18/02/2010 às 16h50min - Atualizada em 18/02/2010 às 16h50min

Fabricação de iogurte impulsiona produção leiteira em Senhor do Bonfim

Agência Sebrae de Notícias

Quicé, que significa “faca velha e sem ponta” na língua tupi, é um distrito localizado a 18 km do município de Senhor do Bonfim, onde moram pouco mais de 3 mil pessoas. A maioria sobrevive da atividade rural, com destaque para a produção de leite de vaca e de cabra (média diária de 14 mil litros durante a safra). Lá está localizado o Laticínio Quicé, criado pela Associação dos Pequenos Agricultores de Quicé (APAQ), que começou a produzir iogurte em junho do ano passado. “O laticínio foi uma alternativa para quem só criava cabras para o abate ou vendia o leite muito barato”, lembra o presidente da Associação criada em 1986, Marcos Evangelista. 

Na seção de frios e laticínios do supermercado Andorinha, centro de Senhor do Bonfim (380 km de Salvador), falta iogurte Quicé. Os 150 kg comprados na semana foram vendidos rapidamente. “Aqui o preço do iogurte Quicé nem é o mais barato. Os clientes compram pela qualidade”, afirma o vendedor Joselito Brasileiro. 

Ali perto, no supermercado Rodrigues, restam algumas unidades e o vendedor fala de outro bom motivo para a grande procura. “Muita gente compra porque esse iogurte é feito aqui mesmo no município”, diz Jair Bartiloti, lembrando a valorização que a população local dá ao produto da região. 

No Lar dos Idosos Fabiano de Cristo, onde vivem 21 idosos, entre os produtos servidos na merenda, o iogurte Quicé faz sucesso. “Pode comprar que é bom”, recomenda dona Ermínia Barros, 80 anos. O iogurte é servido pelo menos duas vezes na semana. O lar recebe 70 kg do iogurte Quicé semanalmente e distribui também aos familiares dos idosos. 

Consultoria especializada 
O baixo preço pago pelas grandes indústrias de laticínio pelo leite in natura e as perdas por acidificação do leite, em função das elevadas temperaturas da região, traziam prejuízos que foram minimizados com o laticínio. 

A capacidade de produção diária do produto é de 10 mil litros. Inicialmente, a proposta era beneficiar leite de cabra. Como a oferta de matéria prima era pequena, foi feita uma parceria com outra entidade local, a Associação dos Produtores de Leite do Quicé (APLEQ), que fornece leite de vaca para viabilizar a produção diária do iogurte. 

A gestão da associação é apoiada pelo Sebrae na Bahia, através de consultoria especializada nas áreas financeira e fiscal e assessoria gerencial desde o início do empreendimento. A estratégia de buscar primeiro o mercado não foi por acaso, segundo explica o gestor do Sebrae/BA, Carlos Robério Araújo. “Intensificamos esforços para anteciparmos a comercialização antes do início do funcionamento ”, diz Araújo. 

Atualmente, o laticínio vende praticamente tudo que produz. O faturamento é destinado aos custos de produção, mas, para 2010, a Associação dos Pequenos Agricultores de Quicé espera os primeiros lucros. Os resultados sociais também são contabilizados: sete empregos diretos; 30 produtores cadastrados; seis entidades beneficiadas; 250 famílias; 2,4 mil crianças (através da merenda escolar) e 50 idosos. 

A iniciativa faz parte das atividades do projeto da caprinocultura leiteira de Quicé e teve o apoio do Sebrae/BA, Fundação Banco do Brasil e Prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim.


 


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