luiz Queiroz, a Esalq da USP, que verificou a qualidade do leite cru de três laticínios localizados nos municípios de Brotas, Pirassununga e Piracicaba, todos no Estado de São Paulo, foi possível identificar que entre os laticínios avaliados, cerca de 70% do leite estava com altas taxas de contaminação. E não é só isso: das 75 fazendas fornecedoras de leite, 77.3% foram identificadas como tendo condições insatisfatórias para a prática produtiva, inclusive no quesito higienização. 

Quando se pensa nesses pontos, logo pode surgir a questão de que muitos produtores ainda não têm condições de fazer os investimentos necessários para se adequar às exigências do mercado. Mas, no caso da água, esse não é o principal empecilho. Para se ter uma ideia, cada 1.000 litros de água tratada custa apenas R$ 0,002, mais um investimento inicial de, em média, R$ 200,00 em equipamentos.  E aqui estamos falando de um sistema que pode oferecer água tratada para consumo animal ou outras atividades dentro da fazenda. Os valores foram baseados no consumo médio de água numa propriedade produtora de leite

Nesse sentido, os empresários do setor agroindustrial, independente do tamanho, podem implantar sistemas de tratamento de água, garantindo a segurança alimentar dos consumidores e a adequação nas normas controladoras da qualidade do leite. A Beraca, por exemplo, desenvolve soluções integradas para o tratamento de águas industriais e saneamento básico por meio de sua divisão Water Technologies, como o Programa de Apoio à Qualidade do Leite, que busca minimizar ainda mais os riscos à saúde humana através da aplicação correta de sanitizantes em todas as etapas de produção. 

A água potável e tratada, além de diminuir o CCS (Contagem de Células Somáticas) e a contaminação do leite, contribui para a melhoria do bem-estar dos animais, tornando-os mais sadios e produtivos, fatores essenciais para a qualidade do leite – assunto de discussão nas normativas que prevêem a padronização do alimento. 

De olho nesse padrão de qualidade, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) determinou novos parâmetros para a produção do leite nacional. Para os pecuaristas do setor se adequarem às novas exigências da Instrução Normativa nº51, o órgão prorrogou por seis meses a entrada em vigor da próxima etapa – prevista para julho deste ano, que exigirá a redução do limite de contagem bacteriana total (CBT), que atualmente é de 750 mil Unidades Formadoras de Colônia (UFC) por mililitro, para 100 mil UFC/mil – uma redução de quase 87%. 

Portanto, quando pensar novamente em qualidade do leite, não assimile o termo somente ao produto final. Ao contrário disso, devemos avaliar todos os pontos que formam a cadeia produtiva, desde a ordenha, até a chegada do produto pronto para consumo em sua casa. Com investimentos de baixo e médio custo, o setor já pode adotar essas especificações normativas, por meio de tecnologias confiáveis para sanitizar e deixar a água livre de bactérias.

*Valores baseados no consumo médio de água numa propriedade produtora de leite

João Luis dos Santos é especialista em gestão da qualidade da água na produção animal e responsável pelo departamento de Desenvolvimento de Produtos para o mercado agropecuário da Beraca
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