01/08/2015 às 13h51min - Atualizada em 01/08/2015 às 13h51min

O futuro da produção de leite conta com trabalhadores e proprietários mais especializados

Assessoria de Imprensa do evento

A falta de mão de obra rural não indica o desaparecimento de trabalhadores para as atividades de campo, mas a mudança de perfil desses profissionais. Segundo o diretor do Instituto Ouro Verde (Alta Floresta/MT), Luis Fernando Laranja, “não se trata do número de pessoas disponíveis para trabalhar na roça hoje e no futuro, mas do tipo de pessoas que farão as atividades cotidianas nas fazendas”. Além disso, o aumento da produtividade de cada trabalhador gerado pela adoção de tecnologias e ferramentas de gestão reduz a necessidade de mão de obra e gera oportunidade de contratação de pessoal mais qualificado. Laranja define quatro fatores fundamentais para essa transformação: educação, internet, automação e busca por qualidade de vida.

O executivo e produtor rural faz referência à escolarização de crianças até mesmo em localidades mais isoladas. “Você achar um caboclo jovem hoje no campo que não frequentou a escola é quase impossível. Isso até em comunidade extrativista de castanha no Pará ou no sertão de Sergipe. O pai, que não estudou, tem uma cabeça. O filho tem outra”, explica. O desenvolvimento intelectual faz com que o jovem vislumbre outras oportunidades de trabalho, melhor remuneradas e mais especializadas.

A facilidade de uso de equipamentos automatizados, inteligência artificial, comunicação em rede e o acesso a um grande volume de informações pela internet gera outro diferencial. “Vi uma vaca com nove badulaques pendurados, que enviavam dados para o celular. É coisa do demônio! Mas o moleque que faz a gestão da informação na fazenda fica doido com isso!”, comenta Laranja. Esse jovem também passa a ser atraído pela qualidade de vida no campo, onde a violência é menor e a infraestrutura está cada vez melhor, com água encanada, energia elétrica e internet.

O novo cenário também soma pontos na sucessão familiar, porém o produtor ainda se prepara pouco para o processo. Em pesquisa realizada no Vale do Taquari (RS), 45% dos produtores não haviam pensado em sucessão e, dentre os que já tinham a questão em vista, 65% desconsideravam a hipótese de ser sucedido por filhas mulheres, apesar de o universo de herdeiros do sexo feminino ser maior no grupo pesquisado.

Os dados foram apresentados pelo consultor em pesquisas e gestão empresarial Lucildo Ahlert, que chamou atenção para uma predominância de sucessão por herança. A transmissão de responsabilidades tardia tem como consequência o despreparo para a função. “Desde cedo, é preciso que os filhos aprendam a assumir compromissos na propriedade, tenham a criatividade desenvolvida e se interessem pelo incremento tecnológico da propriedade rural. Mas, claro, desde que demonstrem interesse pela sucessão. O jovem já tem maturidade para começar a ser preparado com 18 anos”, diz Ahlert.

Ele defende a visão de negócio para que os filhos de produtores enxerguem a oportunidade profissional. Isto contempla gestão compartilhada; pagamento de pró-labore, que não deve ser um salário fixo, já que os rendimentos da produção oscilam; e formalização do acordo sucessório, extinguindo possíveis brigas por herança. “O filho precisa saber o limite de gastos do empreendimento rural. A relação não deve ser de pai e filho, mas de parceiros no negócio”, define Ahlert.

Laranja e Ahlert participaram da 13ª edição do Congresso Internacional do Leite, que começou ontem (29/07) no teatro da Fiergs, em Porto Alegre – RS. É realizado pela Embrapa em parceria com o Instituto Gaúcho do Leite (IGL). Tem patrocínio de SEBRAE, SICREDI, Tetra Pak, OCB, Emater-RS, CNPq, CAPES, Ministério da Educação, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Conta, ainda, com o apoio de Balde Branco, Feed & Food, Milkpoint, AFUBRA, SESCOOP, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Famurs, AGL.

 


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