30/08/2014 às 09h30min - Atualizada em 30/08/2014 às 09h30min

Qualidade do leite deve valer mais do que quantidade

Zero Hora

Ao longo das descobertas de fraudes no leite feitas pelo Ministério Público Estadual (MPE), no ano passado, com as operações Leite Compen$ado, muito se falou que o Rio Grande do Sul só tinha problemas detectados porque aqui a fiscalização é intensa. 

Outros Estados estariam passando batido pelos escândalos simplesmente porque não mantinham sobre o mesmo rigor de controle a produção do que os gaúchos. A lógica era a de que quem procura, acha.

Pois Santa Catarina também começou a procurar. E encontrou irregularidades no produto, em uma ação coordenada pelo MP de lá e com prisões realizadas também em solo gaúcho.

Gaúchos e catarinenses, ao lado de paranaenses, integram a Aliança Láctea do Sul Brasileira. O bloco técnico, político e econômico será oficialmente criado no dia 2 de setembro, durante a Expointer. Reúne governo e setor produtivo na busca por soluções conjuntas, que garantam padronização dos processos nas três áreas – inclusive na fiscalização.

O Sul tem cerca de 300 mil produtores e no próximo ano será a maior região produtora de leite, batendo o Sudeste. Tem potencial de chegar a 2025 com volume de 20 bilhões de litros por ano – hoje é de 11,5 bilhões –, mesma quantidade da Nova Zelândia, referência mundial no setor.

Para chegar lá, precisará vencer a desconfiança gerada pela adulteração dentro de casa.

– Enquanto não houver profissionalização, temos de fiscalizar – diz Airton Spies, secretário de Agricultura de SC.

Engenheiro agrônomo, Spies fez mestrado na Nova Zelândia e doutorado na Austrália, países que, juntos, respondem por cerca de 50% das exportações mundiais de produtos lácteos. De lá traz uma expressão que precisa pegar por aqui: carrots and sticks. A expresssão que se refere a cenouras e bastão se refere à estratégia de usar recompensa e punição.

– Não basta só fiscalizar e punir. Temos de oferecer a cenoura a quem tem produto de qualidade – ensina o secretário.

A cenoura seria a remuneração pela qualidade e não só pela quantidade de produto entregue pelo produtor. Boa qualidade tem de ser remunerada. Assim, lá na frente, o bastão poderá ser abolido.

 


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