17/02/2010 às 16h48min - Atualizada em 17/02/2010 às 16h48min

Laticínos Bom Gosto diz que concorrentes terão de reduzir custos

Valor Econômico

O presidente da laticínios Bom Gosto, Wilson Zanatta, disse que os preços que a empresa pratica para o leite longa vida no Nordeste são competitivos (...) mas não de uma maneira predatória, como acusam seus concorrentes naquele mercado. Respondendo à denúncia de concorrência desleal feita por sindicatos de laticínios de Alagoas e Ceará, Zanatta afirmou que jamais passou pela cabeça vender abaixo do preço de custo. Acrescentou que a acusação causou estranheza e que quando o mercado está ruim todo mundo quer procurar um culpado. 

No dia 21 de janeiro, o Sindicato das Indústrias de laticínios e Produtos Derivados do Estado de Alagoas (Sileal) e o Sindicato da Indústria de Laticínio de Produtos e Derivados no Estado do Ceará (Sindlaticínios), apoiados pela Associação das Indústrias de laticínios do Norte/ Nordeste (Ailane), entraram, no Ministério Público Federal de Pernambuco com uma denúncia de concorrência desleal por prática de preço predatório contra a empresa. Os sindicatos acusam a gaúcha Bom Gosto de praticar underselling: vender leite longa vida a preços abaixo do preço de custo ou bem próximo do preço de custo no Nordeste. 

Segundo os laticínios nordestinos, a Bom Gosto estaria praticando preços predatórios desde abril de 2009, logo depois de entrar no mercado do Nordeste com a compra da fábrica que pertencia à Parmalat em Garanhuns (PE). 

Na ação contra a empresa gaúcha, os sindicatos anexaram relatório da Nielsen que mostra que no bimestre abril-maio de 2009 a Bom Gosto vendeu leite longa vida com preço 15% abaixo do valor médio de mercado no Nordeste e no bimestre agosto/setembro, 14% abaixo. Nesse bimestre, também já era líder do mercado, com 21,5% dos volume de leite da região. 

Zanatta disse que, na média, os preços da Bom Gosto no Nordeste são mais baixos porque suas vendas estão concentradas em grandes redes de varejo, que compram volumes maiores e por isso negociam preços menores do que o varejo de menor porte. 

Observando que os preços refletem também políticas do varejo, o empresário afirmou que há leite de outras empresas comercializado a preços baixos nos supermercados do Nordeste. Por e-mail, enviou ao Valor fotos de leite longa vida da alagoana Vale Dourado sendo vendido a R$ 1,19 o litro no Carrefour, em Fortaleza, no dia 26 de janeiro, e leite da cearense Betânia por R$ 1,09 no CBD de Salvador, em janeiro. Na ação entregue ao MPF, os sindicatos anexaram cópias de panfletos da rede Bompreço mostrando leite da Bom Gosto a R$ 1,17 por litro entre os dias 15 e 17 de janeiro. 

De acordo com Zanatta, o preço de venda do leite da Bom Gosto para o varejo do Nordeste hoje está perto de R$ 1,30. Ele não revelou os custos de produção da empresa na região, mas disse que estão bem abaixo dos R$ 1,42 por litro estimados pelos sindicatos na denúncia.

Com a entrada de players grandes no Nordeste, eles terão de mudar a forma de trabalhar, terão de reduzir custos, disse, referindo-se aos laticínios concorrentes. O presidente da Bom Gosto afirmou que consegue ter custos mais baixos que dos concorrentes em decorrência de vantagens logísticas - Garanhuns está no máximo a 400 km das grandes cidades do Nordeste. Além disso, há otimização da capacidade de fábrica, disse.

Questionado se o fato de o BNDES participar do capital da Bom Gosto torna a empresa mais competitiva, Zanatta tergiversou, mas admitiu que o apoio do banco de fomento dá à companhia capacidade de crescer. Por que o setor de leite não pode ter a participação do BNDES?, indagou.

A BNDESPar tem participação de 34,6% no capital da Bom Gosto e tem apoiado o crescimento da companhia. Desde 2007, a empresa fez sete aquisições, incluindo Garanhuns. Comprou os mineiros DaMatta e Santa Rita, os gaúchos Corlac e Nutrilat, uma unidade que era da Nestlé em Barra Mansa (RJ) e incorporou a paranaense Líder numa operação de troca de ações. Também adquiriu a catarinense Cedrense há três meses.

Zanatta também atribuiu as queixas dos concorrentes às más condições do mercado, que já começa a melhorar. A produção de leite no Nordeste cresceu acima da média de outros anos e ainda estamos sofrendo o efeito retardado da crise mundial, argumentou.

Ele admitiu que prejuízo em alguns meses do ano é algo que ocorre no setor. Também não estou satisfeito, disse. Queremos ser líderes no Nordeste em preço também, acrescentou.

Alda do Amaral Rocha

 


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