05/02/2010 às 16h33min - Atualizada em 05/02/2010 às 16h33min

Dólar fraco faz Brasil voltar a ser importador de leite

Gazeta do Povo

De exportador a importador. A balança comercial de lácteos teve em 2009 o seu primeiro saldo negativo após cinco anos de superávit. O déficit deve ficar entre US$ 80 e US$ 90 milhões, prevê Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Le­­vantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abas­tecimento (Mapa) mostra que, até novembro, as importações do setor superavam as exportações em quase US$ 95 milhões. Foram US$ 250 milhões contra US$ 155 milhões exportados.

A queda do dólar derrubou as exportações, ao mesmo tempo em que incentivou as importações. Entre janeiro e novembro de 2009, as vendas externas de produtos lácteos do Brasil caíram 51% em volume e 68% em receita ante 2008. Já as importações, no mesmo período, cresceram 81% em volume e 30% em valor.

Uma realidade bastante diferente de um ano atrás. Em novembro de 2008, a balança comercial do setor acumulava saldo positivo de US$ 291 milhões. Com dólar forte e demanda firme, o setor fechou aquele ano com resultado recorde: US$ 541,6 milhões em exportações e superávit de US$ 328,4 milhões. Em 2009, explica Alvim, a crise financeira reduziu o poder de compra do consumidor, principalmente nos países em desenvolvimento, que é onde o consumo mais cresce, e isso prejudicou o comércio internacional.

“Agora a poeira da crise está baixando e os preços já começaram a subir lá fora. No norte da Europa, a tonelada do leite em pó está cotada em média a US$ 3,5 mil. Teve negócios a até US$ 4,2 mil”, relata o dirigente. No primeiro semestre do ano passado, auge da crise, os importadores da região pagavam em média US$ 1,8 mil pela tonelada do produto.

A elevação dos preços internacionais não foi repassada ao mercado interno, que ainda trabalha com cotações deprimidas, próximas de R$ 0,60 o litro no Paraná. “Uma margem pequena, mas positiva”, diz Fábio Mezzadri, veterinário responsável pelo setor de leite na Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab). A boa notícia é que a valorização dos produtos lácteos no mercado internacional favorece as exportações, pois devolve competitividade alo Brasil, observa Aline Barrozo Ferro, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. “Deve incentivar as vendas.”

Para a CNA, o aumento das cotações internacionais vai fazer com que as exportações brasileiras superem as importações em dezembro (os dados oficiais ainda não foram divulgados). Não será suficiente para reverter o déficit da balança comercial em 2009, mas indica que 2010 deve ser um ano recuperação. “Vamos depender do câmbio. Se 2010 for como 2009 o setor não agüenta”, adverte Alvim.


Quarto do ranking, Paraná se destaca pela produtividade
Quarto maior produtor mundial (atrás da Índia, China e Rússia), o Brasil produziu 27,579 bilhões de litros de leite em 2008, 5,5% mais que em 2007. O Paraná, com 2,83 bilhões (+4,7%), é o quarto produtor, atrás de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Quatro entre os vinte municípios que mais produzem leite no país estão no Paraná. Juntos, Castro, Toledo, Marechal Cândido Rondon e Carambeí, produziram no ano passado 399,4 milhões de litros, o equivalente a 14% da produção paranaense e 1% da brasileira. Os números são da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE).

Acima da média
O Paraná se destaca não pelo tamanho do rebanho (1,3 mi­­lhão de cabeças, 6% do total nacional), mas pela produtividade, 77% superior ä média brasileira.

Enquanto o Brasil produz em média 1,277 mil litros/vaca/ano, no Paraná essa média é de 2,265 mil. O índice é considerando elevado no país, mas ainda está aquém das médias européias e norte-americanas, onde cada vaca chega a produzir 10 mil litros de leite por ano. Luana Gomes
 


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