07/12/2015 às 14h41min - Atualizada em 07/12/2015 às 14h41min

LADC: Brasil já é o 5º maior mercado da Lactalis

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Cerca de 200 líderes do setor, envolvendo 10 países, estão reunidos em Foz do Iguaçu para discutir tendências, inovação, consumo, mercados, sustentabilidade e segurança alimentar em lácteos. 

A partir desta agenda de futuro e com a presença de especialistas e empresários do Brasil e de fora, o 1º Latin America Dairy Congress, uma parceira da Zenith com a AgriPoint, discute os principais gargalos, oportunidades e insights do setor no Continente e no mundo. 

Marcelo Pereira de Carvalho, Diretor Executivo da AgriPoint, abriu o evento comentando sobre a ideia de realizá-lo pela primeira vez no Brasil. De acordo com ele, hoje há pouca interação entre os países da América Latina no setor lácteo e o evento surgiu para suprir essa demanda. “O mercado tem crescido nos países emergentes e faz sentido aproximarmos o mercado lácteo. Esse é o principal intuito do evento”. Na sequência, Richard Hall, Presidente da Zenith Internacional Ltda, agradeceu a presença de todos no evento e frisou que espera que os participantes usufruam da estrutura do evento, pois trará novidades e é inovador na América Latina. 

A primeira palestra foi proferida por Rita Navarro, Gerente de Novos Negócios na Kantar Worldpanel. Ela iniciou comentando sobre o momento de consumo dos últimos 10 anos, que tem apresentado grande crescimento, principalmente no chamado fora do lar. Já em 2015, em função da crise econômica a alimentação dentro dos domicílios voltou a ganhar força. De acordo com Rita, houve uma diminuição no número de visitas ao supermercado, assim como a redução do volume comprado. As principais razões apontadas para esse acontecimento foram o aumento da inflação, aumento do índice de desemprego, dólar alto e o impacto da crise política. 

“Com relação aos lácteos, temos algumas categorias apresentando retração, como o leite condensado, manteiga, o requeijão, o cream cheese e o leite pasteurizado. O leite UHT parece que também está caminhando para uma retração. Quem tem se beneficiado é o setor de iogurtes, impulsionado pelo iogurte grego. Os iogurtes funcionais, que se desenvolveram muito nos outros anos, também apresentaram forte retração. Mesmo assim, nota-se que ainda há espaço para o desenvolvimento de novas categorias no mercado lácteo. As marcas que se diferenciaram e souberam se comunicar com os consumidores, cresceram mesmo na crise, aumentando clientes emarket share, concluiu Navarro. 

Em seguida, Ariel Londinsky, Secretário Geral da FEPALE (Federação Pan-Americana do Leite), explanou sobre as funções da Federação “O principal objetivo é promover o desenvolvimento da cadeia leiteira em toda a região, combinando interesses comuns, recursos, habilidades e talentos, ao mesmo tempo em que visa atuar como um fórum para a ligação de instituições do setor”.

De acordo com Ariel, o mercado de lácteos está crescendo na América Latina e o principal produtor hoje é o Brasil, seguido da Argentina e México. “É muito difícil nós compararmos as produções dos países latino-americanos pois os sistemas produtivos, assim como o clima, são muito diferentes. Como exemplo, os países do cone sul (Argentina, Chile e Uruguai) possuem uma estrutura relativamente homogênea e propriedades maiores. Já no Brasil, na Região Andina e na América Central e Caribe, a estrutura é mas heterogênea, com muitas fazendas de duplo propósito (leite e carne) e com propriedades menores. 

Além dessas diferenças apontadas, ele destacou outras desigualdades com relação a importação e exportação. “O México é um país predominantemente importador, enquanto a Argentina e o Uruguai, são exportadores e voltados para o mercado internacional”. De acordo com ele, os maiores compradores são México e Venezuela, que juntos, representam 59% do total importado na região. Brasil, Peru e Cuba representam 20%. Com relação ao consumo per capita de lácteos, Uruguai, Argentina, Costa Rica, Brasil e Chile posicionam-se entre os cinco primeiros respectivamente. “Só os quatro primeiros países estão dentro da faixa de consumo mínimo recomendado”, pontuou Londinsky. Sobre o setor industrial, ele comentou que a proporção de produção de leite processada pela indústria é maior na Argentina, seguida por México, Chile, Paraguai, Uruguai, Brasil e Bolívia. 

Para finalizar, o palestrante destacou que a América Latina, comparada aos outros continentes, é a que possui maior área para expansão da produção de alimentos. Além disso, a emissão de gás carbônico também é baixa comparado aos outros continentes. “O potencial de crescimento da produção de leite na America Latina é considerado de médio a alto. Na União Europeia é considerado baixo, enquanto nos outros continentes a tendência é de médio crescimento. Isso mostra que temos muitas oportunidades e que a América Latina é a despensa global. Precisamos aprender a produzir sempre visando a qualidade se queremos alavancar no mercado”.

