04/08/2008 às 15h55min - Atualizada em 04/08/2008 às 15h55min

A inovação tecnológica nas empresas públicas brasileiras

Nádia Solange Schmidt Bassi, Analista da Embrapa Suínos e Aves - nadia@cnpsa.embrapa.br

Não há como discutir que o principal insumo gerador de divisas para um país é o capital intelectual. Segundo a ANPEI (Associação Nacional de P, D & E das Empresas Inovadoras), o Brasil é responsável por cerca de 1,7% da produção científica mundial, mas detém apenas 0,2% das patentes. Nossa taxa de inovação tecnológica na indústria brasileira não chega a 1% ao ano. Vários fatores contribuem para este baixo índice de inovação no Brasil. Dentre eles, podemos considerar o fato de que a maioria dos cientistas e engenheiros trabalha em empresas públicas de pesquisa, extensão e em universidades, ao contrário dos países líderes mundiais em inovação. Assim, supõe-se que a maior parte das inovações geradas provêm das empresas públicas.

O problema, porém, é que nossas empresas públicas são muito burocráticas e totalmente engessadas por uma legislação inadequada, altamente restritiva na formalização de parcerias, o que dificulta o engajamento do setor privado no processo de pesquisa e desenvolvimento de inovações tecnológicas.

A globalização exige agilidade no desenvolvimento e disponibilização de novas tecnologias para atender um mercado cada vez mais consumista e ávido por novidades tecnológicas. Outro fator restritivo ao avanço na área de inovação tecnológica enfrentado pelas empresas públicas é o excesso de burocracia institucional e a ausência de modelos adequados de gestão dessas empresas. As empresas públicas, presas a essa legislação arcaica e aos entraves burocráticos, não conseguem responder com a rapidez exigida pela iniciativa privada, o que impossibilita, muitas vezes, a parceria pública/privada.

Outro fator que atrasa o salto tecnológico do país é a falta de cultura tecnológica inovadora nas organizações públicas e privadas. No Brasil, ainda há predominância de uma cultura voltada para a geração de informações científicas e pouco voltada para o empreendedorismo e inovação, principalmente nas empresas públicas. A maioria de nossos cientistas desenvolve seus projetos de pesquisa voltados para a busca de soluções para o agronegócio brasileiro e de transferi-los, de forma gratuita à sociedade ou então, de publica-los em forma de papers, para a comunidade científica.

A inclusão da inovação, aliada à pesquisa e desenvolvimento é uma estratégia recente nas empresas de pesquisa, que ainda está sendo processada de forma lenta. Para alavancar a inovação tecnológica brasileira algumas ações devem ser urgentemente implantadas, em diferentes setores, envolvendo o governo, as empresas públicas, universidades e empresas privadas.

A legislação brasileira precisa ser revista e modernizada, visando atender às atuais exigências globais, objetivando, principalmente, facilitar a formalização de parcerias entre os setores público e privado no desenvolvimento de novas tecnologias. Por outro lado, as empresas públicas de pesquisa devem fortalecer sua busca por parcerias com empresas privadas e universidades no desenvolvimento de projetos competitivos e inovadores.

Caberá às universidades o desenvolvimento do espírito empreendedor nos futuros cientistas e pesquisadores brasileiros, para que, ao saírem da Universidade estejam preparados para dar sua contribuição de forma efetiva em projetos de pesquisa inovadores, tanto em empresas públicas quanto em empresas privadas.

As empresas privadas devem buscar parcerias com as empresas públicas, uma vez que as mesmas detêm a maior parte do capital intelectual, formado por cientistas e engenheiros, enquanto que as empresas privadas detêm a competência para viabilizar a concepção de uma idéia em nova tecnologia e colocá-la no mercado.

Ainda temos um longo caminho a ser trilhado na conquista do reconhecimento como uma nação tecnologicamente inovadora e competitiva.


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