27/07/2016 às 13h24min - Atualizada em 27/07/2016 às 13h24min

IEA analisa os desafios do produtor rural para atender à legislação de qualidade do leite no País

Após 14 anos da publicação da legislação para ampliar a qualidade do leite que chega ao consumidor, o Brasil ainda enfrenta desafios para atingir as metas determinadas de Contagem de Células Somáticas (CCS) e Contagem Bacteriana Total (CBT), que indicam, respectivamente, a incidência de mastite (infecção na glândula mamária do animal) e a higiene nos processos de ordenha, conservação e transporte do leite.

De acordo com artigo da pesquisadora da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rosana de Oliveira Pithan e Silva, que atua no Instituto de Economia Agrícola (IEA), a mobilização de todos os entes da cadeia produtiva do leite é fator fundamental para assegurar as condições sanitárias e a qualidade do alimento produzido no Brasil, revertendo-se, inclusive, em ganhos de produtividade e maior rentabilidade ao produtor rural.

Apesar da expectativa de melhorar a qualidade da produção brasileira, atingir um padrão internacional, implantar um pagamento diferenciado por esse predicativo e valorizar a composição do leite, com mudanças no tipo de negociação entre produtor e indústria, a pesquisadora afirmou que “passados os primeiros nove anos da publicação da Instrução Normativa n° 51, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que eram as primeiras do cronograma, não haviam alcançado as metas, e estimava-se que 70% dos produtores de leite do País estava em desacordo com as regras”.

A situação de aumento nos níveis de CBT e CCS não apresentou melhoria desde nos últimos dez anos, nem desde a primeira Instrução Normativa do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de 2002. Nos últimos dois anos, as condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras provavelmente causaram impacto no aumento dos níveis, conforme indicaram as análises da Clínica do Leite, ligada à Escola Superior de Agronomia “Luiz Antônio de Queiroz” (Esalq/USP), uma das unidades credenciadas junto ao Mapa para fazer a avaliação.

Para a pesquisadora do IEA, as principais dificuldades para os produtores se adaptarem à legislação são: a falta de pagamento dos laticínios pela qualidade do leite, o que inibe o investimento por parte dos fornecedores; a falta de sanções para quem descumprir a legislação; e a falta de eletrificação rural, que limita o resfriamento do leite, condição exigida pela norma federal.

Um dos pontos necessários para sua implantação, concluiu o artigo, pode ser a cobrança de uma estrutura de assistência técnica e extensão rural pela cadeia de produção. “Ou seja, a adoção de uma política efetiva que repasse informações ao produtor de técnicas, muitas vezes, simples, que poderão melhorar a qualidade do leite produzido”, finalizou a pesquisadora. O artigo completo pode ser acessado neste link.

Na avaliação do secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, a busca pela qualidade do leite beneficia o produtor rural e toda a sociedade. “Com a adoção dos padrões para atender à legislação, ganha o produtor rural, que tem o seu produto mais valorizado, com a possibilidade de ampliar sua renda e também o consumidor, que tem à mesa um produto com maior qualidade. Estamos seguindo as diretrizes do governador Geraldo Alckmin, de zelar pela saudabilidade dos alimentos e apoiar o agricultor paulista, especialmente o pequeno produtor e o agricultor familiar”, afirmou o titular da Pasta.


Fonte: SAA/SP 


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