Na sequência, Esther Renfrew, Diretora de Inteligência de Mercado da Zenith International, palestrou sobre a “Globalização da indústria láctea”. A princípio, ela pontuou que a produção global de leite alcançou 802 milhões de toneladas em 2014, +3,3% comparado a 2013, e que comércio internacional de lácteos aumentou, atingindo 9% da produção. “O consumo per capita de lácteos está em crescimento assim como a demanda, e o que a impulsiona atualmente é o crescimento populacional, a maior renda, a urbanização (com destaque para a Índia e os países africanos), as mudanças dos padrões de consumo e a tendência de aumento da população. 

De acordo com ela, o consumo de lácteos será impulsionado pelo consumo da Ásia e da África, que ainda apresentam baixo consumo per capita, mas com grande potencial de crescimento. “Os países asiáticos estão buscando suprir o crescimento da demanda fazendo parcerias, buscando joint ventures e cogitando parceiros de outros países para suprir o desenvolvimento do seu consumo. Em breve, também acredito que o interesse das empresas pela África vai aumentar e as empresas europeias estão buscando penetrar no continente”. Esther concluiu que as empresas têm que responder ao aumento da demanda de lácteos e que isso não parece ainda um desafio, devido a suficiência da produção, mas futuramente isso pode mudar. “A indústria láctea está em processo de transformação e enfrenta desafios com relação a globalização. Deve haver diversificação de produtos, inovação, diferenciação da marca e os mercados em desenvolvimento devem garantir a oferta sustentável de leite com qualidade”. 

Michel Nalet, Diretor Mundial de Relações Institucionais da Lactalis Group, falou sobre o desenvolvimento da empresa no Brasil e sobre a recente inserção no país. “Hoje estamos com 18 fábricas no Brasil e há 2 anos atrás não tínhamos nenhuma. O Brasil fechará 2015 como o quinto maior mercado para a Lactalis. A ideia é buscar uma relação a longo prazo e para isso estamos investindo em treinamentos de equipes na América Latina. É um desafio entrar no mercado brasileiro, mas temos uma equipe fantástica. O ambiente é competitivo no mundo inteiro nesse setor e para nos diferenciarmos, focamos cada vez mais na qualidade”, mencionou ele, que enfatizou que garantir um suprimento de leite de qualidade e a custo competitivo é um dos objetivos da empresa.

Para Nalet, é essencial reduzirmos os custos de produção e a busca de inovações. “Vamos trabalhar muito no Brasil para diferenciarmos cada vez mais os nossos produtos. Temos que estar prontos para oferecer os produtos corretos para o varejo a aumentar as parcerias com o trade. Além disso, temos que melhorar a força dos produtos lácteos e divulgar para os consumidores o que os lácteos podem oferecer no dia a dia; precisamos melhorar a imagem do leite no Brasil”. 

Fechando as palestras do período da manhã, Alexandre Carvalho, Diretor Global de Serviços de Marketing da Tetra Pak abordou o tema “Inovações e marketing no mercado de leite fluído”. “A América Latina ainda tem muito potencial para crescer. De 2012 a 2015 o crescimento global dos lácteos foi de 1,7% (puxado pela Ásia) e na América Latina, 1%. E como nós podemos melhorar esse crescimento? Buscando inovações, entrando em mercados e ganhando consumidores ainda não explorados”, disse Carvalho. Ele frisou que o leite é atacado com mensagens negativas, mas que a imagem do produto junto ao consumidor ainda é favorável. 

Ele apresentou possibilidades de como podemos acelerar o crescimento dos lácteos e o que aproximaria mais as pessoas do leite. “Precisamos mostrar para o consumidor que o leite é um alimento saudável e que pode ser apresentado ao mercado com menos gordura, sem lactose, com ingredientes funcionais, com excelente sabor e textura, enfim, que é um produto flexível e que pode ser personalizado de muitas formas. Além disso, precisamos pensar em produtos lácteos destinados a uma vida moderna, que se enquadrem nos novos hábitos alimentares dos consumidores, utilizando-os, por exemplo, como lanches inteligentes ou substitutos de refeições, etc. As empresas também precisam focar em sabores agradáveis e pensar em outras alternativas, como bebidas não refrigeradas à base de iogurte, entre outros”, sugeriu ele. 

No fim da sua apresentação, Alexandre ressaltou o crescimento das alternativas lácteas, que abrangem produtos a base de vegetais, feitos com proteína natural, fáceis de beber e que têm como característica uma nutrição acessível. “Esse é o segmento que mais cresce”, finalizou. 

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