24/07/2016 às 10h38min - Atualizada em 24/07/2016 às 10h38min

Rabobank prevê alta de preços de lácteos em 2017

O Rabobank voltou a projetar nesta quarta-feira (6,/7) que os preços globais dos produtos lácteos voltarão a subir no primeiro semestre de 2017, mas os elevados níveis de estoques e a demanda global ainda enfraquecidas oferecem riscos a essa recuperação. Além disso, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) - o chamado "Brexit" - pode distorcer a concorrência global, já que o euro tende a perder força, impulsionando a competitividade dos produtos europeus.

"Embora esperemos que os preços subam em 2017, esses riscos e a demanda fraca decorrente de petróleo em baixa, sanções comerciais e falta de acessibilidade a mercados emergentes devem atenuar o movimento", informou o banco.

Em reação ao crescimento mais modesto da demanda, as entregas de leite começaram a cair, reportou o Rabobank. Apesar do movimento de alta dos preços no fim do segundo trimestre deste ano, os estoques crescentes continuarão a se sobressair no mercado, à medida que ganha força a perspectiva de excesso de oferta, de acordo com o relatório.

O banco informou também que produtores de todo o mundo começaram a reagir ao prolongado período de baixos preços pagos ao produtor, diminuindo o ritmo da produção, o que deve levar a uma forte redução no excedente para exportação. Apesar da demanda firme da China na primeira metade deste ano, o desempenho econômico fraco, os baixos preços do petróleo e o cenário geopolítico ajudam a enfraquecer a demanda em diversas regiões.

Segundo o Rabobank, os estoques mundiais continuam a aumentar. A estimativa é de que a reserva global atual se mantenha 6,4 milhões de toneladas acima da média dos últimos cinco anos de leite líquido equivalente (LME, na sigla em inglês), correspondente a cerca de 7,5% do comércio global do produto.

Brasil Com relação ao Brasil, o Rabobank projeta que a produção no País deve recuar 3% no segundo semestre de 2016. Em consequência, os preços ao produtor tendem a se manter elevados no terceiro trimestre do ano, permanecendo nos níveis atuais de cerca de R$ 1,25 por litro.

No primeiro semestre, a produção nacional de leite recuou 5% de acordo com o banco, em virtude do aumento dos custos de produção e recuo das margens de lucro nos últimos 12 meses, que forçaram parcela considerável de pequenos produtores a diminuir o rebanho ou abandonar a atividade totalmente.

A menor produção também se deu pela diminuição de alimentação suplementar do rebanho por parte de médios produtores e em decorrência de chuvas no Sul do País, que comprometeram a produção no segundo trimestre. O banco também projeta queda na demanda interna de 3% nos próximos seis meses, em reação ao aumento contínuo da taxa de desemprego e à deterioração da renda. No primeiro semestre do ano, o consumo recuou igual 3% no País.

Fonte: Estadão Conteúdo


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