29/09/2014 às 10h35min - Atualizada em 29/09/2014 às 10h35min

Mercado de genética leiteira cresce 9,6% em 2013

Folha Rural / Folha de Londrina

A pecuária leiteira, sem dúvida alguma, exige muito do pecuarista que aposta na atividade. São inúmeros fatores para que a produção seja eficiente como, por exemplo, o planejamento das ações na propriedade, pastagem equilibrada, nutrição perfeita, manejo, sanidade, e, claro, investimento na genética dos animais. De todos os fatores citados, a aposta na melhoria dos genes das vacas passa por um cenário de aquecimento, com os pecuaristas leiteiros do País apostando na compra de sêmen para inseminação artificial.

Crescimento - De acordo com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a utilização da técnica apresentou crescimento de 9,6% para as atividades voltadas ao leite em 2013, contra apenas 3% na pecuária de corte. Para o primeiro semestre de 2014, os números ainda não estão fechados mas, segundo a entidade, a pecuária leiteira puxou os percentuais e a expectativa é que o ano feche com o total de 14 milhões de doses vendidas (leite e corte), crescimento de 10% frente ao ano passado, e montante próximo a R$ 252 milhões.

Incentivo - Os programas de incentivos – tanto públicos como privados – para o uso de inseminação artificial na melhoria genética do gado de leite ao longo de anos colocaram o Paraná num patamar diferenciado, ao lado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, utilizando a técnica inclusive em pequenas propriedades. Só no Estado, a comercialização de sêmen direcionado ao setor de leite corresponde a 14,19%, perdendo apenas para Minas Gerais (26,43%) e Rio Grande do Sul (16,55%).

Preço mais atrativo - De acordo com o vice-presidente da Asbia, Marcio Nery, o crescimento forte deve-se, sobretudo, a um preço mais atrativo que os laticínios pagaram em 2013 e ainda pagam aos produtores esse ano, assim como uma valorização crescente da técnica da inseminação como fator que incrementa a produtividade. "O ano passado foi de recuperação de preços para o produtor, um estímulo para que ele voltasse a pensar no assunto. Com o mercado melhorando, o produtor começa a pensar na sua próxima geração de vacas, e foca na inseminação e melhoria genética", relata.

Custo - Nery comenta que o gasto com a inseminação artificial, quando se pensa no custo total do litro do leite, gira entre 1% e 2%, um percentual muito baixo em comparação com outros fatores da cadeia, como alimentação e mão de obra, que correspondem a 60% do custo de produção. "Já o impacto disso gira entre 10% e 15% por ano em melhoria de produtividade. 

O produtor de leite ainda se preocupa com outros gargalos, pois eles possuem impacto mais imediato, como a troca de uma ração, por exemplo. Já a decisão genética realizada hoje reflete na qualidade das vacas em 2017. Mas é aí que mora o risco, pois uma decisão errada, de não fazer uma inseminação ou utilizar um sêmen de baixa qualidade, pode trazer prejuízos por longo tempo."

Sul - A Asbia aponta ainda que o Sul do Brasil possui os estados que mais utilizam inseminação artificial no leite. "No passado, houve um apoio grande dos governos nesse sentido, levando a inseminação para as pequenas propriedades. Como não havia como o produtor ter um botijão e inseminar, foram criadas patrulhas agrícolas e outros programas que persistem até hoje para fomentar essa genética. 

O reflexo está nessa produção leiteira que esses estados possuem", complementa o vice-presidente da entidade. Para 2020, a expectativa da Asbia é que o mercado esteja consumindo, entre leite e corte, por volta de 21 milhões de doses de sêmen.

 


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