22/12/2015 às 12h55min - Atualizada em 22/12/2015 às 12h55min

Produtores uruguaios admitem desilusão nos negócios com a Venezuela

O presidente da Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL), Rodolfo Braga, disse que o negócio de lácteos à Venezuela “gerou expectativas no setor em um momento difícil”, mas admitiu que a operação não foi como esperava. 

O presidente da Associação Nacional de Produtores de Leite (ANPL), Rodolfo Braga, disse que o negócio de lácteos à Venezuela “gerou expectativas no setor em um momento difícil”, mas admitiu que a operação não foi como esperava.

“A realidade mostra que das 44 mil toneladas de leite em pó que foram distribuídas à Conaprole, foram exportadas 24 mil”, e disse que dos US$ 90 milhões previstos “apenas receberam US$ 12 milhões”.

Braga disse também que a situação preocupa os produtores, porque “havia certa tranquilidade de que essa operação estava avaliada pelo governo. No entanto, o dinheiro não chega e não haverá capacidade na indústria para alterar o preço ao produtor para alcançar uma rentabilidade mínima”.

Além do negócio da Conaprole, o acordo incluiu a venda de queijos da Calcar, Pili e Claldy, onde já foram exportadas 4.275 toneladas – um terço do total – por US$ 21,8 milhões.

Braga disse que o setor leiteiro terá que reformular sua gestão econômica e produtiva com vistas ao próximo ano, como consequência da debilidade das margens do negócio e a expectativa de preço do leite enviado às indústria, que se verão reduzidos pela finalização do fundo de estabilização da Conaprole nos próximos meses.

Braga disse que o produto poderá continuar trabalhando, ainda que com uma margem crítica de rentabilidade, à medida que a capacidade do Banco da República (BROU) permita isso através do terceiro fundo leiteiro ou com outro tipo de assistência.

O dirigente admitiu que esse ano tem sido muito difícil pela adversidade climática, que incluiu uma seca importante e uma queda muito forte dos preços internacionais dos lácteos, assim como também o aumento pronunciado do dólar afetou os custos de produção e obrigou finalmente a recorrer ao novo fundo de financiamento para o setor.
Braga explicou que, como consequência, o setor tem que reprogramar-se com vistas ao próximo ano, sobretudo frente a uma nova realidade econômica do setor que tem que ter uma capacidade de pagamento ao futuro e de forma sustentável com a nova realidade de preço dos mercados.

Braga disse que o Uruguai é tomador de preços de um mercado ao qual exporta mais de 70% de sua produção, de forma que se espera com certa ansiedade que haja sinais positivas dos preços, que estão muito reduzidos. O dirigente advertiu que a ANPL fará as gestões necessárias para que o custo país incida o menos possível na produção.

No atual marco de dificuldades do setor leiteiro, é necessário considerar o endividamento que existe no setor. Por isso, os produtores serão obrigados a buscar uma maior produtividade, destacou o Braga. “Necessariamente terão que tratar de ser economicamente viáveis, há que maximizar os recursos e gerar economia onde for possível para ter uma equação econômica apropriada”.

Fonte: El Observador.


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