14/02/2010 às 16h47min - Atualizada em 14/02/2010 às 16h47min

Preços do leite sinalizam recuperação em Minas Gerais

Folha de Londrina

A expectativa em torno da recuperação dos preços do leite no mercado internacional já começa a se refletir no mercado interno. Os primeiros sinais de retomada, conforme o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, foram observados ao longo de janeiro, em plena safra, quando os valores do produto no mercado spot, em Goiás, segunda maior bacia leiteira do País, subiram em torno de R$ 0,10/litro. Em Minas, a valorização atingiu de cinco a seis centavos por litro. 

O resultado pode ser atribuído à melhoria das cotações no mercado internacional e ao incremento da demanda por parte das indústrias. Quando há recuperação de mercado e há necessidade de matéria-prima, as cotações do spot reagem. É o que está acontecendo neste momento, explica Alvim. 

O último levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontou uma queda de 5,45% na média nacional dos preços pagos aos produtores de leite, referentes à produção entregue em novembro. A média considera sete estados (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC) e atingiu R$ 0,6024/litro. De agosto a dezembro, houve queda de 17,2 centavos por litro. Entretanto, conforme o próprio Cepea, a tendência baixista seria encerrado no mês passado. Especialistas indicam que os preços poderão subir a partir de março. 

As sinalizações, conforme o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA, confirmam as perspectivas de que o setor de alimentos e, dentro dele o segmento de lácteos, se recuperaria mais rápido do que outros, após a crise financeira internacional. Além disso, é um alento para o setor que fechou o ano passado com o primeiro deficit na balança comercial de lácteos em cinco anos. 

Dados da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que no acumulado do ano, na comparação com 2008, a receita com as exportações de produtos lácteos caiu 69,2%, para US$ 166,8 milhões, sendo que o volume vendido foi 53,5% menor, de 69,1 mil toneladas. Em contrapartida, as importações subiram 24,2%, para US$ 264,8 milhões, com um crescimento de 70,9% no volume, de 133,1 mil toneladas. Com isso, o saldo da balança comercial passou de um superávit de US$ 328,4 milhões em 2008, para um deficit de US$ 98 milhões no ano passado. 

Grande parte deste resultado foi influenciada pela entrada expressiva de leite em pó proveniente da Argentina e do Uruguai no País, a preços abaixo do mercado internacional, nos primeiros quatro meses de 2009. Um compromisso foi firmado no final de abril entre os pecuaristas brasileiros e o Centro da Indústria Leite Argentina, para limitar as exportações do produto em pó para o Brasil em até 2,5 mil toneladas por mês entre abril até dezembro. Da mesma forma, desde abril do ano passado está em vigor o sistema de licenças não automáticas para importações de leite em pó do Uruguai. Os dois países responderam por 88% do volume de importações de leite pelo Brasil. 

Retomada 
A recuperação das cotações do leite em pó no mercado internacional começou a ser observada em agosto do ano passado, quando atingiram US$ 2,1 mil/tonelada. Em dezembro, foram registrados negócios em torno dos US$ 4 mil/tonelada. Embora ainda não representem o pico dos R$ 5,7 mil/tonelada cotados em 2007, um dos melhores anos para o setor de lácteos, as perspectivas são de que pelo menos estes valores se mantenham na casa dos US$ 3,5 mil/tonelada. Não é nada extraordinário, mas já é um avanço, diz Alvim. 

No Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o valor pago aos produtores tem se mantido estável nos últimos meses. Em janeiro, a média do Estado ficou em R$ 0,58; em dezembro, o preço recebido era de R$ 0,59. No último levantamento parcial de janeiro - semana de 18 a 21 - o valor também ficou em R$ 0,58. 

O Conselho Paritário do Leite (Conseleite), que serve como patamar para as negociações do produto, definiu na última reunião em janeiro o valor de R$ 0,5836 para o leite acima do padrão; R$ 0,5075 para o padrão; e R$ 0,4614 para o produto abaixo do padrão.
 


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