19/04/2010 às 09h54min - Atualizada em 19/04/2010 às 09h54min

Déficit na balança de lácteos aumenta 420% em abril, diz CNA

CNA

O déficit na balança comercial de lácteos aumentou 420% em abril na comparação com os números de março, atingindo resultado negativo de US$ 19,05 milhões. O valor é resultado de US$ 13,4 milhões em exportações e US$ 32,5 milhões em importações. Em março deste ano, o saldo negativo na balança de lácteos havia atingido US$ 3,65 milhões, representando US$ 12,07 milhões em exportações e US$ 15,72 milhões em importações. Em abril do ano passado, a balança comercial de lácteos foi deficitária em US$ 6,21 milhões, ou seja, houve um crescimento de 206% do resultado negativo na comparação com abril deste ano. 

No acumulado do primeiro quadrimestre, o déficit da balança comercial de lácteos atinge US$ 38,38 milhões. É um valor 124% maior que o saldo negativo de US$ 17,07 milhões apurado em igual período de 2009. Os números da balança de lácteos, ressalta o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNPL) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Sant’anna Alvim, comprovam que há, sem dúvidas, agravamento no déficit na balança comercial de lácteos, o que exige atenção quanto à possibilidade de o País estar sendo alvo de ações de práticas desleais de comércio, o que prejudicaria o setor produtivo nacional. 

Em abril de 2009, o Brasil fechou um acordo de cotas e preços com a Argentina para evitar que o mercado interno fosse invadido por produto oriundo de importações daquele país. O governo brasileiro não conseguiu, no entanto, fechar acordo com o Uruguai, quando foi imposta cota de 10 mil toneladas de leite em pó para o segundo semestre de 2009. No início de 2010, entretanto, houve uma mudança nas relações comerciais entre os dois países. O governo brasileiro abriu novamente o mercado interno aos lácteos uruguaios, em troca de cotas de exportação de carne de frango para o país vizinho. 

“Nessa barganha, o pecuarista de leite brasileiro saiu bastante prejudicado”, adverte Rodrigo Alvim. A valorização do real frente ao dólar, por outro lado, impede o crescimento das exportações de lácteos brasileiros, destaca o presidente da CNPL/CNA. “Não é admissível que o Brasil abra totalmente seu mercado para os produtos lácteos do Uruguai, uma vez que a liberação das fronteiras para a carne de frango brasileira não foi total, mas de apenas 120 toneladas por mês”, afirma Alvim. 

A quantidade importada de produtos lácteos uruguaios aumentou 349,8% em abril frente a março. O volume de leite longa vida que ingressou no Brasil foi 128% maior, sendo que o Uruguai foi responsável por 69% do total. Em relação à manteiga, o total importado passou de 132 toneladas, em março, para 623 toneladas, em abril, sendo o Uruguai responsável por 80% deste volume.

 


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